Prefeitos da região Centro-Sul de Mato Grosso são orientados a fortalecer receita própria até 2026 para evitar perdas no repasse do futuro IBS Os reflexos da reforma tributária nas finanças dos municípios mato-grossenses estiveram no centro dos debates realizados nesta quarta-feira (25), durante a sétima edição do programa AMM Itinerante, promovido pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Alto Garças. O encontro reuniu gestores da região Centro-Sul do estado para discutir os ajustes necessários diante da implantação do novo modelo tributário nacional. A coordenadora técnica da entidade, Waldna Fraga, destacou que o momento é decisivo para que as prefeituras adotem medidas capazes de evitar perdas de receita no processo de transição. Segundo ela, o fortalecimento da arrecadação própria até o fim de 2026 será determinante para ampliar a participação dos municípios no futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá tributos atuais e será consolidado até 2033. Um dos principais pontos de atenção é que o cálculo para distribuição do IBS considerará a média da arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) entre 2019 e 2026. Isso significa que este é o último ano estratégico para que os municípios implementem ações concretas de incremento da receita. Quanto maior o desempenho nesse período, maior tende a ser a fatia dos repasses no novo sistema. Entre as iniciativas recomendadas estão o aprimoramento da gestão tributária, a capacitação de equipes técnicas e a atualização do Código Tributário Municipal. A adesão e parametrização da Nota Fiscal Eletrônica, já implementada em todos os municípios de Mato Grosso, também foi citada como ferramenta essencial para garantir maior controle e eficiência na arrecadação. A AMM vem promovendo debates, seminários e reuniões técnicas nos últimos anos com o objetivo de preparar as administrações locais para as mudanças. A avaliação é de que a reforma terá impacto direto na autonomia financeira das prefeituras, exigindo planejamento, modernização e atuação estratégica por parte dos gestores municipais.
Janaina nega interesse em ser vice de Pivetta, afirma Max Russi
Presidente da ALMT diz que ouviu especulações apenas nos bastidores e descarta participação dele ou do Podemos em eventual articulação O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), afirmou que a deputada Janaina Riva (MDB) negou ter interesse em disputar como vice-governadora em uma eventual chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) nas próximas eleições ao Governo do Estado. Segundo Russi, não há qualquer confirmação oficial sobre a possível composição. Ele relatou que as informações chegaram apenas por meio de comentários de bastidores e da repercussão na imprensa. “De forma oficial, eu não ouvi nada nesse sentido. O que existe são conversas informais, comentários na imprensa e no meio político. A própria Janaina me negou que tenha esse interesse, e ela é a pessoa mais indicada para falar sobre isso”, declarou. A especulação ganhou força após notícia divulgada pelo portal MidiaNews, apontando que uma articulação política estaria sendo construída com apoio dos empresários Eraí Maggi e Blairo Maggi. O objetivo seria fortalecer o projeto eleitoral do grupo político e, ao mesmo tempo, abrir caminho para a reeleição ao Senado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD). Max Russi, no entanto, ressaltou que não participa de qualquer construção nesse sentido. Ele também assegurou que o Podemos, legenda à qual irá se filiar e assumir a presidência em Mato Grosso a partir de 7 de março, não está envolvido em tratativas para eventual composição de chapa. “Não sei se é vontade de alguns setores políticos do Estado ou se realmente existe uma construção maior. Se houver, posso garantir que eu não estou participando, nem o partido do qual passarei a fazer parte”, afirmou. Apesar de comentários sobre uma possível afinidade política entre Pivetta e Janaina, a eventual aliança é vista como complexa. Nos últimos meses, a deputada tem se posicionado como uma das principais vozes críticas à gestão do governador Mauro Mendes (União), considerado o principal apoiador da pré-candidatura de Pivetta ao Executivo estadual. O próprio governador já declarou à imprensa que considera pouco provável a formação de uma chapa com Janaina como vice. Enquanto isso, o cenário segue marcado por especulações e movimentações de bastidores, sem qualquer anúncio oficial sobre a composição eleitoral.
