Presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil, defende ações de proteção antes que ameaças e agressões evoluam para crimes fatais
O avanço dos casos de feminicídio em Mato Grosso reforçou o alerta para a necessidade de ampliar as ações de prevenção e proteção às mulheres. Durante o pequeno expediente da sessão da Câmara Municipal de Cuiabá, nesta terça-feira (8), a presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL), chamou atenção para o cenário de violência e defendeu que o enfrentamento ao problema ocorra antes que os casos cheguem ao extremo.
Segundo dados mencionados pela parlamentar, Mato Grosso já contabiliza 35 feminicídios em 2026. Ao abordar o tema, Paula também relembrou o assassinato de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, ocorrido em junho de 2025, em Lucas do Rio Verde. A mulher foi morta dentro de casa, enquanto a filha mais nova do casal, então com sete anos, também foi atacada e sobreviveu após permanecer internada.
O caso voltou a ganhar repercussão após a divulgação de imagens das câmeras de segurança da residência. A defesa da família questiona a versão de que o crime teria ocorrido durante um suposto surto. As circunstâncias do episódio e as responsabilidades envolvidas ainda serão analisadas pela Justiça.
Durante o pronunciamento, Paula destacou que, independentemente da conclusão judicial, os impactos da violência ultrapassam a vítima e atingem toda a família, especialmente as crianças expostas a situações de agressão.
A vereadora também citou um feminicídio registrado recentemente em Feliz Natal, onde uma mulher foi morta a facadas. O caso, segundo o levantamento apresentado por Paula, elevou para 35 o número de mulheres assassinadas em razão de violência de gênero no Estado neste ano.
Para a presidente da Câmara, os números mostram que as políticas públicas precisam atuar de maneira preventiva, com atenção aos primeiros sinais de violência. Ela defendeu maior atenção a situações como ameaças, perseguição, controle excessivo, intimidação, agressões físicas e psicológicas e descumprimento de medidas protetivas.
Na avaliação da parlamentar, esperar a ocorrência de um feminicídio para agir significa atuar tarde demais. O combate à violência contra a mulher, segundo ela, deve começar no momento em que surgem os primeiros sinais de abuso e quando a vítima procura ajuda.
Paula Calil ressaltou ainda que o feminicídio geralmente representa o ponto mais extremo de um processo de violência que pode se prolongar por meses ou anos. Por isso, considera fundamental fortalecer a rede de proteção, ampliar os mecanismos de denúncia e garantir respostas rápidas às mulheres em situação de risco.