Candidato do Avante também defendeu revisão de cargos comissionados, uso de inteligência artificial na máquina pública, estímulo a microempresas e descartou uma nova reforma da Previdência. O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) apresentou neste sábado (29) algumas das principais propostas de seu plano de governo durante entrevista concedida à Globo. Entre os pontos defendidos estão o corte de até 10 ministérios, aumento da tributação sobre empresas de apostas esportivas, ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), revisão de cargos comissionados e maior utilização de inteligência artificial na administração pública. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, dentro da série com candidatos à Presidência realizada pela emissora. Cury quer cortar de 8 a 10 ministérios Ao ser questionado sobre a estrutura do Governo Federal, Augusto Cury afirmou que pretende reduzir o número de ministérios. Segundo ele, entre oito e dez pastas poderiam ser extintas, mas os ministérios que seriam atingidos ainda não foram definidos. O candidato afirmou que antes pretende fazer uma análise detalhada da estrutura do governo. Ao mesmo tempo, Cury defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e também de uma estrutura específica voltada para Inteligência Artificial e Robótica. Bets poderiam pagar pelo menos 50% de imposto Outro ponto defendido pelo candidato foi o aumento da tributação das empresas de apostas, as chamadas bets. Cury afirmou que considera baixa a atual carga tributária sobre o setor e defendeu uma taxação de pelo menos 50%. Segundo ele, o aumento dessa arrecadação poderia ajudar no equilíbrio das contas públicas e na redução da dívida. O candidato também citou como medidas econômicas: revisão de aproximadamente 50 mil cargos comissionados; auditoria na administração pública; revisão de contratos governamentais; incentivo à criação de 10 milhões de microempresas. Uso de inteligência artificial para reduzir gastos Augusto Cury também afirmou que pretende digitalizar parte da máquina pública. A proposta inclui utilização de inteligência artificial para melhorar processos administrativos e reduzir custos. Segundo o candidato, a combinação dessas medidas poderia gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões em aumento de receitas e redução de despesas. Sobre mudanças no arcabouço fiscal, no entanto, Cury evitou apresentar uma proposta fechada e afirmou que ainda está estudando o assunto. Salário mínimo Cury também falou sobre a política de valorização do salário mínimo. O candidato defendeu reajuste anual correspondente à inflação mais 1% de ganho real. Segundo ele, sua expectativa seria conseguir elevar o salário mínimo entre 50% e 60% ao longo de quatro anos, caso sua política econômica alcançasse os resultados projetados. Cury quer 80% das consultas básicas do SUS por telemedicina Uma das propostas que mais chamou atenção durante a entrevista foi a relacionada à saúde. Augusto Cury defendeu que até 80% das consultas básicas do SUS sejam realizadas por teleatendimento. Segundo ele, atendimentos considerados mais complexos continuariam sendo realizados presencialmente. O candidato afirmou que a tecnologia poderia permitir atendimento médico durante 24 horas, inclusive para pacientes que vivem em regiões mais afastadas. A proposta, porém, enfrenta questionamentos. De acordo com a reportagem do g1, regras atuais do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelecem limitações para que consultas presenciais sejam substituídas pela telemedicina da forma proposta pelo candidato. Relação com empresa de telemedicina Durante a entrevista, Cury também foi questionado sobre sua relação com uma empresa do setor. O candidato já foi sócio de uma companhia de telemedicina até 2023 e também atuou como embaixador da empresa. Questionado sobre possível conflito de interesses entre essa relação e sua proposta para o SUS, ele negou qualquer irregularidade e afirmou que atualmente não possui mais vínculo com a empresa. Não pretende fazer nova reforma da Previdência Augusto Cury afirmou ainda que não pretende realizar uma nova reforma da Previdência. Mesmo reconhecendo dificuldades no sistema previdenciário, ele disse que sua estratégia seria aumentar a produtividade da economia com uso de tecnologia, inteligência artificial, robótica