A identificação de comportamentos abusivos que nem sempre deixam marcas visíveis foi o foco de uma palestra realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta segunda-feira (23). Com o tema “A Caixa de Ferramentas do Narcisista”, o encontro reuniu público diverso interessado em compreender como a manipulação emocional se manifesta nas relações do dia a dia.
Conduzida pela psicoterapeuta Kelly Arfux, a apresentação destacou que a violência psicológica ocorre, principalmente, por meio da comunicação — de forma discreta, progressiva e muitas vezes imperceptível para quem está sendo afetado. Segundo a especialista, esse tipo de abuso costuma envolver distorções da realidade e inversão de culpa, dificultando a identificação do problema.
Durante a palestra, foram detalhadas diversas estratégias utilizadas por pessoas com comportamento manipulador, como o silêncio punitivo, a culpabilização da vítima, a distorção de fatos (gaslighting) e a chamada “triangulação”, entre outras práticas que fragilizam emocionalmente quem está no alvo. Para a especialista, reconhecer esses padrões é essencial para romper ciclos de violência.
“A compreensão dessas dinâmicas funciona como um alerta. A partir disso, a pessoa consegue enxergar a situação com mais clareza e buscar caminhos para se proteger”, explicou.
A iniciativa foi promovida pela Procuradoria Especial da Mulher em parceria com a Escola do Legislativo, como parte das ações de conscientização sobre os direitos das mulheres. A subprocuradora Franciele Brustolin destacou que o acesso à informação é uma ferramenta decisiva na prevenção.
Já a coordenadora do Núcleo de Prevenção, Dani Paula, chamou atenção para o crescimento na procura por atendimento e reforçou que, antes de situações extremas, como o feminicídio, há um histórico de violências que poderiam ser interrompidas com orientação adequada.
Além de ações educativas, a Procuradoria oferece suporte psicossocial e jurídico às vítimas, com atendimento presencial e iniciativas itinerantes em diferentes comunidades. O objetivo, segundo as organizadoras, é ampliar o alcance da informação e fortalecer a rede de apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade.


