Ao oficializar sua pré-campanha em Cuiabá, ex-governador afirma que o país precisa endurecer a legislação, defende responsabilização de autoridades e apresenta propostas voltadas à segurança pública e à administração pública. O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, oficializou na noite desta terça-feira (23), em Cuiabá, sua pré-candidatura ao Senado Federal. Durante o evento, realizado no Vivans Complexo de Eventos, ele destacou a necessidade de uma ampla revisão da legislação brasileira, defendendo regras mais rígidas tanto para a segurança pública quanto para a administração pública. Ao lado da esposa, Virginia Mendes, que também lançou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, Mauro afirmou que pretende levar ao Congresso Nacional a experiência adquirida ao longo de sua trajetória na gestão pública. Segundo ele, resultados obtidos durante sua administração estadual demonstram a importância de regras claras e de uma atuação mais eficiente do poder público. Entre as realizações citadas pelo ex-governador estão a concessão da BR-163, o avanço na construção de hospitais estaduais e a recuperação fiscal de Mato Grosso. Para Mendes, o fortalecimento das leis é fundamental para garantir maior segurança jurídica e melhorar a prestação de serviços à população. Durante seu discurso, o pré-candidato também defendeu mudanças no funcionamento do sistema judiciário brasileiro. Na avaliação dele, é necessário delimitar com mais clareza as atribuições das instituições e assegurar que todos os agentes públicos estejam sujeitos às mesmas regras e responsabilidades previstas em lei. Mauro ressaltou ainda que pretende utilizar o período de pré-campanha para percorrer o Estado, ouvir a população e debater temas relacionados ao papel do Senado Federal e da Câmara dos Deputados na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento de Mato Grosso. O evento reuniu lideranças políticas, autoridades estaduais, representantes de diversos setores e apoiadores. Entre os presentes estavam o governador Otaviano Pivetta, o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e o secretário estadual de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira. Após deixar o comando do Executivo estadual no fim de março para cumprir os prazos da legislação eleitoral, Mauro Mendes afirmou que utilizou os últimos meses para se dedicar à vida pessoal e empresarial. Agora, segundo ele, inicia uma nova etapa de diálogo com a sociedade mato-grossense visando as eleições de 2026.
Cinemato bate recorde de inscrições e transforma Cuiabá na capital do cinema brasileiro
Com 598 filmes inscritos de todo o país, festival chega à 23ª edição celebrando a diversidade do audiovisual nacional, homenageando Amauri Tangará e promovendo debates sobre migração, mudanças climáticas e direitos humanos. O Festival de Cinema de Cuiabá (Cinemato) alcança um marco histórico em sua 23ª edição. Consolidado como um dos mais importantes eventos dedicados ao audiovisual brasileiro, o festival registrou recorde de 598 filmes inscritos, entre curtas e longas-metragens, superando os números da edição anterior e reafirmando sua relevância no cenário cultural nacional. Realizado entre os dias 29 de junho e 5 de julho, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Cinemato reúne produções de 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, evidenciando a diversidade e a força da produção cinematográfica contemporânea. São Paulo lidera o número de obras inscritas, seguido por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Pernambuco. A programação contará com mostras competitivas de curtas e longas-metragens, além da exibição de aproximadamente 50 produções ao longo da semana. Os vencedores serão definidos tanto pelo júri oficial quanto pelo voto popular, recebendo o tradicional Troféu Coxiponé, uma das mais reconhecidas premiações do audiovisual regional. Nesta edição, o festival presta homenagem ao cineasta, dramaturgo e diretor Amauri Tangará, artista que construiu uma trajetória marcada pela valorização das identidades populares e pela contribuição ao desenvolvimento cultural de Mato Grosso. Com mais de cinco décadas dedicadas às artes cênicas e ao audiovisual, Tangará é reconhecido por obras que dialogam com a realidade brasileira e por sua atuação na formação de novos realizadores. Além da programação cinematográfica, o Cinemato amplia sua atuação como espaço de reflexão e formação. Oficinas, seminários, rodas de conversa e encontros com realizadores integram a agenda do evento, fortalecendo o intercâmbio de experiências e incentivando a qualificação profissional no setor audiovisual. O tema escolhido para 2026, “Migração – mobilidade humana e mudanças climáticas”, propõe um debate atual e necessário sobre os deslocamentos populacionais provocados por transformações ambientais, conflitos e desigualdades sociais. A proposta é utilizar o cinema como ferramenta de reflexão sobre pertencimento, diversidade cultural, direitos humanos e os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Criado em 1993, em um período em que Cuiabá contava com apenas uma sala de cinema comercial, o Cinemato nasceu como uma iniciativa de resistência cultural. Ao longo de mais de três décadas, tornou-se referência nacional na formação de público, na democratização do acesso ao cinema e na valorização da produção audiovisual brasileira, revelando talentos e fortalecendo o cinema produzido em Mato Grosso. Com números recordes, programação diversificada e debates conectados às questões contemporâneas, o Cinemato reafirma sua missão de aproximar o público do cinema nacional e consolidar Cuiabá como um dos principais polos de difusão cultural do país.
