A movimentação nos bastidores da política mato-grossense já começa a desenhar o cenário para as eleições de 2026. O deputado estadual Júlio Campos (União) confirmou que a saída de César Miranda da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) está diretamente ligada à construção da pré-candidatura do senador Jayme Campos ao governo do estado. Segundo o parlamentar, a permanência de Miranda na gestão atual, liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), seria incompatível com o projeto político do grupo. Para ele, manter um aliado próximo dentro de um governo que poderá ser adversário nas próximas eleições seria uma contradição estratégica. Júlio Campos destacou ainda que o grupo já trabalha de forma organizada na construção da possível candidatura. De acordo com ele, há equipes divididas entre a elaboração do plano de governo e a articulação política da campanha, sinalizando que o projeto está em estágio avançado, mesmo antes da definição oficial. Durante entrevista, o deputado também comentou a preocupação levantada pelo ex-governador Blairo Maggi (PP) sobre uma possível fragmentação da direita e centro-direita no estado. A avaliação é de que a divisão pode enfraquecer o grupo, repetindo um cenário semelhante ao das eleições municipais de Cuiabá, quando candidaturas do mesmo campo político acabaram fora do segundo turno. Apesar das articulações, a candidatura de Jayme Campos ainda enfrenta resistência dentro do próprio partido. O senador, no entanto, mantém a disposição de disputar o governo e defende que a decisão final seja tomada de forma democrática, durante as convenções partidárias.
Operação mira maior assalto da história de MT e cumpre 97 ordens contra grupo do “novo cangaço”
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a terceira fase da Operação Pentágono, considerada um dos principais desdobramentos da investigação sobre o maior roubo já registrado no estado. A ação tem como foco desarticular a organização criminosa responsável pelo ataque à transportadora de valores em Confresa, ocorrido em abril de 2023, dentro da estratégia conhecida como “domínio de cidades”. Ao todo, estão sendo cumpridas 97 ordens judiciais expedidas pela 3ª Vara Criminal de Barra do Garças, incluindo 27 mandados de prisão, 30 de busca e apreensão e o bloqueio de 40 contas bancárias. A ofensiva ocorre exatamente três anos após o crime e representa um avanço importante na responsabilização dos envolvidos. As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apontam que o grupo possui atuação interestadual, com estrutura altamente organizada e divisão clara de funções. Pelo menos 50 pessoas teriam participado direta ou indiretamente da ação criminosa, distribuídas em núcleos que iam desde o comando financeiro até a execução e apoio logístico em diferentes estados. De acordo com a apuração, a quadrilha operava em seis frentes: comando e financiamento, planejamento, execução, suporte no Pará, suporte no Tocantins e locação de veículos para a fuga. A atuação coordenada e o uso de armamento pesado reforçam o nível de sofisticação do grupo, que também é investigado por participação em outros roubos de grande porte no país. Além de cumprir mandados, a operação busca atingir o patrimônio da organização, identificando e bloqueando bens adquiridos com dinheiro ilícito, enfraquecendo financeiramente o grupo criminoso. Segundo o delegado da GCCO, Gustavo Belão, esta fase marca um ponto decisivo nas investigações, alcançando tanto executores quanto financiadores. Ele destacou que a atuação integrada entre estados demonstra que não há limites geográficos para a responsabilização penal dos envolvidos. O crime que deu origem à operação ocorreu em 9 de abril de 2023, quando cerca de 20 criminosos fortemente armados invadiram Confresa, a mais de mil quilômetros de Cuiabá. Durante a ação, parte do grupo atacou o quartel da Polícia Militar, rendeu agentes e incendiou o prédio, enquanto outros integrantes espalhavam destruição pela cidade para dificultar a reação das forças de segurança. O alvo principal era uma empresa de transporte de valores, cujo cofre foi atacado com explosivos de alta potência. Apesar da ofensiva, os criminosos não conseguiram acessar o dinheiro e fugiram, abandonando veículos e equipamentos. Nos dias seguintes, operações policiais resultaram na morte de 18 suspeitos durante confrontos na região de Pium, no Tocantins. Outras fases da investigação já haviam levado à prisão de envolvidos e à apreensão de armas, munições e veículos utilizados na ação. A atual etapa da Operação Pentágono conta com apoio de forças policiais de diversos estados e integra uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado, alinhada a ações nacionais de inteligência e repressão qualificada.
Dupla é presa com droga e arma de uso restrito após tentativa de fuga em Guarantã do Norte
A Polícia Civil prendeu em flagrante dois homens, de 19 e 38 anos, suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas em Guarantã do Norte, na última terça-feira (7). A ação foi resultado de uma investigação que já monitorava um imóvel apontado como ponto de comercialização de entorpecentes no município. De acordo com as apurações, o local vinha sendo observado após o levantamento de informações que indicavam atividade criminosa. Durante o monitoramento, os policiais identificaram uma movimentação considerada típica do tráfico: diversas pessoas chegavam, permaneciam por poucos minutos, realizavam pagamentos — em muitos casos via celular — e saíam rapidamente com pequenos volumes. No período da tarde, um dos suspeitos deixou o imóvel em uma motocicleta, seguindo em direção ao bairro Aeroporto. Diante da atitude suspeita, ele passou a ser acompanhado pela equipe policial. Durante o trajeto, demonstrou comportamento nervoso, olhando para trás repetidamente. Ao receber ordem de parada, o homem desobedeceu e tentou fugir, mas foi interceptado pouco depois. A abordagem levou à continuidade da ação, que culminou na prisão dos dois suspeitos. Na operação, os policiais apreenderam porções de drogas, uma arma de fogo de uso restrito e outros materiais relacionados à atividade criminosa. Os detidos foram encaminhados à delegacia e devem responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, desobediência e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.