Proposta prevê protocolos específicos para o combate às facções em Mato Grosso e permite a inclusão de outros grupos na classificação. O governador Otaviano Pivetta enviou, nesta quinta-feira (22.10), um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para declarar facções criminosas que atuam no Estado como organizações terroristas. Conforme a proposta, as forças de segurança de Mato Grosso poderão estabelecer protocolos específicos para combater as facções criminosas. “Queremos que nossas forças de segurança tenham todos os mecanismos necessários para combater esses criminosos, que, na verdade, são terroristas. Em Mato Grosso, vamos combater duramente os crimes, com tolerância zero, e não vamos descansar enquanto nossos cidadãos de bem não estiverem seguros, porque nosso trabalho é para dar segurança à nossa população”, afirmou Pivetta. Inicialmente, o projeto estabelece duas facções como terroristas, mas prevê a possibilidade de incluir outros grupos nessa classificação. O documento reconhece que a atuação das facções não se limita ao território estadual e, por isso, reforça a necessidade de coordenação das forças de segurança, em cooperação com agentes nacionais, internacionais e de outros estados. O projeto de lei será submetido à votação dos deputados estaduais.
Quando o axé resiste: a ancestralidade que mantém viva a tradição do Candomblé em Várzea Grande
ARTIGO: Mais do que uma celebração religiosa, a Festa de Airá representa a força de uma história que atravessa gerações, a dedicação de quem protege as raízes africanas e o compromisso de não deixar morrer os ensinamentos dos ancestrais. Há histórias que não podem ser esquecidas. Histórias que sobrevivem ao tempo porque alguém escolhe cuidar delas, mesmo quando o caminho exige renúncia, coragem e perseverança. No Candomblé, essa escolha se manifesta no cotidiano dos terreiros, no respeito aos mais velhos, na transmissão dos ensinamentos, nos cânticos, nos rituais e na força de uma comunidade que encontra na ancestralidade a razão de continuar. Em Várzea Grande, essa história também tem endereço, tem família, tem fé e tem axé. Desde 21 de março de 2013, o Ilê Oberunjá Asé Ajagura mantém viva sua trajetória de dedicação às tradições do Candomblé. É nesse espaço sagrado que a memória dos que vieram antes encontra as mãos daqueles que assumem a responsabilidade de levar adiante seus ensinamentos. A Festa de Airá, marcada para 12 de dezembro de 2026, é parte dessa caminhada. Mais do que uma data no calendário religioso, ela representa a continuidade de uma herança que não se mede em anos, mas na força dos vínculos, no respeito aos fundamentos e no amor de quem compreende que preservar a tradição é também proteger a própria história. A ancestralidade não é apenas olhar para trás. É reconhecer de onde viemos para saber o que precisamos manter vivo. No Candomblé, os ancestrais não são lembranças distantes: fazem parte de uma referência espiritual, cultural e comunitária que orienta o presente e ajuda a preparar o futuro. Cada ensinamento transmitido, cada fundamento preservado e cada gesto de respeito aos mais velhos reafirma a ligação entre gerações. É por isso que uma festa de terreiro carrega um significado que vai muito além daquilo que os olhos conseguem ver. Há preparação, trabalho, compromisso e dedicação. Há pessoas que oferecem seu tempo e sua energia para que a tradição aconteça. Há uma comunidade que se reúne não apenas para celebrar, mas para reafirmar sua identidade, fortalecer seus laços e renovar o compromisso com aquilo que recebeu de seus antepassados. Em uma cidade como Várzea Grande, marcada pela diversidade de histórias, origens e expressões culturais, a presença de uma casa de Candomblé também representa a contribuição das tradições de matriz africana para a formação da identidade brasileira. Os terreiros são espaços de fé, mas também de transmissão de conhecimentos, convivência, pertencimento e preservação de um patrimônio cultural construído ao longo de gerações. Essa contribuição precisa ser reconhecida com respeito. Durante séculos, as religiões de matriz africana enfrentaram preconceito, perseguição e tentativas de silenciamento. Ainda hoje, preservar essas tradições significa afirmar o direito de existir, cultuar, ensinar e transmitir uma herança que integra a riqueza cultural do Brasil. Manter um terreiro vivo, portanto, é também