Governador afirma que Estado não possui áreas sob domínio do crime organizado, enquanto operações policiais e casos de violência continuam estampando os noticiários. Por Alex Rabelo – MT Urgente News A declaração do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) de que Mato Grosso não possui territórios dominados por facções criminosas voltou a colocar a segurança pública no centro do debate estadual. Durante entrevista nesta sexta-feira (24), Pivetta foi categórico ao afirmar que o Estado não permitirá a criação de um “Estado paralelo”. “Ao contrário de outros estados, nós não temos nenhum território dominado pelo Estado paralelo. E não vai ter.” O governador ainda garantiu que o enfrentamento ao crime organizado continuará sendo prioridade da sua gestão. “Nós vamos para cima. Nós vamos fazer com que a criminalidade diminua. Nós vamos, com as forças que temos, prender e punir.” Em tom de desafio às organizações criminosas, completou: “Ou eles mudam de profissão aqui ou vão mudar de Estado também, porque Mato Grosso não vai permitir.” A declaração confronta a percepção da população A fala do governador, porém, abre espaço para uma reflexão que muitos mato-grossenses fazem diariamente. Praticamente não há semana em que os noticiários deixem de registrar homicídios com características de execução, desaparecimentos, confrontos entre facções, apreensões de drogas, prisões de integrantes do crime organizado e grandes operações das forças de segurança em diferentes municípios do Estado. As próprias polícias Civil e Militar, além do Ministério Público, frequentemente anunciam ações contra organizações criminosas que atuam em Mato Grosso, demonstrando que a presença dessas facções é uma realidade combatida diariamente pelo Estado. Diante desse cenário, surge um questionamento inevitável: Se não existem territórios dominados por facções criminosas, por que as operações contra esses grupos são cada vez mais frequentes? Por que tantas ocorrências relacionadas ao crime organizado continuam ocupando espaço diário nos noticiários? O que significa “domínio territorial”? É importante fazer uma distinção. A afirmação do governador refere-se ao chamado domínio territorial, situação em que o Estado perde o controle de determinada região e organizações criminosas passam a exercer poder sobre moradores, comércio e circulação de pessoas, como ocorre em algumas comunidades de outros estados brasileiros. Isso, porém, não significa a inexistência da atuação de facções em Mato Grosso. As constantes operações policiais divulgadas pelo próprio Governo do Estado demonstram que essas organizações possuem integrantes, estrutura e atuação em diversas cidades mato-grossenses, motivo pelo qual seguem sendo alvo permanente das forças de segurança. O desafio continua Desde que assumiu o Governo de Mato Grosso, após a renúncia de Mauro Mendes, Otaviano Pivetta tem adotado um discurso firme contra o crime organizado e afirma que o Estado continuará investindo em inteligência, policiamento e operações para enfraquecer as facções. A eficácia dessas ações, entretanto, continuará sendo medida não apenas pelas estatísticas oficiais, mas também pela sensação de segurança da população e pela redução dos crimes que diariamente chegam às manchetes. Enquanto o governo afirma que Mato Grosso não possui áreas dominadas pelo crime organizado, a sociedade segue fazendo a mesma pergunta: A violência que diariamente ocupa os noticiários está diminuindo ou apenas mudando de forma?