Carregando...
Cuiabá-MT
00:00:00
$ USD: ...
EUR: ...
Consultando satélites... 🛰️
CUIABÁ
Ícone do Clima --°C --%

Subscribe for Newsletter

Edit Template

PIX E GOLPES DIGITAIS: POR QUE O PREJUÍZO QUASE SEMPRE CAI NO COLO DO CIDADÃO?

O PIX revolucionou a forma como o brasileiro lida com dinheiro. Rápido, gratuito e disponível 24 horas por dia, tornou-se indispensável. Mas, junto com a praticidade, cresceu um problema que ainda é tratado com naturalidade excessiva: a explosão dos golpes digitais.

Hoje, não se trata mais de episódios isolados. Golpes via PIX se tornaram comuns, repetitivos e previsíveis. O que muda é apenas a vítima. O roteiro, quase sempre, é o mesmo: uma transferência fora do padrão do cliente, realizada em poucos minutos, muitas vezes durante a madrugada, seguida de uma resposta automática do banco negando qualquer responsabilidade.

E é justamente aí que mora o problema.

Quando o sistema falha, o cidadão paga

As instituições financeiras conhecem profundamente o comportamento de seus clientes. Sabem quanto movimentam, para quem transferem, em quais horários e com qual frequência. Quando ocorre uma sequência de operações totalmente atípicas, ignorar esse sinal não é normal, é falha.

Mesmo assim, a justificativa costuma ser simples e padronizada: “a operação foi realizada com uso de senha”. Como se isso, por si só, fosse suficiente para afastar qualquer dever de cuidado.

O próprio Banco Central do Brasil, ao estruturar o sistema PIX, estabeleceu diretrizes claras de segurança, rastreabilidade e prevenção a fraudes. Isso demonstra que a proteção do usuário não é opcional, nem um favor institucional. É parte do risco da atividade bancária.

A inversão perigosa da responsabilidade

Não é razoável exigir vigilância absoluta do cidadão comum enquanto sistemas altamente sofisticados operam sem barreiras eficazes contra fraudes evidentes. A lógica atual é desequilibrada: a tecnologia é instantânea para transferir o dinheiro, mas lenta ou inexistente para impedir o golpe.

Quando o banco falha em detectar ou bloquear uma movimentação claramente fora do perfil do cliente, empurrar automaticamente o prejuízo para a vítima é inverter a lógica da responsabilidade. Golpe não pode ser tratado como sinônimo de culpa.

O que o consumidor raramente é informado

Poucos sabem, mas: Bancos têm dever legal de segurança; nem toda fraude decorre de descuido do cliente; operações atípicas deveriam gerar alertas ou bloqueios preventivos; a negativa inicial da instituição não encerra o direito do consumidor; cada caso precisa ser analisado de forma concreta, e não automática.

Aceitar o prejuízo como algo inevitável é normalizar falhas sistêmicas.

Tecnologia exige responsabilidade

Inovação não pode ser defendida apenas quando aumenta a eficiência e o lucro. Se o sistema é moderno para movimentar valores em segundos, também precisa ser moderno para proteger em segundos. Caso contrário, o chamado avanço tecnológico se transforma apenas em transferência de risco.

O crescimento dos golpes digitais via PIX não é apenas um problema criminal. É um problema jurídico e social. O cidadão não pode continuar arcando sozinho com prejuízos causados por sistemas que não controla.

Quando há desequilíbrio entre poder econômico e vulnerabilidade do consumidor, cabe ao Direito reequilibrar a relação.

Tecnologia sem responsabilidade não é inovação. É empurrar o prejuízo para quem menos pode suportá-lo.

 

Diogo Fernandes

Advogado – Proprietário do escritório Diogo Fernandes Advocacia
Colunista em Justiça & Sociedade – MT Urgente

Explorar Tópicos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre nós

sobre mt urgente news

O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.

Você pode ter perdido

  • All Posts
  • advogado
  • Agro/Economia
  • Coluna Alex Rabelo
  • Cuiabá
  • Destaques
  • diogo fernandes
  • Esporte
  • Famosos
  • justica
  • Justiça & Sociedade
  • Notícias
  • Policial
  • Politica -MT
  • Saúde
  • Saúde e bem estar
    •   Back
    • Mato Grosso