e estímulo ao empreendedorismo. O candidato voltou a defender a criação de milhões de microempresas como forma de aumentar o número de trabalhadores e empresas contribuindo com a Previdência. Reforma tributária ainda sem proposta definida Ao ser questionado sobre possíveis alterações na reforma tributária, Cury não apresentou mudanças concretas. Ele afirmou que ainda está discutindo o tema com especialistas e demonstrou preocupação principalmente com os efeitos do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) sobre o fluxo de caixa de pequenas e microempresas. Segundo o candidato, ainda será necessário avaliar os impactos do novo sistema antes de definir mudanças. Avaliação de servidores públicos Outra proposta apresentada envolve a criação de indicadores para avaliar o desempenho dos servidores públicos. Cury defendeu que funcionários públicos tenham metas e critérios de desempenho semelhantes aos utilizados na iniciativa privada. Ele não afirmou, porém, se servidores com resultados considerados insatisfatórios poderiam ser demitidos. Segundo o candidato, aqueles que apresentassem baixo desempenho deveriam receber treinamento e ferramentas para melhorar sua atuação. Principais propostas apresentadas por Augusto Cury Durante a entrevista, o candidato defendeu: corte de 8 a 10 ministérios; criação de um Ministério da Segurança Pública; criação de estrutura voltada à inteligência artificial e robótica; tributação das bets em pelo menos 50%; revisão de aproximadamente 50 mil cargos comissionados; incentivo à criação de 10 milhões de microempresas; ampliação da telemedicina no SUS; valorização real do salário mínimo; uso de inteligência artificial no serviço público; manutenção do atual sistema previdenciário sem nova reforma; avaliação de desempenho dos servidores. Apesar de apresentar diversas diretrizes, em alguns temas Augusto Cury ainda não detalhou como pretende implementar suas propostas, especialmente em relação ao corte de ministérios, mudanças no arcabouço fiscal e ajustes na reforma tributária. Fonte: g1 MT Urgente News
Portão do Inferno: milhões já foram gastos, projeto foi abandonado e solução definitiva continua sem sair do papel
Problema na MT-251 se arrasta desde 2023. Estado começou obra de quase R$ 30 milhões, executou cerca de 26% do serviço, abandonou o projeto e agora aposta em túnel estimado em R$ 72,5 milhões, que ainda depende de nova contratação e licenciamento ambiental. O problema do Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, já atravessou anos, mudanças de projeto, interdições, licenciamento ambiental, disputas técnicas e milhões de reais em investimentos. Mesmo assim, para quem utiliza a rodovia, a principal pergunta continua praticamente a mesma: quando haverá uma solução definitiva para o trecho? Nos últimos dias, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) voltou a cobrar o Ibama e classificou a demora para a liberação das intervenções como um “castigo” para moradores de Chapada dos Guimarães e usuários da MT-251. Mas a história do Portão do Inferno é mais longa e complexa do que a atual espera por uma licença ambiental. Antes do projeto do túnel, o Governo de Mato Grosso já havia contratado, iniciado e pago parte de outra obra no mesmo trecho. Essa primeira solução acabou sendo abandonada. Tudo começou a se agravar no fim de 2023 Os problemas ganharam maior dimensão em dezembro de 2023, quando deslizamentos e desprendimentos de blocos rochosos aumentaram o risco para motoristas que utilizam a MT-251. O próprio estudo técnico da Sinfra apontava uma situação considerada potencialmente grave no maciço rochoso do Portão do Inferno, com risco à segurança de quem passava pela rodovia. Desde então, moradores de Chapada, empresários, trabalhadores e turistas passaram a conviver com restrições, interdições e incertezas no principal acesso entre a Capital e um dos maiores destinos turísticos de Mato Grosso. Primeira solução custaria R$ 29,5 milhões Em março de 2024, o Governo do Estado decidiu contratar emergencialmente a empresa Lotufo Engenharia e Construções para executar intervenções no Portão do Inferno. O contrato inicial foi firmado por aproximadamente: R$ 29,58 milhões. A contratação ocorreu por dispensa de licitação e previa, entre outros serviços, o chamado retaludamento do paredão. De maneira