Esposas, maridos, filhos e irmãs de nomes conhecidos da política entram na disputa de 2026 e mostram força das estruturas familiares na construção de novos projetos eleitorais As eleições de 2026 colocaram em evidência um movimento que vem ganhando espaço na política de Mato Grosso: familiares de lideranças já conhecidas do eleitor estão cada vez mais presentes nas urnas. São primeiras-damas que decidiram disputar mandato, casais concorrendo simultaneamente, filhos que seguem trajetórias políticas dos pais e irmãs buscando diferentes espaços de representação. O fenômeno atravessa partidos e regiões do Estado e aparece tanto entre candidatos experientes quanto entre nomes que fazem sua estreia nas urnas. As candidaturas são individuais e o parentesco, por si só, não representa qualquer irregularidade. Mas o cenário chama atenção porque mostra como sobrenomes conhecidos, exposição pública, grupos políticos e bases eleitorais construídas anteriormente podem se tornar elementos importantes em uma nova candidatura. A lista oficial disponibilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) confirma, entre outros nomes, candidaturas como Virginia Mendes, Juliana Kolankiewicz, Aline Félix e Samantha do Abilio. Mauro e Virginia: casal disputa Senado e Câmara Federal Um dos casos de maior projeção estadual envolve Mauro Mendes e Virginia Mendes. Depois de dois mandatos como governador, Mauro deixou o Palácio Paiaguás e disputa uma das vagas de Mato Grosso no Senado. Virginia, por sua vez, transformou a exposição acumulada durante os anos como primeira-dama em sua primeira candidatura a um cargo eletivo. Ela concorre a deputada federal pelo União Brasil, com o número 4444, conforme a relação oficial do TRE-MT. O casal representa uma situação peculiar nesta eleição: enquanto Mauro busca levar para o Senado o capital político acumulado à frente do Governo, Virginia tenta construir sua própria trajetória eleitoral. Samantha leva a ligação com Abilio até o nome de urna Em Cuiabá, outro caso chama atenção. A vereadora Samantha Iris (PL) busca uma cadeira na Assembleia Legislativa e adotou oficialmente o nome de urna “Samantha do Abilio”. O registro eleitoral mostra Samantha concorrendo a deputada estadual pelo PL com o número 22300. Ela foi eleita vereadora de Cuiabá em 2024 e agora tenta chegar à Assembleia. A referência é ao marido, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Nesse caso, a associação política e familiar está presente no próprio nome apresentado ao eleitor. Rondonópolis também tem famílias na disputa O movimento também aparece com força em Rondonópolis. O ex-prefeito Zé Carlos do Pátio busca uma vaga de deputado estadual, enquanto sua esposa, Dona Neuma, também entrou na disputa eleitoral. Na mesma cidade, outra primeira-dama busca espaço na política estadual: Alessandra Ferreira, esposa do prefeito Cláudio Ferreira. São grupos adversários na política municipal, mas que apresentam uma característica semelhante em 2026: integrantes da família também passam a ocupar espaço próprio na disputa eleitoral. Janaina e Jéssica Riva ampliam presença da família nas urnas Outro exemplo envolve um dos sobrenomes mais conhecidos da política mato-grossense. A deputada estadual Janaina Riva (MDB) deixou a disputa pela Assembleia para buscar uma vaga no Senado. Enquanto isso, sua irmã Jéssica Riva (MDB) entrou na corrida por uma cadeira de deputada estadual. Caso seja eleita, Jéssica ocupará justamente o espaço político no Legislativo estadual em que Janaina construiu parte importante de sua carreira. A situação representa uma nova configuração para uma família que há décadas participa da política de Mato Grosso. Emanuelzinho mantém sobrenome Pinheiro na disputa A continuidade familiar também aparece na candidatura do deputado federal Emanuelzinho (PSD). Filho do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, ele busca permanecer na Câmara dos Deputados. Embora Emanuel Pinheiro não esteja concorrendo nesta eleição, sua trajetória política e sua presença nas campanhas fazem parte