Senado aprova projeto de Wellington Fagundes que cria política nacional para resgate e manejo de animais em desastres
O Plenário do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25/02) o Projeto de Lei de autoria do senador Wellington Fagundes (PL/MT), que institui a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar). A proposta estabelece normas nacionais para proteção, resgate, acolhimento, manejo e destinação de animais domésticos e silvestres afetados por emergências, acidentes e desastres ambientais. O texto segue agora para sanção presidencial. A iniciativa cria um marco legal que padroniza protocolos e define responsabilidades entre União, estados, municípios e empreendedores, integrando a proteção animal às ações de defesa civil e gestão de riscos. O objetivo é garantir respostas coordenadas, evitar improvisos e ampliar a eficiência das operações em situações de calamidade. Segundo Wellington Fagundes, que é pré-candidato ao governo de Mato Grosso, a aprovação representa um avanço na consolidação de políticas públicas permanentes. “Não é apenas uma pauta de proteção animal. Estamos falando de valores, de saúde pública e de respeito à vida. Proteger os animais também significa prevenir zoonoses, evitar abandono e promover equilíbrio sanitário e social”, afirmou. Embora o foco da proposta seja o resgate e manejo em situações de emergência, o senador destacou que o crescimento de casos envolvendo animais no país reforça a necessidade de políticas estruturadas. Dados mencionados por ele, com base no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontam que os processos por maus-tratos passaram de 245, em 2020, para 4.919 em 2025 — aumento superior a 1.900%. Em Mato Grosso, apenas no primeiro semestre recente, foram registrados mais de 200 casos, crescimento superior a 36% em relação ao período anterior. A matéria foi relatada pelo senador Plínio Valério (PSDB/AM), que ressaltou a relevância da proposta diante de desastres recentes que evidenciaram lacunas normativas na proteção da fauna. “É inegável a relevância e a atualidade da proposição”, afirmou em parecer, defendendo a integração da proteção animal às políticas ambientais, de defesa civil e de segurança de barragens. Entre os principais pontos do texto aprovado está a criação de diretrizes nacionais para o resgate e acolhimento de animais, com exigência de equipes capacitadas, avaliação veterinária, medidas sanitárias e registro de dados para acompanhamento das ações. A proposta também estabelece competências específicas para cada ente federativo, incentivando atuação coordenada em situações emergenciais. O projeto ainda prevê obrigações para empreendedores responsáveis por atividades sujeitas a licenciamento ambiental, que deverão adotar medidas preventivas e reparadoras em caso de desastre, sob pena de responsabilização administrativa e penal. Além disso, promove alterações na legislação ambiental, incluindo a tipificação de crime para quem provocar desastre que prejudique a vida e o bem-estar de animais, e insere a proteção animal na Política Nacional de Segurança de Barragens. O texto reforça que, em operações de emergência, a preservação da vida humana permanece prioritária, assegurando equilíbrio entre a proteção animal e a segurança das equipes de resgate.
