Operação Tomada de Contas cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em três estados; investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Polícia Federal apreendeu carros de luxo das marcas Mercedes-Benz e Audi, mais de 60 relógios de alto padrão e dinheiro em espécie durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29). Entre os presos está o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo. A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo contratos administrativos e possíveis desvios na relação entre agentes públicos e fornecedores.
Além de Sérgio Ricardo, foram presos Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do tribunal, e os advogados Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. Também tiveram a prisão decretada o servidor Adriangelo Barros Antunes e a secretária executiva do TCE-MT, Roseli Loss.
Conforme as informações divulgadas, Sérgio Ricardo e os advogados permanecerão em prisão especial, enquanto Adriangelo Barros Antunes e Roseli Loss ficarão em prisão comum.
As imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram dois veículos de luxo, um Audi preto e uma Mercedes-Benz branca, além de cédulas de reais, dólares e euros. Parte do dinheiro em moeda brasileira estava guardada em envelopes, incluindo notas de R$ 100 e R$ 200. Até o momento, o valor total apreendido não foi informado.
Entre os objetos recolhidos estão mais de 60 relógios de marcas como Rolex, Audemars Piguet e Hublot. Os agentes também apreenderam passaportes, documentos, celulares, pen-drives, notebooks e outros equipamentos eletrônicos. Os locais exatos das apreensões ainda não foram divulgados, e não há confirmação sobre quais investigados estavam com os bens.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão, além de medidas autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo afastamento de sigilos e sequestro de bens. As diligências ocorrem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Segundo as informações da investigação, há indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores. Os investigadores também apuram possíveis tratamentos diferenciados na liberação de recursos públicos, divergências em pagamentos a empresas, movimentações financeiras consideradas atípicas e saques frequentes em dinheiro.
A apuração busca esclarecer possíveis vínculos entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências do tribunal, além de identificar a eventual participação dos investigados nos fatos. As suspeitas podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações seguem em andamento, e as suspeitas deverão ser apuradas pelas autoridades competentes, respeitando-se o direito à presunção de inocência dos investigados.


