Encontrado exclusivamente no Brasil, o papa-moscas-real-do-atlântico vive em áreas preservadas da Mata Atlântica. Fotógrafo enfrentou quase cinco horas de viagem e registrou 2,6 mil imagens para conseguir flagrar a espécie em um momento raro. Uma pequena ave de aproximadamente 17 centímetros, com plumagem discreta e uma impressionante crista colorida, tem chamado a atenção de pesquisadores, observadores de pássaros e amantes da natureza. Trata-se do papa-moscas-real-do-atlântico (Onychorhynchus swainsoni), espécie rara encontrada exclusivamente no Brasil e considerada vulnerável à extinção. O pássaro, também conhecido como maria-leque-do-sudeste, vive em regiões preservadas da Mata Atlântica e possui uma característica surpreendente: uma crista que, ao ser aberta, forma um leque de cores vibrantes, transformando completamente sua aparência. Na maior parte do tempo, a crista permanece fechada, tornando difícil registrar o momento em que ela se abre. A raridade desse comportamento motivou uma expedição do fotógrafo de natureza Alexandre Rago ao município de Tapiraí, no interior de São Paulo. A espécie consta como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), principalmente em razão da perda e da fragmentação de seu habitat. Fotógrafo enfrenta viagem de quase cinco horas em busca de registro raro Determinado a fotografar a ave com a crista completamente aberta, Alexandre Rago saiu de Ribeirão Preto, no interior paulista, pouco depois das 3h da madrugada. O destino era Tapiraí, município cercado por áreas de Mata Atlântica preservada. A viagem durou quase cinco horas e foi planejada depois que um guia local informou ter observado exemplares da espécie na região. Ao chegar, o fotógrafo percorreu trilhas cercadas por vegetação densa, riachos e pequenas quedas d’água. No primeiro local visitado, encontrou um macho pousado próximo a um curso d’água. Entretanto, as condições de iluminação dificultavam a fotografia desejada. A oportunidade surgiu em um segundo ponto da floresta, onde Rago observou um casal e permaneceu por aproximadamente quatro horas acompanhando os movimentos das aves. Durante esse período, identificou comportamentos da fêmea que, em algumas ocasiões, antecediam a abertura da crista. Entre eles estavam movimentos do bico, limpeza das penas e pequenas agitações do corpo. Após horas de espera, o resultado foi expressivo: cerca de 2.600 fotografias e apenas três momentos em que a fêmea abriu a crista. Em duas dessas ocasiões, a ave estava posicionada de frente para a câmera, permitindo o registro desejado. O leque colorido permanece fechado na maior parte do tempo e pode se abrir durante exibições comportamentais. Apesar do tamanho reduzido, entre 16 e 17,5 centímetros, o papa-moscas-real-do-atlântico possui uma das características visuais mais marcantes entre as aves da Mata Atlântica. Sua plumagem apresenta principalmente tons de marrom, que ajudam na camuflagem entre galhos e folhas. A crista, entretanto, revela cores intensas quando totalmente aberta. A espécie costuma permanecer em ambientes florestais sombreados e se alimenta principalmente de insetos, capturados durante seus deslocamentos pela vegetação. Sua distribuição geográfica é restrita ao território brasileiro, especialmente a áreas de floresta atlântica das regiões Sudeste e Sul. Ninhos pendurados sobre riachos despertam interesse dos cientistas Outra particularidade da ave é sua forma de construir os ninhos. Diferentemente das estruturas arredondadas encontradas em muitas espécies, o papa-moscas-real-do-atlântico produz ninhos alongados, semelhantes a pequenas bolsas suspensas na vegetação. Essas estruturas são confeccionadas com fibras vegetais, raízes, folhas e musgos. Normalmente ficam penduradas nas extremidades de galhos sobre riachos, com uma entrada lateral e uma câmara inferior destinada aos ovos e filhotes. Uma pesquisa publicada na revista científica Avian Research, conduzida ao longo de cinco temporadas reprodutivas, identificou 23 ninhos da espécie. Todos estavam posicionados sobre a água. O estudo também constatou que a escolha dos locais de reprodução não acontece aleatoriamente. As aves demonstraram preferência por determinadas características dos riachos e da vegetação próxima. Os pesquisadores registraram um período de incubação de aproximadamente 22 dias e uma permanência dos filhotes no ninho de 24 a 27 dias. Os resultados ajudam a compreender a vulnerabilidade da espécie e indicam que a preservação de florestas contínuas, com cursos d’água conservados, é fundamental para sua reprodução. Espécie corre risco de desaparecer com a destruição da Mata Atlântica A beleza do papa-moscas-real-do-atlântico contrasta com uma realidade preocupante: a espécie enfrenta riscos relacionados à redução de seu ambiente natural. Segundo a avaliação global da IUCN publicada em 2018, sua população foi estimada entre 600 e 1.700 indivíduos adultos, com tendência de declínio. Trata-se de uma estimativa científica daquela avaliação, e não de uma contagem atualizada de todas as aves existentes. O desmatamento, a fragmentação florestal e a degradação de ambientes próximos aos riachos estão entre os fatores que comprometem a sobrevivência desses pássaros. Como depende de condições ambientais específicas para se alimentar e reproduzir, a espécie pode encontrar dificuldades para ocupar fragmentos pequenos e isolados de floresta. Reserva de 31 mil hectares ajuda a preservar a biodiversidade A região de Tapiraí abriga importantes remanescentes da Mata Atlântica, incluindo parte do Legado das Águas, reserva privada com aproximadamente 31 mil hectares distribuídos entre os municípios de Tapiraí, Miracatu e Juquiá, em São Paulo. Criada formalmente em 2012, a reserva desenvolve atividades relacionadas à conservação ambiental, à pesquisa científica e ao ecoturismo. A existência de extensas áreas florestais protegidas contribui para a manutenção de animais que necessitam de ambientes conservados e conectados para sobreviver. O registro feito por Alexandre Rago demonstra não apenas a beleza de uma espécie pouco conhecida, mas também a importância de proteger ecossistemas que abrigam animais raros e ameaçados. Mais do que uma fotografia impressionante, o flagrante da ave com sua crista aberta representa um lembrete da riqueza natural brasileira e dos desafios para preservar espécies que dependem diretamente da conservação das florestas. Fontes: Alexandre Rago, IUCN e estudo científico publicado na revista Avian Research.