Poda emergencial interdita trecho da Rua Cândido Mariano nesta quinta-feira em Cuiabá
Queda de galhos deixou região central sem energia e com semáforos desligados; bloqueio começa às 9h e deve durar cerca de três horas Após a queda de galhos registrada na manhã de quarta-feira (25), que provocou interrupção no fornecimento de energia elétrica e o desligamento de semáforos na região central de Cuiabá, a Prefeitura anunciou a realização de uma ação emergencial de poda de árvores nesta quinta-feira (26). O serviço será executado pela concessionária Energisa e contará com apoio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública. Para garantir a segurança das equipes e da população, a Rua Cândido Mariano será totalmente interditada a partir das 9h, no trecho entre a Rua Barão de Melgaço e a Rua Pedro Celestino, na lateral do Palácio Alencastro, sede do Executivo municipal. Durante o período de interdição, o tráfego ficará bloqueado tanto para veículos quanto para pedestres. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em aproximadamente três horas, podendo se estender conforme a complexidade do serviço. A via será liberada imediatamente após o término da poda. Além do bloqueio, não será permitido estacionar ao longo do trecho interditado. A orientação da Prefeitura é para que motoristas busquem rotas alternativas e evitem a região no horário previsto para a intervenção. Segundo o município, a ação tem caráter preventivo e visa evitar novos transtornos, especialmente diante dos riscos causados pela queda de galhos em áreas de grande circulação. A administração municipal também informou que, a princípio, não há previsão de interrupção no fornecimento de energia elétrica, salvo eventual necessidade pontual para garantir a segurança das equipes técnicas.
Operação Tartufo mira facção por comércio ilegal de armas e envio de celulares a presídios em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Tartufo, com foco no desmantelamento de um grupo criminoso investigado por comércio ilegal de armas de fogo e pela introdução clandestina de celulares em unidades prisionais do Estado. A ofensiva é resultado de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que subsidiou a expedição de oito ordens judiciais pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) da Comarca de Cuiabá. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e em um galpão localizados em Cuiabá e Várzea Grande. As apurações começaram em 2023 e revelaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre os integrantes e atuação articulada dentro e fora do sistema penitenciário. Segundo a investigação, o principal alvo coordenava a venda ilegal de armamentos — entre pistolas e espingardas — e também gerenciava a logística para envio de celulares ao interior da Penitenciária Central do Estado (PCE). Outro investigado era responsável pelo transporte e ocultação dos aparelhos eletrônicos, enquanto um terceiro suspeito, mesmo preso, exercia papel de liderança dentro da unidade, apontado como integrante de facção criminosa com influência direta em seu raio de atuação no presídio. Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o uso de um drone sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O equipamento, adaptado com uma garra para transporte de objetos, teria realizado ao menos 67 voos, vários deles sobre a Penitenciária Central e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em horários compatíveis com apreensões de materiais ilícitos nas unidades. De acordo com o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelo caso, o trabalho investigativo envolveu análise de dados, monitoramento, inteligência policial e técnicas forenses especializadas ao longo de mais de dois anos. “Foi possível identificar um grupo que atuava de maneira discreta, com linguagem codificada, veículos adaptados com compartimentos ocultos e uso de tecnologia para evitar detecção”, afirmou. As prisões preventivas foram decretadas com base na garantia da ordem pública e na necessidade de assegurar a instrução criminal, com parecer favorável do Ministério Público. As buscas ocorreram em quatro residências e em um imóvel comercial ligado aos investigados. A operação contou ainda com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE). As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear o fluxo financeiro da organização e apurar a origem e o destino das armas comercializadas. Os investigados devem responder por comércio ilegal de arma de fogo, introdução clandestina de aparelho telefônico em estabelecimento prisional e integração à organização criminosa. O nome da operação, “Tartufo”, termo italiano que remete a algo escondido sob a terra, faz referência à forma velada de atuação do grupo, que buscava manter as atividades ilícitas longe da visibilidade das autoridades.
