Em audiência pública na Assembleia Legislativa, Sinfra detalha cronograma, mudanças no projeto, compra de ônibus elétricos e explica revisão na execução para reduzir impactos no trânsito.
O Governo de Mato Grosso prevê concluir até o fim de dezembro de 2026 as obras do primeiro corredor do BRT que ligará Cuiabá a Várzea Grande. A estimativa foi apresentada pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, e pela equipe técnica da Sinfra durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), quando foram detalhados o andamento do empreendimento, as alterações no projeto e as próximas etapas da implantação do sistema.
Com cerca de 15 quilômetros de extensão entre a Avenida do CPA, na Capital, e o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, o corredor contará com 77 estações, que passaram por reformulação para ampliar a segurança, a durabilidade e o conforto dos usuários. Entre as mudanças estão a instalação de vidros antivandalismo, equipamentos de climatização mais robustos e melhorias estruturais. A operação também deverá contar com 25 ônibus elétricos, cujo processo de aquisição segue em tramitação na Sinfra.
Durante a apresentação, a equipe técnica explicou que o cronograma das obras precisou ser readequado após o início das intervenções. A previsão inicial era executar simultaneamente sete frentes de trabalho no trecho entre o Viaduto da Sefaz e a Ponte Júlio Müller, com conclusão em seis meses. No entanto, os impactos provocados no trânsito levaram o governo a adotar uma execução gradual, em conjunto com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), para minimizar transtornos e evitar prejuízos à mobilidade urbana.
Segundo a Sinfra, a estratégia passou a considerar também outras obras em andamento na capital, como intervenções da concessionária de abastecimento de água e esgotamento sanitário, permitindo o planejamento das interdições de forma integrada.
Os representantes do governo também apresentaram informações sobre a futura implantação do corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa, que terá aproximadamente sete quilômetros de extensão. De acordo com o secretário adjunto de Obras da Sinfra, Isac Nascimento, a licitação para esse trecho ainda não foi lançada e os serviços deverão começar apenas no próximo ano.
Durante a audiência, Marcelo Oliveira afirmou que o governo adotou uma série de medidas após a rescisão do contrato com a primeira empresa responsável pelas obras do BRT. Conforme o secretário, a empreiteira não cumpriu as obrigações previstas, o que levou à aplicação de penalidades e à reformulação da estratégia de execução do projeto. Ele também destacou que fatores como o crescimento populacional, o aumento da frota de veículos e dificuldades enfrentadas durante a implantação do sistema exigiram adequações no planejamento.
O secretário ainda informou que a venda dos trens e o leilão dos materiais remanescentes do antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) poderão gerar mais de R$ 1 bilhão em receitas para os cofres públicos, recursos que, segundo ele, contribuirão para fortalecer os investimentos em mobilidade urbana no Estado.


