A Polícia Civil de Mato Grosso intensificou o enfrentamento aos crimes ambientais com a deflagração da Operação Redeiros 2, coordenada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema). A ação dá continuidade a uma estratégia investigativa estruturada, com foco na desarticulação de grupos criminosos que exploram de forma ilegal os recursos naturais do Pantanal mato-grossense.
Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal. As diligências ocorrem principalmente no município de Barão de Melgaço, considerado um dos principais polos pesqueiros da região pantaneira, além do cumprimento de um mandado em Cuiabá.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Capital, após representação da Dema e parecer favorável do Ministério Público Estadual.

As investigações apontam que os suspeitos atuam de forma organizada na captura, armazenamento e comercialização clandestina de espécies nativas, utilizando redes e tarrafas — equipamentos proibidos pela legislação ambiental. O esquema criminoso envolveria ainda a distribuição irregular de pescado tanto na região do Pantanal quanto em Cuiabá.
De acordo com a delegada titular da Dema, Liliane Murata, o objetivo da operação é aprofundar as investigações e interromper toda a cadeia ilegal.
“Com o cumprimento dos mandados, buscamos apreender apetrechos ilegais de pesca, estoques de pescado irregular, materiais de acondicionamento e novos elementos que permitam avançar nas investigações sobre a rede de distribuição desse produto ilícito”, afirmou.
Os investigados poderão responder por crimes previstos na Lei nº 9.605/1998, que trata de crimes ambientais, além de associação criminosa.
Importância ambiental
Localizado às margens da Baía de Chacororé e do Rio Cuiabá, o município de Barão de Melgaço possui grande relevância ecológica e turística dentro do Pantanal. A região abriga diversas espécies nativas, como jaú, pintado e pacu, frequentemente alvo da pesca ilegal, prática que causa impactos significativos ao equilíbrio ambiental.
Apesar do período de defeso ter sido encerrado em 31 de janeiro de 2026, segue em vigor a Lei nº 12.197/2023, conhecida como Lei do Transporte Zero, que impõe restrições permanentes ao transporte e à comercialização de espécies nativas de água doce no estado.
A operação conta com o apoio da Diretoria de Atividades Especiais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e do Juizado Volante Ambiental (Juvam), reforçando a atuação integrada no combate aos crimes ambientais em Mato Grosso.