Polícia Civil deflagra 2ª fase da Operação Midnight contra facção envolvida em homicídio e ocultação de cadáver em São José do Xingu
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a segunda fase da Operação Midnight, com o cumprimento de 14 ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa investigada por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver no município de São José do Xingu. As determinações, expedidas pela Terceira Vara Criminal de Porto Alegre do Norte, incluem seis mandados de prisão — sendo três preventivas e três temporárias —, quatro mandados de busca e apreensão domiciliar e quatro quebras de sigilo telefônico. As diligências são realizadas em São José do Xingu, Porto Alegre do Norte e Água Boa. Os alvos são apontados como responsáveis pela morte de Marcos José Vieira Lima, conhecido como “Borel”, ocorrida em 25 de agosto de 2025. Conforme as investigações, a vítima teria sido submetida a um chamado “tribunal do crime”, prática comum em organizações criminosas, após ser acusada de traição interna. De acordo com a apuração policial, Marcos foi atraído até uma residência utilizada como ponto de apoio da facção sob o pretexto de consumo de entorpecentes. No local, após uma videochamada com lideranças do grupo, a execução teria sido autorizada. A motivação estaria relacionada a um episódio anterior, em que a vítima e uma liderança teriam participado de tortura contra outra pessoa, fato que resultou na prisão e condenação de ambos. Após o assassinato, o corpo teria sido transportado em uma motocicleta e ocultado em local ainda não identificado. Mesmo sem a localização do cadáver, a Polícia Civil afirma ter reunido provas suficientes para comprovar o homicídio e a participação de pelo menos seis envolvidos. As investigações tiveram início um dia após o crime, com a primeira fase da operação, e se estenderam por cerca de seis meses. Segundo o delegado responsável pelo caso, Onias Estevam Pereira Filho, a análise de dados telefônicos, relatórios técnicos, diligências de campo e depoimentos testemunhais foram fundamentais para consolidar o conjunto probatório apresentado ao Ministério Público e ao Judiciário. Além do homicídio, o grupo também é investigado por utilizar ações de assistencialismo como estratégia para ampliar sua influência na região. Entre as práticas identificadas está a distribuição de cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de fortalecer a imagem da facção e cooptar apoio comunitário. A Operação Midnight integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 e faz parte da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em todo o Estado.
PL Nacional reforça articulação estratégica e consolida Wellington Fagundes como liderança central em Mato Grosso
Em reunião realizada nesta quarta-feira, na sede do PL Nacional, em Brasília, a cúpula do partido reuniu governadores, senadores, deputados federais e estaduais para aprofundar o debate sobre o cenário político nacional e alinhar a organização da pré-campanha nos estados. O encontro teve como foco principal a construção estratégica do projeto político da legenda, com definição de diretrizes, fortalecimento das lideranças regionais e estruturação de apoio jurídico e de comunicação para o próximo ciclo eleitoral. Durante a reunião, o líder no Senado, Rogério Marinho, destacou a importância da organização interna e da responsabilidade política na condução da pré-campanha. Segundo ele, cada estado terá um planejamento específico, obedecendo critérios técnicos e ouvindo as lideranças regionais. Flávio Bolsonaro reforçou que o partido oferecerá suporte estruturado às campanhas estaduais, com acompanhamento jurídico, orientação estratégica e mecanismos de enfrentamento à desinformação, garantindo segurança política e liberdade para o debate democrático. Mato Grosso em posição estratégica Entre os estados já com encaminhamentos consolidados, Mato Grosso foi citado como exemplo de articulação organizada e liderança definida. O nome do senador Wellington Fagundes foi destacado como principal referência do partido no estado. Reconhecido pela direção nacional pela sua capacidade de diálogo, construção política e experiência acumulada ao longo dos anos, Wellington surge como peça central na coordenação das estratégias do PL em Mato Grosso. Sua atuação no Senado e sua trajetória de articulação institucional reforçam seu protagonismo dentro da legenda. Com trânsito político consolidado, Wellington Fagundes se posiciona como liderança estratégica para conduzir o projeto do partido no estado, dialogando com bases regionais, fortalecendo alianças e estruturando o planejamento eleitoral. Alinhamento nacional O encontro em Brasília consolidou o alinhamento estratégico do PL em nível nacional, reforçando a organização interna e a valorização das lideranças estaduais como pilares da construção política do partido para o próximo ciclo eleitoral. Em Mato Grosso, o protagonismo de Wellington Fagundes ficou evidenciado como fator de estabilidade, articulação e coordenação, sinalizando que o estado terá papel relevante dentro da estratégia nacional da legenda.
