Tribunal de Justiça rejeita recurso da Assembleia Legislativa e confirma que votações sobre vetos do Executivo devem ocorrer de forma aberta, garantindo acesso da população ao posicionamento dos parlamentares. A tentativa da Assembleia Legislativa de restabelecer o voto secreto nas deliberações sobre vetos do Poder Executivo sofreu mais um revés na Justiça. Em decisão recente, o Tribunal de Justiça manteve o entendimento que determina a publicidade dos votos dos parlamentares nesses processos, reforçando o princípio da transparência na atuação do Legislativo. A Casa Legislativa havia recorrido da decisão anterior, alegando supostas falhas processuais que, em sua avaliação, justificariam a revisão do entendimento. No entanto, os desembargadores rejeitaram os argumentos apresentados e concluíram que não havia elementos capazes de modificar a decisão já proferida. Com isso, permanece a obrigação de que as votações relacionadas à manutenção ou derrubada de vetos governamentais sejam realizadas de forma aberta, permitindo que a sociedade acompanhe o posicionamento individual de cada deputado estadual. A decisão fortalece o entendimento de que a publicidade dos atos legislativos é um instrumento essencial para o controle social e para a prestação de contas dos representantes eleitos. Na prática, o resultado assegura que os cidadãos tenham acesso às informações sobre como seus representantes atuam em matérias de interesse público. Com o novo posicionamento judicial consolidado, a Assembleia Legislativa deverá seguir adotando o voto aberto nas análises de vetos do Executivo, encerrando mais um capítulo da discussão sobre os limites entre a autonomia parlamentar e o dever de transparência perante a sociedade.
Mato Grosso lidera avanço da pecuária e registra maior crescimento no abate bovino do Brasil
Estado ampliou em 8,1% o volume de bovinos abatidos no primeiro trimestre de 2026, mantendo a liderança nacional e respondendo por 17,5% da produção brasileira. Mato Grosso consolidou sua posição como principal potência da pecuária brasileira ao registrar o maior crescimento absoluto no abate de bovinos do país no primeiro trimestre de 2026. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Estado ampliou em 135,11 mil cabeças o número de animais abatidos em comparação com o mesmo período do ano passado, representando um avanço de 8,1%. O desempenho mato-grossense foi decisivo para o resultado nacional. No período, o Brasil contabilizou aumento de aproximadamente 326,28 mil cabeças abatidas, impulsionado pelo crescimento observado em 21 das 27 unidades da federação. Além de Mato Grosso, os destaques positivos ficaram com São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul e Bahia. Mesmo com o avanço de outros estados, Mato Grosso segue na liderança do setor, sendo responsável por 17,5% de todo o abate bovino realizado no país entre janeiro e março deste ano. São Paulo aparece na segunda posição, com 11,6% de participação, seguido por Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%. O levantamento também reforça a força da região Centro-Oeste na produção pecuária nacional. A região concentrou 36% de todo o abate bovino do Brasil no trimestre, mantendo ampla vantagem sobre o Norte, Sudeste, Sul e Nordeste. Para a secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Linacis Lisboa Vogel, os números refletem a eficiência da cadeia produtiva mato-grossense e sua relevância para a economia estadual e para o abastecimento dos mercados nacional e internacional. Segundo ela, o crescimento registrado no início do ano demonstra a competitividade do setor e reforça o papel estratégico de Mato Grosso na pecuária brasileira, atividade que segue como um dos principais motores do desenvolvimento econômico do Estado.
Operação Throw mira facção ligada ao tráfico interestadual e cumpre 34 mandados em Cuiabá e Várzea Grande
Ação da Polícia Civil atinge núcleo criminoso envolvido com distribuição de drogas, lavagem de dinheiro e movimentação de recursos por empresas de fachada. A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (17), a Operação Throw, uma ampla ofensiva contra uma organização criminosa envolvida com o tráfico interestadual de drogas e atuação na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande. Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de prisão preventiva, 16 de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de contas bancárias e sequestro de veículos de luxo utilizados pelo grupo. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, após representação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), responsável pelas investigações que identificaram a estrutura e o funcionamento da organização. As apurações tiveram início em julho de 2023, após uma operação realizada em uma chácara no bairro Sol Nascente, em Cuiabá. Na ocasião, policiais localizaram cerca de 100 quilos de maconha escondidos em barris enterrados e efetuaram a prisão de dois suspeitos. A partir desse flagrante, a investigação avançou e revelou uma rede criminosa com atuação estruturada e divisão de funções. Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma cadeia organizada para o recebimento, armazenamento, transporte e distribuição de entorpecentes para diferentes estados do país. As remessas eram realizadas semanalmente e contavam com integrantes responsáveis pela logística, contabilidade, segurança armada e coordenação das atividades ilícitas. Em um dos episódios apurados, os investigados chegaram a negociar a entrega de drogas no estacionamento do Fórum de Cuiabá. Além do tráfico, a organização é suspeita de movimentar recursos ilícitos por meio de um esquema de lavagem de dinheiro. As investigações identificaram o uso de contas bancárias de terceiros e de empresas de fachada criadas para ocultar a origem dos valores obtidos com a comercialização de drogas. Para o delegado da Denarc, Marcelo Miranda Muniz, a operação representa o resultado de um trabalho investigativo minucioso que permitiu individualizar a participação de cada integrante da organização. A expectativa é que as medidas judiciais contribuam para interromper as atividades criminosas e enfraquecer a estrutura financeira do grupo. As diligências seguem em andamento e novas fases não estão descartadas. A Polícia Civil busca identificar outros envolvidos, ampliar o rastreamento financeiro e reunir elementos que reforcem os processos criminais decorrentes da investigação. A Operação Throw integra o planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da Operação Pharus, vinculada ao Programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em Mato Grosso. A ação também faz parte da sexta fase da Operação Narke, coordenada pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.