Ação conjunta das forças de segurança intercepta aeronave, prende suspeitos e causa prejuízo milionário ao crime organizado Uma operação integrada entre forças de segurança estaduais e federais resultou na apreensão de aproximadamente 500 quilos de entorpecentes na região de fronteira de Mato Grosso, na última quinta-feira (30). A ação ocorreu no distrito de Lucialva, localizado no município de Jauru, a cerca de 430 quilômetros de Cuiabá, área considerada estratégica por sua proximidade com a Bolívia. De acordo com as autoridades, a equipe acompanhou o pouso de uma aeronave em uma estrada vicinal da região. Logo após o desembarque, os policiais flagraram a transferência de volumes suspeitos do avião para uma caminhonete, o que motivou a abordagem imediata. Durante a ação, foram apreendidos cerca de 200 quilos de pasta base de cocaína e 297 quilos de cloridrato de cocaína, substância em alto grau de pureza. Três suspeitos foram identificados no local, sendo que dois acabaram presos em flagrante. O terceiro conseguiu fugir em direção a uma área de mata e segue sendo procurado pelas equipes envolvidas. Além da droga, os agentes apreenderam a aeronave utilizada no transporte, avaliada em aproximadamente R$ 3,5 milhões, e uma caminhonete modelo Hilux, estimada em R$ 124 mil, que seria usada para o deslocamento da carga por via terrestre. Os detidos e todo o material recolhido foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, em Cuiabá, onde o caso segue sob investigação. A operação faz parte de estratégias conjuntas voltadas ao enfrentamento do crime organizado na faixa de fronteira, com foco no combate ao tráfico internacional de drogas. A ação reuniu equipes do Grupo Especial de Fronteira, da Polícia Federal e unidades especializadas das Polícias Militares de Mato Grosso e do Amazonas, reforçando a atuação integrada no combate a crimes transnacionais.
Redeiras de Limpo Grande têm saber ancestral registrado em inventário inédito em Mato Grosso
Projeto apoiado pela Secel-MT transforma tradição oral das artesãs em acervo digital e preserva patrimônio imaterial feminino Um conhecimento transmitido por gerações, guardado na memória e nas mãos de mulheres artesãs, começa a ganhar forma permanente em Mato Grosso. O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab)”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando o registro detalhado do saber-fazer das redeiras da comunidade de Limpo Grande, em Várzea Grande. Conduzido pela Associação Tece Arte, o projeto pretende documentar, pela primeira vez, todo o processo de produção das tradicionais redes artesanais que deram notoriedade à região. A iniciativa resultará em um acervo digital que reunirá imagens, depoimentos e descrições técnicas, tornando acessível a pesquisadores, estudantes e interessados um conhecimento que, até então, existia apenas na tradição oral. Mais do que catalogar um produto artesanal, o inventário busca valorizar a dimensão cultural e social dessa prática. Segundo a coordenação do projeto, trata-se de registrar uma tecnologia ancestral construída por mulheres, marcada pela resistência e pela autonomia ao longo das décadas. Cada etapa — da coleta da matéria-prima ao acabamento final — revela não apenas técnica, mas também histórias de vida e identidade coletiva. Atualmente na fase de entrevistas, o trabalho mergulha no cotidiano das artesãs para mapear detalhes antes invisíveis: os nomes dos pontos, os significados das cores e os relatos que conectam o ofício à sobrevivência e à expressão cultural da comunidade. Durante anos, esse conhecimento foi repassado de mãe para filha, ao ritmo dos teares de madeira, sem registros formais. Com lançamento previsto para junho, o inventário se propõe a preservar e, ao mesmo tempo, projetar esse patrimônio para o futuro. A expectativa é que a sistematização das informações fortaleça o reconhecimento das redeiras e contribua para a valorização da arte popular mato-grossense. A iniciativa reforça a importância de políticas públicas voltadas à cultura, ao transformar saberes tradicionais em legado documentado. Em Limpo Grande, enquanto houver mãos tecendo, a memória coletiva segue viva — agora também registrada para as próximas gerações.