Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou que a situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro se agravou significativamente nos últimos dias e criticou o que classificou como tratamento desigual em relação a outros líderes políticos que já enfrentaram processos judiciais no país.
Segundo o parlamentar, a preocupação com o estado de saúde e com o isolamento imposto a Bolsonaro motivou uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, decano da Corte. O objetivo, de acordo com Fagundes, foi pedir que o tema seja debatido de forma ampla entre todos os ministros do STF.
“A situação de saúde dele se agravou muito mais. Por isso eu estive com o ministro Gilmar Mendes, que é o decano mais experiente, para que ele converse com todos os seus pares. Não é possível o tratamento que está sendo dado ao presidente Bolsonaro”, afirmou.
Wellington Fagundes destacou que, em situações anteriores, outros ex-presidentes tiveram acesso a visitas, advogados e até à imprensa, enquanto Bolsonaro permanece, segundo ele, completamente isolado.
“O presidente Lula foi preso e recebia visitas da imprensa. O presidente Bolsonaro está completamente isolado. Isso nós não concordamos”, completou o senador.
Diante desse cenário, Fagundes reforçou que a bancada seguirá defendendo a anistia no Congresso Nacional e também trabalhará para a derrubada de vetos presidenciais relacionados ao tema.
O senador também criticou decisões judiciais que, em sua avaliação, impõem penas desproporcionais, citando o caso de uma mulher condenada a 14 anos de prisão por escrever uma frase com batom em uma estátua durante os atos de 8 de janeiro.
“Não podemos aceitar que uma mulher, apenas com um batom, seja condenada a 14 anos de prisão por escrever uma frase irônica e depois limpar a estátua. É preciso equilíbrio”, pontuou.
Análise: punição exemplar ou excesso contra o principal líder da direita?
A fala de Wellington Fagundes reacende um debate que ganha força nos bastidores da política nacional: o peso das punições impostas a Jair Bolsonaro estaria sendo maior do que o aplicado a outros casos de corrupção e crimes graves já julgados no Brasil?
Bolsonaro hoje é alvo de investigações que envolvem suspeitas como:
tentativa de golpe de Estado,
articulação contra o resultado das eleições,
questionamentos sobre atos e omissões relacionados ao 8 de janeiro,
além de outras apurações em curso no STF.
No entanto, aliados do ex-presidente argumentam que a soma das medidas judiciais, o isolamento e a severidade das decisões contrastam com o histórico de outros políticos condenados por corrupção, desvios bilionários e crimes comprovados, que receberam penas menores ou até foram beneficiados por anulações e revisões de sentenças.
A pergunta que começa a circular entre parlamentares e parte da sociedade é direta:
👉 a Justiça estaria pesando a mão além da medida contra Bolsonaro?
Para aliados, há também um componente político no cenário. Bolsonaro segue sendo apontado como o maior líder da direita no país e, ao mesmo tempo, o principal adversário político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos partidos de esquerda. Nesse contexto, cresce a desconfiança de que o rigor extremo possa ter como objetivo enfraquecer, desgastar ou até apagar politicamente uma liderança que ainda mobiliza milhões de apoiadores.
Sem entrar no mérito das investigações, a discussão levantada por Wellington Fagundes coloca em pauta um tema sensível: há equilíbrio e isonomia na aplicação da Justiça ou dois pesos e duas medidas no cenário político brasileiro?
O debate segue aberto — no Congresso, no Judiciário e, principalmente, na opinião pública.















