A CPI do Crime Organizado do Senado, que investiga a atuação de estruturas financeiras ligadas a esquemas de crédito consignado, fundos de investimento e possíveis conexões com organizações criminosas, avançou nesta quarta-feira (25/03) ao ouvir o ex-governador Pedro Taques. Ele foi convocado como testemunha para tratar de denúncias envolvendo o Banco Master, a empresa Capital Consig e operações financeiras relacionadas ao governo de Mato Grosso.
Durante a oitiva, Taques apresentou denúncias com base em dados públicos e movimentações financeiras, apontando que recursos teriam circulado por fundos ligados ao Banco Master e mencionando vínculos com pessoas do entorno do governo estadual, incluindo o filho do governador.
Em outra frente da investigação, Taques afirmou que o Banco Master teria participado da movimentação de cerca de R$ 308 milhões provenientes da devolução de valores relacionados à empresa Oi. Segundo ele, o crédito teria sido negociado com terceiros e, posteriormente, direcionado a fundos de investimento administrados pela instituição — de onde os recursos teriam seguido para empresas ligadas a pessoas do entorno do governo estadual, incluindo familiares do governador Mauro Mendes.
“Os fundos passam por estruturas que chegam a pessoas ligadas ao governo, como o filho do governador, a primeira-dama e outros envolvidos. O governador tem que responder isso não é para mim, é para a Justiça”, afirmou Taques.
Ele também citou a Oi, a Reag e apontou possíveis conexões com estruturas investigadas por lavagem de dinheiro, com menções inclusive ao PCC. Taques afirmou ainda que fundos de investimento vêm sendo utilizados como mecanismos complexos de circulação de recursos, o que, segundo ele, exige maior fiscalização por parte dos órgãos competentes.
Diante da gravidade das declarações, o senador e pré-candidato Wellington Fagundes (PL-MT) destacou que o momento exige cautela, especialmente por se tratar de um cenário pré-eleitoral em Mato Grosso. “Isso não pode ficar na falácia, isso tem que ser esclarecido”, afirmou.
Wellington também avaliou que os elementos apresentados indicam conexões entre as operações investigadas. “Tudo isso parece uma teia ligada a esse esquema do Banco Master”, ressaltou.
O senador defendeu a quebra de sigilo dos envolvidos como medida essencial para o avanço das investigações. “Não tem outra forma que não seja a quebra de sigilo, para que a gente possa dar satisfação e mostrar a verdade, doa a quem doer.”
Ele ressaltou que as denúncias precisam ser comprovadas. “Quem está fazendo as denúncias tem que provar, tem que apresentar os documentos.”

