O senador e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), afirmou que não pretende pressionar prefeitos do próprio partido a declarar apoio à sua candidatura nas eleições de 2026. A declaração foi dada após o vice-governador e também pré-candidato ao Palácio Paiaguás, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmar que acredita contar com o apoio de importantes prefeitos eleitos pelo PL.
Entre os nomes citados por Pivetta estão o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), além dos prefeitos Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis.
Mesmo diante desse cenário, Wellington afirmou que não pretende impor qualquer tipo de obrigação política aos gestores municipais.
“Cada um tem o direito de escolher o que for melhor. Eu vou trabalhar para conquistar os apoios. Ainda estamos no período de pré-campanha. As convenções serão realizadas em julho e agosto e, até lá, ninguém é candidato oficialmente. É hora de dialogar e conquistar”, declarou.
Relação institucional pesa na decisão dos prefeitos
Segundo o senador, é natural que muitos prefeitos mantenham uma boa relação com o Governo do Estado, já que dependem de investimentos e obras executadas pelo Executivo estadual.
Ao mesmo tempo, Wellington lembrou que, ao longo de seus mandatos no Senado, também destinou milhões de reais para os municípios mato-grossenses e espera que esse trabalho seja levado em consideração no momento das decisões políticas.
Como exemplo, ele citou o prefeito de Campo Novo do Parecis, que recentemente esteve em seu gabinete para agradecer pelos recursos destinados ao município.
O senador também destacou sua atuação em favor de Rondonópolis e de Várzea Grande, afirmando ter contribuído para a liberação de R$ 5 milhões destinados à saúde e para o destravamento de mais de R$ 70 milhões em investimentos para obras de saneamento.
“O papel do parlamentar é buscar recursos e ajudar os municípios. Tenho feito isso durante todos esses anos, inclusive colaborando com o próprio Governo do Estado. Foram muitos investimentos. Às vezes esse trabalho acaba não sendo reconhecido”, afirmou.
Disputa pelos prefeitos será uma das principais batalhas da eleição
A movimentação evidencia que um dos principais desafios da pré-campanha será a disputa pelo apoio dos prefeitos.
Embora Wellington Fagundes seja o pré-candidato oficial do Partido Liberal ao Governo de Mato Grosso, lideranças municipais da legenda já demonstram aproximação com Otaviano Pivetta, que pertence ao Republicanos.
A tendência é que essa disputa pelos palanques municipais se intensifique nos próximos meses, principalmente após a realização das convenções partidárias.
Análise Política
A declaração de Wellington Fagundes mostra uma estratégia de evitar desgastes internos e manter o diálogo aberto com prefeitos que hoje administram seus municípios em parceria com o Governo do Estado.
Por outro lado, a situação levanta um debate que certamente ganhará força durante a campanha: até que ponto um prefeito eleito por um partido deve apoiar um candidato de outra legenda, especialmente quando seu próprio partido possui candidatura ao Governo do Estado?
É uma discussão que envolve fidelidade partidária, coerência política e independência dos gestores municipais. Afinal, muitos desses prefeitos foram eleitos utilizando a estrutura, a militância, o tempo de televisão, o fundo partidário e a força política do Partido Liberal.
Fica a reflexão: é natural que um prefeito busque manter uma boa relação institucional com o Governo do Estado. Mas, no período eleitoral, apoiar um candidato de outro partido, enquanto a própria legenda possui um nome na disputa, pode gerar questionamentos entre filiados, lideranças e eleitores sobre o compromisso com o projeto político que ajudou a elegê-lo.
Por Alex Rabelo
Jornalista | DRT 3336
Estrategista Político