ALMT confirma instalação da CPI da Saúde para investigar contratos da SES entre 2019 e 2023
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) vai instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar supostas irregularidades em contratos e procedimentos licitatórios da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT). A decisão foi anunciada pelo presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), durante sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (25), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral do Legislativo quanto à legalidade da criação da comissão. O parecer técnico analisou questionamentos apresentados por lideranças partidárias que pediam a impugnação da CPI e concluiu que os requisitos regimentais foram cumpridos. Com isso, o presidente indeferiu o pedido contrário à instalação e estabeleceu prazo improrrogável de cinco dias úteis para que os blocos parlamentares indiquem seus representantes. Segundo Russi, embora o Regimento Interno permita à Presidência fazer as indicações diante da omissão das lideranças, a condução inicial será pautada pelo diálogo e pelo respeito à proporcionalidade partidária. Caso o prazo não seja atendido, a Mesa Diretora poderá adotar as providências previstas nas normas internas. Autor do requerimento que originou a comissão, o deputado Wilson Santos (PSD) defendeu a imediata instalação dos trabalhos, argumentando que o prazo regimental já foi superado desde a publicação do ato de criação da CPI, no início do mês. Ele afirmou que pretende disputar a presidência do colegiado e que as primeiras medidas deverão incluir a definição de cronograma, requisição de documentos e oitivas técnicas. A investigação abrangerá fatos ocorridos entre 2019 e 2023 e tem como pano de fundo desdobramentos da Operação Espelho, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), vinculada à Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC). A apuração policial levantou suspeitas relacionadas a contratos e pagamentos na área da saúde pública estadual. Durante visita institucional ao Parlamento, o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), Sérgio Ricardo, declarou apoio à iniciativa e informou que o órgão colocará relatórios técnicos e dois auditores à disposição da CPI. Entre os pontos que deverão ser analisados estão pagamentos realizados sem processo licitatório formal e despesas indenizatórias, com avaliação sobre a legalidade e a necessidade dos atos administrativos. Na mesma sessão, os deputados apreciaram 23 proposições. Dezesseis foram aprovadas, duas receberam pedido de vista e uma foi retirada de pauta. Entre os projetos aprovados está o PL 107/2026, que concede isenção da Taxa de Segurança Contra Incêndio à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), além do PL 61/2026, que trata da estadualização de trecho rodoviário no município de Nobres.
Mato Grosso e a face escancarada do machismo
Artigo – Mato Grosso figura, reiteradamente, entre os estados com índices alarmantes de violência contra a mulher e feminicídio. Os números divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública escancaram uma realidade que não pode mais ser tratada como estatística fria: trata-se de vidas interrompidas, famílias devastadas e mulheres que vivem sob ameaça constante. Mas há uma face ainda mais silenciosa — e igualmente cruel — dessa violência: a perseguição política contra mulheres que ousaram ocupar espaços de poder. Quando uma mulher conquista um cargo público pelo voto popular, o que deveria ser motivo de celebração democrática transforma-se, muitas vezes, em palco de ataques pessoais, difamações e calúnias. Em Mato Grosso, esse movimento tem se tornado recorrente. Questiona-se sua capacidade antes mesmo de avaliar seu trabalho. Julga-se sua postura antes de analisar suas propostas. Ataca-se sua vida pessoal quando faltam argumentos contra sua atuação pública. Até onde impera o machismo? Que tipo de formação social ainda alimenta homens que se julgam superiores, que acreditam ter autoridade natural sobre o corpo, a voz e a trajetória das mulheres? O mundo mudou de fato ou apenas aprendemos a maquiar velhas estruturas com discursos modernos? Vivemos um tempo de aparente avanço. As mulheres estudam mais, ocupam