Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá começou a gerar ruídos dentro da base do prefeito Abilio Brunini (PL). O vereador Dilemário Alencar (União), líder do Executivo no Legislativo, criticou publicamente a postura do prefeito ao sugerir que ele desistisse da candidatura para viabilizar a reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL).
Segundo Dilemário, a manifestação de Abilio, feita de forma pública, foi interpretada como desrespeitosa e prejudicial ao diálogo político dentro da Casa.
Crítica direta à postura do Executivo
Ao comentar o episódio, o vereador afirmou que o prefeito ultrapassou o limite ao tratar do tema fora do ambiente interno da Câmara.
“O prefeito usou microfones para falar de um assunto que envolve propósitos legítimos de quem aspira ser presidente da Câmara. Entendo que houve desrespeito não apenas comigo, mas também com outros vereadores”, declarou.
Dilemário destacou ainda que a forma como o assunto foi conduzido dificulta a construção de alternativas por meio do diálogo.
Autonomia do Legislativo em debate
Mesmo sendo líder do prefeito, o parlamentar reforçou que a escolha da Mesa Diretora é uma atribuição exclusiva dos vereadores.
“Quem define o presidente da Câmara são os 27 vereadores. Não cabe ao Executivo interferir nesse processo”, pontuou.
Ele também ressaltou sua independência política:
“Sou líder do prefeito, mas não sou alienado.”
Experiência e defesa do diálogo
Em seu quarto mandato, Dilemário afirmou que sua atuação sempre foi pautada pelo diálogo entre base, oposição e vereadores independentes — modelo que pretende manter caso seja eleito presidente da Casa.
Relação política em teste
O posicionamento chama atenção pelo histórico recente do parlamentar, que desde janeiro de 2025 atua como líder do Executivo na Câmara.
Nesse período, Dilemário foi responsável por:
- Defender a gestão municipal no plenário
- Articular a aprovação de projetos do Executivo
- Mediar o relacionamento entre Prefeitura e vereadores
Apesar disso, agora vê seu nome não ser priorizado pelo prefeito na disputa interna.
Prefeito pode opinar, diz vereador — mas com limites
Dilemário reconheceu que o prefeito tem legitimidade para manifestar apoio político, mas ressaltou que isso deve ser feito com cautela.
“É natural que o chefe do Executivo tenha preferência em uma eleição dessa natureza. Mas é preciso agir com equilíbrio e respeito”, afirmou.
Candidatura mantida e cenário aberto
Mesmo diante do cenário, o vereador garantiu que seguirá na disputa pela presidência da Câmara.
“Com ou sem reeleição, para mim nada muda. Continuo firme na minha candidatura, dialogando com os vereadores”, disse.
Ele também afirmou que votaria favoravelmente a uma eventual mudança no regimento interno que permita a reeleição de Paula Calil, caso a proposta seja levada ao plenário.
Disputa pela Mesa Diretora
A eleição da Mesa Diretora está marcada para o dia 25 de agosto, com posse em 1º de janeiro de 2027, para o biênio 2027/2028.
Atualmente, estão no páreo:
- Dilemário Alencar (União)
- Ilde Taques (Podemos)
- E a possível candidatura de Paula Calil (PL), caso seja aprovada a reeleição
Para viabilizar a recondução da atual presidente, será necessária a aprovação de mudança no Regimento Interno, com apoio mínimo de 18 vereadores.
Sinal de alerta na base
O episódio evidencia um momento de tensão dentro da base do prefeito na Câmara e levanta questionamentos sobre o nível de alinhamento político entre Executivo e Legislativo.
Debate segue aberto
A disputa pela presidência da Câmara ainda está em fase inicial, mas já demonstra que o processo será marcado por articulações intensas e possíveis reconfigurações políticas nos próximos meses.


