O ano de 2026 começou com forte desempenho econômico em Mato Grosso, impulsionado principalmente pelos setores de comércio e serviços. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as vendas do varejo ampliado cresceram 9,1% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado, consolidando a trajetória de recuperação iniciada na segunda metade de 2025.
O ritmo de expansão também foi observado na comparação mensal. Em relação a dezembro, o comércio estadual avançou 3,6%, resultado superior à média nacional, que ficou em 0,9%. O cenário reforça o aquecimento da atividade econômica e a confiança do consumidor mato-grossense.
Outro destaque foi o setor de serviços, que apresentou crescimento expressivo de 44,8% em relação a janeiro de 2025, desempenho muito acima do índice nacional. A recuperação do segmento ocorre após um início de ano anterior mais fraco, indicando retomada consistente nos últimos meses.
O bom momento da economia tem reflexos diretos no mercado de trabalho. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o estado gerou 18.731 empregos formais apenas em janeiro. A agropecuária liderou a criação de vagas, seguida pelos serviços, enquanto o comércio também registrou saldo positivo — movimento incomum para o início do ano.
A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, estimada em 2,4%, conforme o IBGE. Já a renda média do trabalhador chegou a R$ 3.894, com crescimento anual de 5,1%. Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso (FCDL-MT), David Pintor, esse conjunto de fatores fortalece o consumo e sustenta a expansão do varejo.
Apesar do cenário favorável, o avanço da inadimplência surge como ponto de atenção. Informações do Banco Central do Brasil indicam que a taxa de atrasos em pagamentos entre pessoas físicas no estado subiu de 5,0% para 6,6% entre julho de 2025 e janeiro de 2026. O aumento ocorre em meio à ampliação do crédito, que cresceu 7,9% no período e já representa mais de 70% das operações no estado.
A combinação de maior acesso ao crédito e crescimento da renda ajuda a explicar o consumo aquecido, mas também eleva o risco de endividamento das famílias. Especialistas avaliam que esse fator pode impactar o ritmo da economia nos próximos meses, exigindo cautela de consumidores e empresários.
Para o restante do ano, a expectativa gira em torno de uma possível redução da taxa básica de juros, o que tende a estimular ainda mais o consumo e os investimentos, embora de forma gradual. No campo, a projeção do Ministério da Agricultura e Pecuária aponta faturamento de R$ 196,2 bilhões em 2026. Mesmo com leve retração em relação ao ano anterior, o agronegócio segue como um dos principais pilares da economia mato-grossense.
Com indicadores robustos e geração de empregos em alta, Mato Grosso mantém posição de destaque no cenário nacional. Ainda assim, o desafio será equilibrar crescimento com controle do endividamento, garantindo a sustentabilidade desse ciclo positivo.


