Estado exportou quase US$ 190 milhões em carne bovina no primeiro semestre; governo americano isentou mais de 2 mil produtos brasileiros da nova tarifa
A carne bovina, principal produto exportado por Mato Grosso para os Estados Unidos, ficou de fora da nova tarifa de 25% anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A decisão representa um alívio para o setor, já que o Estado tem no mercado americano um dos seus principais destinos para a proteína animal.
A nova política comercial dos Estados Unidos entra em vigor no dia 22 de julho e prevê a cobrança de uma tarifa adicional sobre diversos produtos brasileiros. No entanto, uma lista com 2.126 itens foi excluída da medida, entre eles a carne bovina.
Carne lidera exportações de Mato Grosso para os EUA
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que Mato Grosso exportou US$ 209,5 milhões para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano.
Desse total, US$ 189,2 milhões correspondem apenas às exportações de carne bovina, consolidando o produto como o principal item vendido pelo Estado ao mercado norte-americano.
Além da carne, Mato Grosso também exporta para os Estados Unidos:
- Sebo bovino – US$ 10,7 milhões
- Madeiras tropicais perfiladas – US$ 4,4 milhões
- Ouro em barras – US$ 2,1 milhões
- Gelatinas e derivados – US$ 1,7 milhão
- Castanha-do-pará sem casca – US$ 549 mil
O que muda na prática?
Na prática, a carne bovina continuará entrando no mercado norte-americano sem sofrer a nova tarifa adicional de 25%.
A isenção evita que o produto brasileiro perca competitividade diante de concorrentes internacionais e reduz o risco de impactos imediatos sobre as exportações do setor.
Além da carne bovina, também ficaram fora do tarifaço produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, como:
- Café;
- Laranja e suco de laranja;
- Peixes;
- Couros;
- Produtos de madeira;
- Medicamentos;
- Insumos farmacêuticos.
Por que Trump criou a nova tarifa?
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a medida faz parte de uma investigação aberta em 2025 sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil.
O governo americano afirma que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e questões ambientais criariam barreiras para empresas dos Estados Unidos.
Brasil vai recorrer
O governo brasileiro informou que pretende contestar a decisão.
Entre as medidas anunciadas estão o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica, além de um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Palácio do Planalto também afirmou que pretende ampliar a abertura de novos mercados internacionais para reduzir a dependência comercial e minimizar eventuais impactos aos setores afetados.
Etanol está entre os produtos atingidos
Enquanto a carne bovina foi preservada, o mesmo não aconteceu com o etanol.
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) criticou a inclusão do biocombustível entre os produtos tarifados e defendeu a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos, argumentando que a decisão aumenta a insegurança comercial e prejudica a cooperação entre os dois países.
Nova fábrica em Mato Grosso
Em meio ao cenário comercial, Mato Grosso recebeu uma notícia positiva.
A empresa norte-americana Sukup Manufacturing confirmou a instalação de uma fábrica de silos em Lucas do Rio Verde. O anúncio foi feito durante reunião entre representantes da empresa e o Governo do Estado, reforçando os investimentos estrangeiros no setor agrícola mato-grossense.
Entenda rapidamente
Como era?
- A expectativa era de que diversos produtos brasileiros fossem atingidos pela nova tarifa de 25%.
Como ficou?
- A carne bovina foi incluída na lista de exceções e continuará sendo exportada aos Estados Unidos sem a nova sobretaxa.
Quem ganha?
- Mato Grosso, que tem na carne bovina seu principal produto exportado para o mercado americano.
Esse formato facilita a compreensão do leitor ao explicar primeiro o impacto direto para Mato Grosso, depois os motivos da decisão dos Estados Unidos e, por fim, as reações do governo brasileiro e do setor produtivo.


