Governo promete mais recursos para os municípios, mas interrupção da distribuição preocupa gestores e população vulnerável
O Governo de Mato Grosso anunciou que deixará de encaminhar cestas básicas aos municípios como parte de uma reformulação na política estadual de assistência social.
A medida foi comunicada pelo secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), sargento PM Klebson Gomes Haagsma, que informou aos prefeitos que não haverá novos envios de cestas básicas neste momento.
Em contrapartida, o Estado promete ampliar significativamente os recursos destinados aos municípios. O financiamento da assistência social, que hoje gira em torno de R$ 35 milhões, deverá saltar para aproximadamente R$ 101 milhões por meio do sistema de repasses fundo a fundo.
A proposta é considerada positiva por muitos gestores, já que dará mais autonomia às prefeituras para atender suas demandas locais.
Porém, a decisão também levanta uma preocupação inevitável:
Será que este era o melhor momento para suspender a distribuição das cestas básicas?
A fome não espera
Enquanto o novo modelo é discutido e os detalhes dos repasses ainda não foram apresentados, milhares de famílias continuam enfrentando dificuldades para colocar comida na mesa.
A grande preocupação dos municípios é justamente o período de transição.
Na prática, muitas famílias que recebem assistência alimentar não podem esperar meses por uma mudança administrativa ou pela regulamentação de um novo programa.
A fome não espera.
A necessidade é diária.
Para quem está em situação de vulnerabilidade, uma cesta básica representa muito mais do que alimentos. Ela significa dignidade, segurança alimentar e a garantia de que crianças, idosos e famílias inteiras terão o que comer.
Mudança pode ser positiva, mas exige planejamento
A proposta do Governo de aumentar os recursos para os municípios é vista como um avanço importante para fortalecer a assistência social.
Com mais recursos disponíveis, as prefeituras poderão desenvolver ações próprias e ampliar o atendimento às famílias.
No entanto, especialistas em políticas públicas costumam destacar que mudanças dessa magnitude exigem planejamento e mecanismos que garantam a continuidade do atendimento durante a transição.
A principal dúvida continua sem resposta:
O que acontecerá com as famílias que hoje dependem das cestas básicas até que o novo modelo esteja funcionando plenamente?
Prefeitos aguardam explicações
Os gestores municipais agora aguardam o anúncio oficial do governador Otaviano Pivetta para entender como funcionará o novo sistema e quais medidas serão adotadas para evitar que famílias vulneráveis fiquem sem assistência alimentar.
A expectativa é que o Governo apresente uma estratégia capaz de conciliar os dois objetivos: modernizar a assistência social e, ao mesmo tempo, garantir que nenhuma família fique desamparada durante a mudança.
Porque ampliar investimentos é importante.
Dar mais autonomia aos municípios também.
Mas quando o assunto é alimentação, existe uma realidade que não pode ser ignorada:
A fome não espera.
Fonte: Setasc-MT
Por: Alex Rabelo — Jornalista e Estrategista Político | MT Urgente News
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