Associação de docentes da Unemat afirma que prefeito de Cuiabá fez declarações ofensivas sobre professores e estudantes de universidades públicas. Entidade também quer a retirada de vídeos publicados nas redes sociais.
Por: Alex Rabelo — Jornalista | MT Urgente News
A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) entrou com uma ação na Justiça contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e pede o pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos.
O processo foi motivado por declarações feitas pelo prefeito durante um evento político realizado em Cuiabá, no dia 13 de outubro. Na ocasião, Abilio mencionou professores e estudantes de universidades públicas e fez associações ao consumo de drogas.
A entidade considera que as manifestações atingiram a imagem e a honra da comunidade universitária.
Além da indenização, a associação solicita que a Justiça determine a retirada de vídeos do discurso e de uma entrevista posterior publicados nas redes sociais do prefeito.
A ação foi protocolada em 20 de outubro e tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá.
O que Abilio Brunini falou?
A polêmica começou durante a inauguração da chamada Casa 22, espaço utilizado para mobilizar apoiadores da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Durante o discurso, Abilio mencionou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).
Segundo a ação judicial, o prefeito associou estudantes e professores dessas instituições ao uso de maconha e cocaína.
Em outro momento, utilizou a expressão “porcaria” ao comentar o que, segundo sua avaliação, estaria presente nas universidades públicas.
O discurso também incluiu comentários sobre criminalidade, referência a um integrante de facção criminosa que ameaçaria um pastor e elogios a uma ação da Polícia Militar.
As declarações repercutiram nas redes sociais e provocaram a reação da associação de professores.
Por que os professores decidiram processar o prefeito?
A Adunemat sustenta que Abilio ultrapassou os limites da crítica política ao fazer declarações que, na avaliação da entidade, atingiram professores e estudantes de maneira generalizada.
A associação argumenta que o prefeito vinculou integrantes da comunidade acadêmica ao consumo de drogas sem apresentar fatos específicos que justificassem essas afirmações.
Para os representantes dos docentes, existe uma diferença entre questionar o funcionamento das universidades públicas e fazer acusações que possam prejudicar a reputação de seus profissionais.
A entidade afirma que não pretende impedir críticas às instituições de ensino, mas considera necessário responsabilizar judicialmente declarações que entende serem ofensivas à coletividade.
O que significa pedir R$ 100 mil por danos morais coletivos?
Diferentemente de uma ação individual, em que uma pessoa pede indenização por um prejuízo sofrido, a associação apresentou uma ação civil pública alegando que as declarações teriam afetado um grupo de pessoas.
Nesse caso, o grupo apontado é a comunidade de professores e estudantes das universidades públicas mencionadas.
A Adunemat pede que Abilio seja condenado a pagar R$ 100 mil caso a Justiça reconheça a existência de dano moral coletivo.
A associação solicita que o dinheiro seja destinado a programas da Unemat voltados à defesa da liberdade acadêmica.
Como alternativa, propõe que a quantia seja encaminhada a um fundo previsto na legislação.
Isso não significa que o prefeito já tenha sido condenado ou que o valor precise ser pago neste momento. Trata-se de um pedido apresentado pela associação, que ainda depende de análise judicial.
Associação também quer retirada dos vídeos
Além da indenização financeira, os professores pedem que a Justiça determine a remoção das publicações relacionadas ao discurso e à entrevista concedida posteriormente pelo prefeito.
A solicitação foi apresentada em caráter de urgência, ou seja, a associação quer que a retirada dos vídeos seja analisada antes do julgamento definitivo do processo.
Caso a Justiça conceda a medida, a entidade pede a aplicação de multa diária de R$ 1 mil se a determinação não for cumprida.
No pedido principal, a Adunemat também solicita a remoção definitiva dos conteúdos das redes sociais mantidas por Abilio.
A associação argumenta que a divulgação dos vídeos ampliou a repercussão das declarações e seus possíveis efeitos sobre a imagem da comunidade universitária.
Outras declarações também são questionadas
A ação menciona uma entrevista posterior na qual, segundo a Adunemat, o prefeito teria sugerido que estudantes poderiam demonstrar apoio político a determinado candidato para evitar possíveis prejuízos acadêmicos provocados por professores.
Para a associação, esse episódio reforçaria a alegação de que houve uma sequência de manifestações contra integrantes das universidades públicas.
Esses argumentos também deverão ser examinados pela Justiça.
O que acontece agora?
Com o processo protocolado, caberá à Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá analisar os pedidos apresentados pela associação.
Entre as questões que poderão ser avaliadas estão o contexto das declarações, os limites da liberdade de expressão, a existência ou não de dano moral coletivo e a possibilidade de retirada das publicações.
A Justiça também deverá examinar o pedido de urgência para decidir se existe fundamento para determinar a remoção dos vídeos antes do julgamento final.
Até o momento, a reportagem utilizada como base não informa a existência de uma decisão judicial sobre o mérito da ação.
A matéria original também não apresenta manifestação de Abilio Brunini sobre o processo. O espaço permanece aberto para esclarecimentos do prefeito e de sua defesa.
O caso coloca em discussão os limites das manifestações públicas de autoridades políticas e a proteção da imagem de professores e estudantes de instituições públicas de ensino.
Fonte: Gazeta Digital — reportagem de Yuri Ramires, publicada em 22 de outubro de 2026, com informações sobre ação civil pública apresentada pela Adunemat.
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