resistir ao esquecimento e reafirmar a dignidade de uma história que merece ser respeitada. À frente dessa missão está o Babalorixá Adriano Ty Airá, cuja experiência e dedicação se expressam no compromisso com a continuidade do Ilê Oberunjá Asé Ajagura e com os fundamentos que sustentam a vida religiosa da comunidade. Ser responsável por uma casa de axé é assumir uma tarefa que ultrapassa a organização de cerimônias: é cuidar de pessoas, preservar ensinamentos, orientar caminhos e compreender que a tradição recebida precisa ser transmitida com responsabilidade. Esse trabalho exige constância. O axé não se fortalece apenas nos dias de festa, mas também na dedicação silenciosa, no cuidado com a casa, na disciplina, no respeito aos mais velhos e na disposição de ensinar às novas gerações o valor de suas raízes. É nesse trabalho contínuo que a experiência de uma liderança religiosa ganha significado: na capacidade de manter viva a tradição sem perder de vista a responsabilidade de entregá-la ao futuro. A Festa de Airá, ao reunir integrantes da comunidade religiosa e pessoas vindas de diferentes municípios de Mato Grosso e de outros estados, também reafirma a importância dos laços entre casas e famílias de axé. Cada encontro fortalece a troca de experiências, a memória coletiva e o sentimento de pertencimento a uma tradição que atravessou fronteiras e encontrou no Brasil novas formas de florescer, sem perder a ligação com suas raízes africanas. Fortalecer o axé é fortalecer a vida da tradição. É compreender que aquilo que foi recebido não pertence somente a uma geração. Existe uma responsabilidade de cuidar, preservar e transmitir, para que os que chegam depois também possam conhecer sua história, compreender seus fundamentos e encontrar nesse legado uma fonte de identidade e continuidade. Quando os atabaques ecoarem na Festa de Airá, em dezembro, não será apenas uma celebração que ganhará vida. Será também a expressão de uma história construída por muitas mãos, sustentada pela fé e alimentada pela dedicação daqueles que não permitem que a memória dos ancestrais se apague. Porque uma tradição não permanece viva por acaso. Ela sobrevive porque existem pessoas dispostas a protegê-la. Pessoas que entendem que a ancestralidade é raiz, que a fé é compromisso e que o axé é força para continuar. Em Várzea Grande, a caminhada do Ilê Oberunjá Asé Ajagura e a dedicação do Babalorixá Adriano Ty Airá reafirmam essa missão: honrar quem veio antes, cuidar do presente e preparar o caminho para quem ainda virá. Que o axé siga vivo. Que as raízes permaneçam firmes. E que a tradição nunca precise lutar sozinha para continuar existindo.
STF autoriza concessão de rodovias estaduais de Mato Grosso após disputa judicial
Decisão do ministro André Mendonça libera o avanço do Lote 1 do programa, que prevê R$ 2,6 bilhões em investimentos privados ao longo de 30 anos, em cinco municípios. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e autorizou o prosseguimento da concessão de rodovias estaduais prevista no Programa de Concessões Rodoviárias de Mato Grosso. A decisão, proferida em 21 de outubro, refere-se ao Lote 1 do programa, que prevê melhorias em 237 quilômetros de estradas da Rota do Arinos, abrangendo cinco municípios. O investimento privado estimado é de R$ 2,6 bilhões ao longo de 30 anos. A disputa judicial começou após o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) suspender a contratação da concessão. Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) entendeu que o governo havia adotado as medidas cabíveis e derrubou a decisão do TCE-MT. O órgão de controle recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu liminar para interromper novamente a formalização do contrato. Diante disso, a PGE recorreu ao STF, alegando invasão de competência. Ao analisar o caso, o ministro André Mendonça acolheu os argumentos apresentados pelo Governo de Mato Grosso e ressaltou que cabe ao Supremo Tribunal Federal analisar discussões que envolvem questões constitucionais. A decisão autorizou o prosseguimento da concessão e determinou o encaminhamento do pedido suspensivo à Presidência do STF para apreciação. O Lote 1 do Programa de Concessões Rodoviárias abrange quatro rodovias estaduais: MT-160, MT-220, MT-242 e MT-338, nos trechos que passam pelos municípios de Juara, Novo Horizonte do Norte, Porto dos Gaúchos, Itanhangá e Tapurah.