cargos estratégicos, lideram instituições. No entanto, quanto mais visibilidade conquistam, mais resistência enfrentam. A violência que antes era restrita ao ambiente doméstico agora transborda para os plenários, para as redes sociais, para os bastidores do poder. É preciso nomear o que está acontecendo: não se trata de divergência política — isso é parte legítima da democracia. Trata-se de violência política de gênero. É o uso sistemático da desqualificação moral como arma. É a tentativa de silenciar pela humilhação. É a estratégia de enfraquecer pela exposição. É o velho método de manter mulheres “no seu lugar”. Mas elas não voltarão. Cada mulher que resiste hoje, que enfrenta o tribunal das redes, os ataques velados e as insinuações maldosas, está abrindo caminho para outras. Está ampliando a fronteira do possível. Está mostrando às meninas que é possível ocupar espaços historicamente negados — mesmo que o preço ainda seja alto. A indignação é legítima. O silêncio, não. Não se combate o machismo com complacência. Combate-se com firmeza, com denúncia, com união e, sobretudo, com presença. A presença feminina na política não é concessão — é direito. É conquista. É democracia em sua essência. Se há quem tente desacreditar, há também quem construa. Se há quem ataque, há quem resista. E a resistência, quando coletiva, transforma estruturas. Dias melhores virão — não por ingenuidade, mas por construção. Porque essas mulheres que hoje enfrentam a violência política estão pavimentando um caminho mais justo. Estão plantando respeito onde antes havia silêncio. Estão desafiando estruturas que por séculos pareceram inabaláveis. O machismo não é maior que a história. E a história já começou a mudar. Que o respeito impere. Que a empatia prevaleça. E que a democracia, de fato, seja para todos — e todas. Marcella Magalhães – Jornalista
Prefeitura regulamenta venda de pescado no Praeirinho e garante permanência de comerciantes
A Prefeitura de Cuiabá oficializou a regulamentação da comercialização de pescado na região do Praeirinho ao publicar decreto na edição suplementar da Gazeta Municipal desta terça-feira (24). A medida formaliza o entendimento firmado no mesmo dia entre o Executivo e os 22 comerciantes que atuam no local, além de representantes de secretarias municipais e da Procuradoria-Geral do Município. O novo regramento estabelece parâmetros técnicos e sanitários para que a atividade continue sendo exercida de forma regular, com foco na segurança alimentar e no cumprimento das normas ambientais. Entre as determinações estão a manipulação do pescado em ambiente apropriado, com controle de temperatura, superfícies laváveis e uso exclusivo de materiais lisos, impermeáveis e atóxicos — ficando proibida a utilização de madeira no corte do peixe. Também passa a ser obrigatória a conservação do produto sob temperatura entre 0°C e 4°C, por meio de refrigeração ou acondicionamento em caixas térmicas adequadas. O decreto ainda exige fornecimento de água potável para higienização constante, utilização de avental lavável de cor clara, proteção para os cabelos e recipientes específicos para o descarte de resíduos. A fiscalização ficará sob responsabilidade do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e da Vigilância Sanitária, com atuação orientativa e educativa, sem prejuízo de penalidades em caso de descumprimento das normas. A regulamentação atende ao compromisso assumido pelo prefeito Abilio Brunini durante reunião com os trabalhadores, quando afirmou que não haveria retirada das famílias do Praeirinho, mas sim adequações para garantir condições dignas de trabalho e proteção à saúde pública. Na ocasião, também foi anunciado o encaminhamento de projeto de lei à Câmara Municipal para reconhecer como patrimônio imaterial de Cuiabá o saber tradicional de preparar o peixe e retirar suas espinhas — prática cultural historicamente ligada à identidade local. Com o decreto já em vigor, a atividade passa a ter respaldo jurídico imediato. A próxima etapa será a análise do projeto pelo Legislativo municipal. A expectativa da gestão é consolidar, de forma definitiva, a regularização sanitária e ambiental da venda de pescado no Praeirinho, aliando geração de renda, valorização cultural e cumprimento da legislação vigente.