do contexto em que o filho disputa mais um mandato. Nesse caso, a relação familiar não representa a chegada de um estreante, mas a continuidade de uma trajetória política que já atravessa gerações. Primeiras-damas do interior buscam Brasília A presença de familiares de prefeitos também aparece fora dos maiores centros urbanos. Em Água Boa, Juliana Kolankiewicz (Republicanos), esposa do prefeito Dr. Mariano, concorre a deputada federal com o número 1020. Em Nova Mutum, Aline Félix (Republicanos), esposa do prefeito Leandro Félix, também busca uma cadeira na Câmara dos Deputados, com o número 1055. As duas aparecem na relação oficial de candidaturas a deputado federal divulgada pelo TRE-MT. Juliana já possui experiência anterior na política e chegou a exercer mandato como suplente na Câmara. Aline busca ampliar para o cenário estadual a visibilidade construída em Nova Mutum. Sobrenome pode abrir portas, mas também traz cobranças A multiplicação desses casos coloca uma questão interessante nesta eleição: até que ponto o capital político de uma liderança pode ser transferido para alguém da própria família? Não existe resposta automática. Um sobrenome conhecido pode facilitar reconhecimento, abrir portas, mobilizar apoiadores e aproximar uma candidatura de estruturas políticas já organizadas. Mas também produz cobrança. Quando alguém entra na eleição diretamente associado a um marido, esposa, pai, mãe ou irmã com trajetória política consolidada, também pode herdar questionamentos e desgastes ligados àquela liderança. Por isso, a força familiar pode funcionar tanto como ativo quanto como desafio eleitoral. Fenômeno atravessa partidos Outro aspecto relevante é que o movimento não pertence a apenas um campo político. Há exemplos envolvendo PL, União Brasil, MDB, Republicanos, PSD e outros grupos partidários. Isso indica que a utilização política de estruturas familiares não é exclusividade da direita, da esquerda ou do centro. É uma característica antiga da política brasileira que, em Mato Grosso, ganha novamente visibilidade nas eleições gerais de 2026. A Justiça Eleitoral disponibiliza no DivulgaCandContas informações individuais sobre cada candidatura, incluindo partido, número, situação do registro, patrimônio declarado, receitas e despesas eleitorais. O eleitor terá a palavra final Apesar da força que um sobrenome conhecido pode proporcionar, existe uma diferença entre herdar visibilidade e herdar voto. A primeira pode acontecer quase imediatamente. A segunda depende do eleitor. Uma primeira-dama conhecida pode utilizar a exposição acumulada durante uma administração. Um filho pode carregar o sobrenome de um político popular. Uma esposa pode contar com a presença do marido
Eleições 2026: vídeos curtos, ganchos e redes sociais transformam disputa pelo voto em MT
Campanhas apostam em Reels, vídeos verticais, frases de impacto e conteúdos capazes de prender a atenção nos primeiros segundos; estratégia mostra como o marketing digital ganhou protagonismo na disputa eleitoral A campanha eleitoral de 2026 deixou ainda mais evidente uma mudança que vinha acontecendo nos últimos pleitos: a disputa pelo voto também virou uma disputa pela atenção do eleitor nas redes sociais. Vídeos curtos, cortes de entrevistas, bastidores, humor, frases de impacto, assuntos polêmicos e conteúdos produzidos especialmente para celulares passaram a ocupar espaço importante nas estratégias das campanhas. Mesmo quem não segue candidatos ou páginas políticas pode acabar encontrando propaganda eleitoral enquanto navega pelas redes. Isso acontece porque o conteúdo digital não depende apenas do número de seguidores de um candidato. Formato, compartilhamentos, comentários, retenção do público e, nos casos permitidos pela legislação, impulsionamento podem ampliar a distribuição. A propaganda eleitoral na internet é permitida em redes sociais, blogs, aplicativos de mensagens e outros ambientes previstos pela regulamentação. Para 2026, o Tribunal Superior Eleitoral também atualizou regras relacionadas a impulsionamento, inteligência