Estudo do MapBiomas cruzou dados do Banco Central com informações ambientais e identificou operações em imóveis que possuem sobreposição com áreas sensíveis Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo MapBiomas aponta que o Brasil concedeu R$ 92,4 bilhões em crédito rural público, distribuídos em cerca de 831 mil operações, para propriedades rurais que possuem algum tipo de sobreposição com áreas consideradas ambientalmente sensíveis entre 2019 e 2025. Entre os estados com maior volume de recursos aparece Mato Grosso, que registrou aproximadamente R$ 13,3 bilhões em financiamentos enquadrados nesse levantamento, ficando atrás apenas de Tocantins. O que isso significa? O estudo não afirma que os financiamentos foram concedidos de forma irregular. Na prática, o levantamento mostra que as propriedades financiadas possuem algum tipo de cruzamento geográfico com informações ambientais, como: alertas de desmatamento; áreas com degradação da vegetação nativa; embargos ambientais; terras indígenas; unidades de conservação; comunidades quilombolas; florestas públicas. Esse cruzamento foi realizado utilizando dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor), administrado pelo Banco Central. Ou seja, a pesquisa aponta que esses imóveis apresentam sobreposição com áreas monitoradas, mas cada situação depende de análise individual, já que a existência da sobreposição, por si só, não comprova irregularidade. Mato Grosso entre os maiores volumes O levantamento mostra que os maiores volumes financeiros identificados foram: Tocantins — R$ 13,9 bilhões Mato Grosso — R$ 13,3 bilhões Rondônia — R$ 13 bilhões Já em quantidade de operações, o estado do Piauí lidera o ranking nacional, com aproximadamente 336 mil contratos. Maioria dos recursos foi para investimentos e pecuária Segundo o estudo, cerca de 68% das operações tiveram como finalidade investimentos nas propriedades rurais. A pecuária concentrou 58% dos financiamentos, enquanto: 23% foram destinados à compra de animais; 27% tiveram bovinos como principal atividade financiada. Cinco bancos concentram a maior parte dos financiamentos Embora mais de 400 instituições financeiras operem crédito rural no Brasil, cinco delas concentram aproximadamente 60% dos recursos liberados: Banco do Brasil; Banco do Nordeste; Banco da Amazônia; Sicredi; Banrisul. O levantamento aponta ainda que o Banco do Nordeste concentrou a maior quantidade de operações envolvendo imóveis com sobreposição ambiental, enquanto o Banco do Brasil respondeu pelo maior volume financeiro dessas operações. Mais transparência Segundo o pesquisador do MapBiomas, Paulo Teixeira, esta edição do monitor ampliou significativamente a capacidade de análise ao incorporar dados do Cadastro Ambiental Rural. Com isso, passou a ser possível identificar um número muito maior de operações e acompanhar com mais precisão onde os recursos públicos do crédito rural estão sendo aplicados. O levantamento divulgado pelo MapBiomas deve ser interpretado com cautela. É importante destacar que o estudo não afirma que houve fraude ou concessão ilegal de crédito. O que ele revela é que milhares de financiamentos estão vinculados a propriedades que apresentam algum tipo de sobreposição com bases de dados ambientais. Esse tipo de informação reforça a necessidade de aprimorar os mecanismos de fiscalização e de transparência, principalmente porque o crédito rural é um dos principais instrumentos de incentivo à produção agropecuária brasileira. Para Mato Grosso, maior produtor de grãos e um dos líderes nacionais na pecuária, o desafio continua sendo conciliar crescimento econômico, segurança jurídica ao produtor e preservação ambiental. O debate, portanto, não é apenas sobre liberar ou restringir crédito, mas garantir que os recursos públicos cheguem a quem produz dentro da legislação ambiental vigente, fortalecendo tanto o agronegócio quanto a credibilidade do sistema de financiamento rural brasileiro. Por: Alex RabeloJornalista e Analista Político | MT Urgente News
Carne bovina escapa do tarifaço de Trump e Mato Grosso evita impacto no principal produto exportado aos EUA
Estado exportou quase US$ 190 milhões em carne bovina no primeiro semestre; governo americano isentou mais de 2 mil produtos brasileiros da nova tarifa A carne bovina, principal produto exportado por Mato Grosso para os Estados Unidos, ficou de fora da nova tarifa de 25% anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A decisão representa um alívio para o setor, já que o Estado tem no mercado americano um dos seus principais destinos para a proteína animal. A nova política comercial dos Estados Unidos entra em vigor no dia 22 de julho e prevê a cobrança de uma tarifa adicional sobre diversos produtos brasileiros. No entanto, uma lista com 2.126 itens foi excluída da medida, entre eles a carne bovina. Carne lidera exportações de Mato Grosso para os EUA Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que Mato Grosso exportou US$ 209,5 milhões para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano. Desse total, US$ 189,2 milhões correspondem apenas às exportações de carne bovina, consolidando o produto como o principal item vendido pelo Estado ao mercado norte-americano. Além da carne, Mato Grosso também exporta para os Estados Unidos: Sebo bovino – US$ 10,7 milhões Madeiras tropicais perfiladas – US$ 4,4 milhões Ouro em barras – US$ 2,1 milhões Gelatinas e derivados – US$ 1,7 milhão Castanha-do-pará sem casca – US$ 549 mil O que muda na prática? Na prática, a carne bovina continuará entrando no mercado norte-americano sem sofrer a nova tarifa adicional de 25%. A isenção evita que o produto brasileiro perca competitividade diante de concorrentes internacionais e reduz o risco de impactos imediatos sobre as exportações do setor. Além da carne bovina, também ficaram fora do tarifaço produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, como: Café; Laranja e suco de laranja; Peixes; Couros; Produtos de madeira; Medicamentos; Insumos farmacêuticos. Por que Trump criou a nova tarifa? Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a medida faz parte de uma investigação aberta em 2025 sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil. O governo americano afirma que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e questões ambientais criariam barreiras para empresas dos Estados Unidos. Brasil vai recorrer O governo brasileiro informou que pretende contestar a decisão. Entre as medidas anunciadas estão o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica, além de um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Palácio do Planalto também afirmou que pretende ampliar a abertura de novos mercados internacionais para reduzir a dependência comercial e minimizar eventuais impactos aos setores afetados. Etanol está entre os produtos atingidos Enquanto a carne bovina foi preservada, o mesmo não aconteceu com o etanol. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) criticou a inclusão do biocombustível entre os produtos tarifados e defendeu a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos, argumentando que a decisão aumenta a insegurança comercial e prejudica a cooperação entre os dois países. Nova fábrica em Mato Grosso Em meio ao cenário comercial, Mato Grosso recebeu uma notícia positiva. A empresa norte-americana Sukup Manufacturing confirmou a instalação de uma fábrica de silos em Lucas do Rio Verde. O anúncio foi feito durante reunião entre representantes da empresa e o Governo do Estado, reforçando os investimentos estrangeiros no setor agrícola mato-grossense. Entenda rapidamente Como era? A expectativa era de que diversos produtos brasileiros fossem atingidos pela nova tarifa de 25%. Como ficou? A carne bovina foi incluída na lista de exceções e continuará sendo exportada aos Estados Unidos sem a nova sobretaxa. Quem ganha? Mato Grosso, que tem na carne bovina seu principal produto exportado para o mercado americano. Esse formato facilita a compreensão do leitor ao explicar primeiro o impacto direto para Mato Grosso, depois os motivos da decisão dos Estados Unidos e, por fim, as reações do governo brasileiro e do setor produtivo.
Vai acontecer de novo? Histórico de 2022 faz crescer dúvidas sobre futuro da pré-candidatura de Natasha ao Governo
Mesmo com apoio declarado de aliados, movimentações de Emanuel Pinheiro dentro do PSD reacendem debate sobre uma possível mudança de rumo na disputa estadual A pré-candidata ao Governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD), afirmou que não vê motivos para preocupação diante das articulações do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), que também busca espaço para disputar o Palácio Paiaguás. Em entrevista, Natasha disse confiar na palavra do presidente estadual do partido, senador Carlos Fávaro, e dos partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), que, segundo ela, mantêm o compromisso de apoiar sua candidatura. “Não perco um minuto de sono com essa questão. Tenho o compromisso e a palavra do senador Carlos Fávaro de que serei a candidata ao Governo”, afirmou. Apesar da tranquilidade demonstrada por Natasha, os movimentos internos no PSD chamam atenção dos bastidores políticos. Nos últimos dias, Emanuel Pinheiro intensificou conversas dentro da legenda e passou a ser citado como uma alternativa para disputar o Governo do Estado. Paralelamente, declarações de lideranças do partido, como o deputado estadual Wilson Santos, que evitou confirmar o nome de Natasha como candidata, aumentaram as especulações sobre uma possível disputa interna. Histórico alimenta questionamentos As dúvidas em torno da candidatura de Natasha também são alimentadas pelo que ocorreu nas eleições de 2022. Naquele ano, ela era a escolhida para disputar uma vaga ao Senado pela oposição. No entanto, durante as negociações políticas, acabou abrindo mão da candidatura para que o grupo lançasse Neri Geller. A decisão ocorreu após uma ampla articulação política que envolveu lideranças nacionais, incluindo o então presidente nacional do PSB, Geraldo Alckmin, que participou das conversas para unificar o grupo. Agora, diante das movimentações dentro do PSD, parte dos bastidores políticos volta a levantar uma pergunta: o roteiro de 2022 pode se repetir? Federação mantém apoio público Enquanto isso, lideranças da Federação Brasil da Esperança têm reafirmado publicamente apoio ao nome de Natasha. Entre os que já defenderam sua pré-candidatura estão Rosa Neide, Valdir Barranco e Lúdio Cabral, todos do PT. Segundo Natasha, esse respaldo reforça a segurança do projeto político construído até aqui. Análise política O cenário ainda está distante de uma definição definitiva. Em pré-campanhas majoritárias, é comum que partidos mantenham mais de um nome em discussão enquanto avaliam pesquisas, alianças e o ambiente político antes das convenções. No caso do PSD, Natasha afirma contar com o apoio da direção estadual e da federação. Ao mesmo tempo, a movimentação de Emanuel Pinheiro demonstra que o debate interno ainda não está completamente encerrado. O histórico de 2022 naturalmente faz com que qualquer nova articulação seja acompanhada com atenção pelos bastidores políticos. No entanto, até o momento, não há anúncio oficial de mudança no projeto do partido, e Natasha segue se apresentando como a pré-candidata do PSD ao Governo de Mato Grosso. Essa abordagem informa o leitor sobre o contexto, relembra o precedente de 2022 e apresenta a dúvida como uma questão em discussão nos bastidores, sem afirmar que haverá uma nova “puxada de tapete”.