simples, o plano previa cortar e modificar parte da encosta, afastando a nova pista da área considerada mais perigosa. Naquele momento, essa foi apresentada como a solução escolhida pelo Estado para enfrentar o problema. Ibama chegou a autorizar o primeiro projeto Um ponto importante para entender a atual discussão é que a primeira solução chegou a obter autorização ambiental federal. O projeto de retaludamento recebeu do Ibama a Licença de Instalação nº 1.489/2024, em junho de 2024. A obra efetivamente começou em 26 de agosto de 2024. Máquinas entraram na região, vegetação foi retirada, terraplanagem foi executada e parte da intervenção saiu do papel. Portanto, não se tratou apenas de um projeto anunciado. Houve execução física e utilização de recursos públicos. Aproximadamente R$ 9,3 milhões foram pagos Quando o Governo decidiu abandonar o retaludamento, aproximadamente 26,42% dos serviços previstos haviam sido executados. Os pagamentos realizados à empresa chegaram a aproximadamente: R$ 9,38 milhões Os números foram atribuídos à própria Sinfra quando a paralisação do projeto veio a público. Reportagens da época também apontaram que, com alterações e aditivos, o valor contratual relacionado ao projeto havia aumentado em relação aos R$ 29,5 milhões inicialmente previstos. Ou seja, milhões de reais foram aplicados em uma solução que não seria concluída. Governo reconheceu que projeto não era mais viável Em junho de 2025 ocorreu uma mudança decisiva. Depois de meses de obras, novos levantamentos levaram o Governo de Mato Grosso a abandonar a proposta de retaludamento. A própria administração estadual reconheceu problemas nos estudos que haviam embasado a intervenção e concluiu que continuar com aquela solução não seria tecnicamente adequado. Assim, a obra que havia começado em agosto de 2024 foi interrompida. Foi então apresentada uma nova alternativa: construir um túnel. Na prática, Mato Grosso voltou à etapa de buscar outra solução definitiva para o mesmo problema. Túnel passa a ser a nova promessa de solução A Sinfra passou então a trabalhar com a construção de um túnel em pista dupla, com acostamento e pavimentação de concreto. Documentos oficiais da secretaria confirmam que a nova concepção substituiu o projeto de retaludamento. A intervenção completa deverá alcançar aproximadamente 513 metros, incluindo túnel e acessos. O túnel propriamente dito terá cerca de 170 metros. O valor estimado atualmente para a nova solução é de aproximadamente: R$ 72,5 milhões Portanto, além dos aproximadamente R$ 9,3 milhões já pagos na solução anterior, o Estado passou a trabalhar com um novo empreendimento estimado em mais de R$ 72 milhões. Isso não significa, entretanto, que os dois valores devam simplesmente ser somados como se todo o dinheiro já tivesse sido gasto. Os R$ 72,5 milhões são uma estimativa para a nova obra, enquanto os cerca de R$ 9,3 milhões correspondem a pagamentos já realizados no projeto anterior. Essa diferença precisa ficar clara. Primeira licitação para o túnel fracassou Outro capítulo da história ocorreu em 2026. O Governo abriu licitação para contratar a empresa responsável pelo projeto e execução do túnel. Apenas um grupo apresentou proposta: o Consórcio TB-ETEL. O consórcio, porém, foi inabilitado por não atender requisitos econômico-financeiros previstos no edital. Com isso, em maio de 2026, a licitação foi declarada fracassada. Não houve empresa vencedora. A Sinfra informou então que revisaria os dados técnicos para abrir um novo processo de contratação. Anteprojeto foi revisto e aprovado Em julho deste ano, a Sinfra aprovou uma nova versão do anteprojeto. O documento manteve a solução do túnel e estabeleceu o valor de referência em aproximadamente R$ 72,5 milhões. Porém, aprovação de anteprojeto não significa obra iniciada. Ainda existem etapas para que máquinas efetivamente comecem a construir o túnel. Entre elas estão contratação e licenciamento ambiental. E onde entra o Ibama? É justamente aqui que começa a atual disputa. Como a intervenção ocorre dentro de uma área ambientalmente sensível e relacionada ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, o processo passou pela esfera federal. Em julho, o Ibama assumiu a responsabilidade pelo licenciamento ambiental das intervenções no trecho. O Governo afirma que aguarda a autorização necessária