artificial e desinformação. A batalha pelos primeiros segundos A lógica das plataformas alterou também a linguagem política. No ambiente de vídeos curtos, uma campanha precisa conseguir chamar a atenção rapidamente antes que o usuário simplesmente deslize a tela e passe para o próximo conteúdo. Por isso, os tradicionais discursos longos convivem agora com uma comunicação muito mais rápida: perguntas provocativas, afirmações diretas, cenas descontraídas, legendas grandes na tela e ganchos construídos para despertar curiosidade. Antônio Guimarães, fundador da agência Real Oficial, definiu essa transformação como uma espécie de universalização da linguagem popularizada pelo TikTok: vídeos verticais, curtos e com ganchos logo nos primeiros segundos. O resultado pode ser observado nas próprias campanhas em Mato Grosso. Candidatos adotam estratégias diferentes Na corrida ao Senado, José Medeiros (PL) utiliza conteúdos curtos associados a posicionamentos políticos e temas capazes de provocar reação entre apoiadores e críticos. Na disputa pelo Governo, Natasha Slhessarenko (PSD) também adotou peças de linguagem direta. Em uma delas, utilizou a expressão “farinha do mesmo saco” para estabelecer contraste entre sua candidatura e os adversários. Já Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece em conteúdos que procuram mostrar um lado mais descontraído do candidato. Em um dos vídeos, cenas de campanha são apresentadas ao som de lambadão, com Pivetta andando de bicicleta, utilizando o celular e até fazendo alongamentos. São abordagens diferentes, mas todas demonstram a tentativa das campanhas de adaptar os candidatos à linguagem das plataformas digitais. Não é mais necessário seguir o candidato Essa talvez seja uma das maiores transformações do marketing eleitoral. No passado, boa parte da comunicação política dependia de televisão, rádio, jornais, comícios e materiais impressos. Esses meios continuam importantes. Mas as redes acrescentaram outra possibilidade: o candidato pode chegar a uma pessoa que nunca procurou por ele. O eleitor pode estar assistindo a vídeos de futebol, humor, notícias ou entretenimento e, pouco depois, encontrar um conteúdo eleitoral. Isso obriga as campanhas a pensar além da própria militância. Não basta produzir um vídeo que agrade quem já vota no candidato. É necessário criar conteúdos capazes de despertar a atenção de quem ainda não conhece aquela candidatura ou sequer estava pensando em política naquele momento. Polêmica pode gerar alcance — mas também risco Conteúdos que provocam reação tendem a gerar comentários, compartilhamentos e discussões. Mas buscar repercussão a qualquer custo também representa risco. Um corte retirado de contexto pode ganhar uma dimensão muito maior que o conteúdo original. Uma frase mal construída pode viralizar negativamente. E uma tentativa exagerada de criar polêmica pode produzir rejeição em vez de voto. Há ainda limites legais. O TSE estabelece regras específicas para propaganda eleitoral na internet e determina que conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial sejam identificados nas situações previstas pela regulamentação. Também existem restrições específicas próximas ao dia da votação. O impulsionamento também não significa liberdade para promover qualquer tipo de propaganda: o TSE reafirmou neste mês punição aplicada em caso envolvendo impulsionamento de propaganda eleitoral negativa contra adversário. ANÁLISE | Por Alex Rabelo Marketing digital deixou de ser complemento Como jornalista e estrategista em marketing político, considero que uma das grandes lições das eleições de 2026 é simples: o digital deixou de ser complemento de campanha para ocupar posição central na construção da comunicação eleitoral. Não significa que televisão, rádio, reuniões, caminhadas e contato presencial perderam importância. Significa que hoje praticamente tudo o que acontece nesses ambientes pode ganhar uma segunda vida nas redes. Um debate de duas horas pode gerar um corte de 30 segundos. Uma caminhada pode produzir