Ilde reage à articulação de Paula e Dilemário e diz que disputa pela Câmara agora virou uma batalha do prefeito Abilio
A eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá ganhou um novo capítulo e, ao que tudo indica, a disputa deixou de ser apenas entre vereadores e passou a ter um novo personagem no centro das articulações: o prefeito Abilio Brunini (PL). Após a aliança firmada entre a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), e o vereador Dilemário Alencar (União Brasil), o vereador Ilde Taques (PSB) subiu o tom e deixou claro que não pretende recuar da disputa pela presidência do Legislativo. Segundo ele, apesar do jantar realizado na residência de Paula Calil, que reuniu 14 vereadores e selou um acordo político em torno da mudança do Regimento Interno, o grupo ainda está distante dos 18 votos necessários para garantir a reeleição da atual presidente. “Eu comecei com praticamente 18 votos, mas o tabuleiro foi se movimentando. A Paula decidiu disputar e ontem, na reunião, tinha 14 vereadores. De 14 para 18 ainda falta muito chão”, afirmou. Acordo muda o cenário O encontro realizado na casa de Paula Calil definiu uma estratégia clara. Primeiro, o grupo tentará aprovar a mudança do Regimento Interno para permitir a reeleição da atual presidente. Caso isso não aconteça até o dia 15 de julho, o bloco passará a apoiar o nome de Dilemário Alencar para comandar a Câmara. A movimentação surpreendeu Ilde Taques. Segundo ele, o próprio Dilemário entrou em contato após a reunião para comunicar a decisão. “O Dilemário me ligou depois da reunião e disse que fez esse compromisso de votar a mudança do regimento. Caso o regimento não passe, ele seria o candidato daquele grupo. Mas, se não houver mudança de regimento, 14 votos não ganham eleição”, disparou. Nem todos estariam convencidos Apesar da fotografia de unidade apresentada pelo grupo de Paula Calil, Ilde afirma que o cenário interno ainda está longe de estar definido. Segundo ele, existem vereadores dentro do próprio grupo que não concordam automaticamente com a transferência de apoio para Dilemário caso a reeleição de Paula seja inviabilizada. “Converso praticamente toda semana com vereadores daquele grupo. Nem todos concordam que, se a Paula não passar, o Dilemário tenha que ser o candidato. Pelo que sei, há outros vereadores que também querem disputar a presidência.” A declaração mostra que a disputa está longe de terminar e que novas movimentações ainda podem ocorrer até a eleição da Mesa Diretora. O nome de Abilio entra na disputa Mas foi ao falar sobre a participação do prefeito Abilio Brunini que Ilde fez a declaração mais forte. Sem acusar diretamente o chefe do Executivo, o vereador afirmou que diversos colegas relatam uma participação ativa do prefeito nas articulações da eleição interna da Câmara. “Estou com 13 vereadores que deram a palavra e estão cumprindo. A Câmara não é uma secretaria onde se coloca e tira quem quiser. É um parlamento composto por 27 vereadores. Todos têm direito ao voto e a pensar diferente.” Na sequência, fez uma afirmação que chamou atenção nos bastidores. “Ele fala que não interfere, mas a gente fica sabendo pelos colegas que está participando diretamente. Inclusive, parece que ontem ele estava no jantar.” A disputa agora é de quem? As declarações de Ilde acabam reforçando um debate que já circula nos corredores da Câmara. Desde o início da legislatura, vereadores de diferentes grupos vêm apontando uma forte influência do Executivo sobre as decisões do Legislativo. O próprio Abilio já declarou publicamente que existem vereadores trabalhando em um projeto “anti-Abilio”, demonstrando que acompanha de perto a movimentação para a sucessão da Mesa Diretora. Diante dos acontecimentos dos últimos dias, a pergunta que começa a surgir é inevitável: A eleição da Câmara ainda é uma disputa entre vereadores ou se transformou em uma disputa pessoal do prefeito Abilio Brunini para manter influência sobre o Legislativo? Com pouco mais de três semanas para o prazo decisivo da mudança do Regimento Interno, uma coisa parece certa: a eleição da Mesa Diretora promete ser uma das mais disputadas e politicamente tensas dos últimos anos em Cuiabá. Por Alex Rabelo MT Urgente News