A Polícia Judiciária Civil deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Iacobus 3:5 para desarticular um grupo responsável por ataques virtuais sistemáticos contra moradores de Confresa. A ação tem como foco o cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências ligadas a perfis anônimos utilizados para disseminar ofensas, ameaças e extorsões nas redes sociais.
As investigações começaram em março deste ano, após denúncias de vítimas que tiveram a honra e a intimidade expostas em publicações ofensivas no Instagram. Ao todo, pelo menos nove pessoas foram atingidas, entre elas uma adolescente de 14 anos. As postagens incluíam acusações graves, conteúdo de cunho sexual, ataques pessoais e até questionamentos sobre a conduta profissional das vítimas.
Além das ofensas, o grupo também é suspeito de exigir dinheiro para remover as publicações, caracterizando prática de extorsão. Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil solicitou à Justiça a quebra de sigilo de dados, o que permitiu identificar os endereços de IP utilizados nos acessos aos perfis investigados.
Com o avanço das apurações e o cruzamento de informações junto a provedores de internet, os investigadores chegaram a dois endereços na cidade, alvos das buscas realizadas nesta fase da operação. Nos locais, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que passarão por perícia, com o objetivo de coletar provas, como conversas e registros de acesso.

Responsável pelo caso, o delegado Rogério da Silva Irlandes destacou que a operação busca não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também alertar a população sobre os limites legais no ambiente digital. Segundo ele, a falsa sensação de anonimato não impede a identificação dos autores de crimes na internet.
A escolha do nome da operação faz referência a um provérbio que compara o poder destrutivo de pequenas palavras a um incêndio de grandes proporções — uma alusão ao impacto causado pelas publicações feitas pelos investigados.
A operação segue em andamento e os suspeitos poderão responder por crimes como ameaça, calúnia, difamação, injúria e extorsão. Nos casos que envolvem menores de idade, também há previsão de responsabilização por intimidação sistemática, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.