um Reels. Uma entrevista pode render dezenas de conteúdos. Uma frase pode virar manchete, meme ou assunto de milhares de comentários. A campanha deixou de trabalhar apenas com uma programação diária e passou a disputar atenção praticamente em tempo real. Não basta postar: é preciso ter estratégia Existe, porém, uma diferença enorme entre estar nas redes sociais e fazer marketing digital. Publicar dez vídeos por dia não significa necessariamente comunicar melhor. Uma campanha precisa saber: quem é o candidato; qual posicionamento pretende construir; com quem precisa conversar; qual mensagem precisa transmitir; e qual formato funciona melhor para cada público. O vídeo curto é apenas uma ferramenta. Sem estratégia, pode gerar visualização e não gerar identificação. Pode conseguir curtidas e não conquistar confiança. Pode viralizar e não transformar alcance em voto. Cada candidato procura construir uma imagem É interessante observar justamente como as campanhas de Mato Grosso estão utilizando essa linguagem de maneiras diferentes. Pivetta tenta utilizar também conteúdos mais leves e bastidores para humanizar sua imagem e aproximá-la do eleitor. Natasha utiliza linguagem direta e comparações para estabelecer diferença em relação aos adversários. José Medeiros aposta em posicionamentos capazes de conversar diretamente com sua base política e provocar repercussão. Outros candidatos também utilizam cortes, depoimentos, vídeos rápidos e conteúdos de agenda para disputar espaço no feed do eleitor. Não existe uma fórmula única. A estratégia precisa combinar com a personalidade e com o posicionamento de cada candidato. O grande desafio são os três primeiros
Adolescente de 17 anos morre após colisão entre moto e Jeep em Várzea Grande
Acidente aconteceu na madrugada deste domingo (27), no cruzamento da Avenida Filinto Müller com a Rua Pedro Pedrossian; jovem foi arremessado contra um poste Um adolescente de 17 anos morreu após um grave acidente de trânsito envolvendo uma motocicleta e um Jeep Renegade, na madrugada deste domingo (27), em Várzea Grande. A vítima foi identificada como Carlos Henrique Wurfel Cerqueira. Segundo informações do registro da Polícia Militar, a colisão aconteceu por volta das 3h57, no cruzamento da Avenida Filinto Müller com a Rua Pedro Pedrossian. Com a força do impacto, o adolescente foi arremessado contra um poste de energia e sofreu ferimentos graves. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atender a ocorrência. Ao chegar ao local e realizar a avaliação da vítima, a equipe constatou que Carlos já estava sem vida. Veículos seguiam por vias diferentes De acordo com as informações registradas pela Polícia Militar, o Jeep Renegade trafegava pela Rua Pedro Pedrossian, no sentido do 4º Batalhão da PM para a Escola Adalgisa. A motocicleta conduzida pelo adolescente seguia pela Avenida Filinto Müller, no sentido da Igreja Nossa Senhora do Carmo para o Aeroporto Marechal Rondon. Os dois veículos colidiram no cruzamento. A dinâmica exata do acidente e as circunstâncias que provocaram a colisão ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Motorista fez teste do bafômetro O condutor do Jeep, um homem de 54 anos, foi submetido ao teste do bafômetro. Conforme o registro da ocorrência, o equipamento apontou 0,00 mg/L, não indicando presença de álcool. A Polícia Militar isolou e preservou a área para impedir alterações nos veículos e em outros vestígios que possam auxiliar na apuração. O trânsito também precisou ser controlado enquanto as equipes realizavam os procedimentos no local. Polícia e Politec apuram circunstâncias Investigadores da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e um perito da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionados. Após os trabalhos periciais e a liberação da área, o trânsito foi normalizado. As autoridades deverão agora analisar os vestígios e demais informações reunidas para esclarecer a dinâmica da colisão e as circunstâncias que resultaram na morte do adolescente. Por: Alex Rabelo — jornalista | MT Urgente News