Com colheita do algodão encerrada, MT intensifica combate a pragas enquanto plantio da soja avança 33%
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News O agronegócio de Mato Grosso atravessa um período estratégico de transição entre as safras. Com a colheita do algodão concluída, os produtores concentram esforços no controle de pragas e na preparação das propriedades para o próximo ciclo produtivo. Ao mesmo tempo, o plantio da soja 2026/2027 ganhou velocidade e já alcançou 33,28% da área prevista no estado. Os dados fazem parte de levantamentos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), ligado à Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Entre os dias 4 e 10 de outubro, as atividades nas áreas produtoras de algodão foram direcionadas principalmente ao manejo pós-colheita, com o objetivo de reduzir a presença de pragas e garantir melhores condições sanitárias para a próxima safra. Combate ao bicudo-do-algodoeiro exige atenção redobrada Com a retirada do algodão das lavouras, começa uma etapa fundamental para a proteção da produção: a eliminação dos restos culturais e das plantas que possam servir de abrigo para pragas. Entre as principais medidas adotadas pelos agricultores estão a destruição das soqueiras, o controle de plantas voluntárias e a retirada de resíduos remanescentes da colheita. Uma das maiores preocupações é o bicudo-do-algodoeiro, inseto considerado uma das principais ameaças à cotonicultura brasileira por provocar danos às estruturas reprodutivas das plantas, comprometendo o desenvolvimento e a produtividade. Para reduzir a sobrevivência e a disseminação da praga durante a entressafra, as equipes intensificaram a instalação de armadilhas e dispositivos conhecidos como tubos mata-bicudo, principalmente nas bordas dos talhões. O chamado vazio sanitário é essencial nesse processo, pois busca interromper a permanência de plantas hospedeiras e reduzir as condições favoráveis à multiplicação do inseto entre os ciclos de cultivo. Enquanto isso, as algodoeiras continuam os trabalhos de beneficiamento da fibra, etapa responsável pela separação da pluma e pelo preparo do produto destinado à comercialização. Plantio da soja cresce mais de 23 pontos percentuais em uma semana Paralelamente aos cuidados com o algodão, Mato Grosso registra uma aceleração expressiva no plantio da soja. Segundo o levantamento do Imea, divulgado em 9 de outubro, a semeadura da safra 2026/2027 chegou a 33,28% da área projetada. Na semana anterior, o percentual era de 10,23%. EVOLUÇÃO DO PLANTIO DA SOJA — MT 2 de outubro 10,23% 9 de outubro 33,28% Avanço semanal +23,04 p.p. Fonte: Imea — levantamento da safra 2026/27 divulgado em 09/10/2026. O ritmo também está 12,06 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra anterior, quando apenas 21,22% da área havia sido semeada. Apesar do desempenho positivo, o instituto ressalta que a comparação precisa considerar as condições climáticas. Em 2025, a estiagem prejudicou o início dos trabalhos, enquanto neste ano o retorno das chuvas favoreceu a entrada das máquinas nas lavouras. Regiões Médio-Norte e Oeste lideram avanço As regiões Médio-Norte e Oeste estão entre os principais destaques do plantio da soja em Mato Grosso. No Médio-Norte, a semeadura avançou 35,58 pontos percentuais em uma semana. No Oeste, o crescimento foi de 23,42 pontos percentuais. Os resultados foram impulsionados principalmente pelas grandes propriedades rurais, que aproveitaram a melhora das condições de umidade do solo para intensificar as operações agrícolas. As regiões Sudeste e Nordeste também registraram aceleração, beneficiadas pelas precipitações. Em contrapartida, no Noroeste, a irregularidade das chuvas continua limitando o ritmo dos trabalhos em determinadas localidades. Segundo o Imea, o plantio estava mais concentrado em Brasnorte, próximo à divisa com a região Oeste. Transição entre safras exige planejamento para evitar prejuízos O atual momento do calendário agrícola exige atenção em duas frentes. Na cotonicultura, o desafio é manter as propriedades livres de focos de pragas que possam comprometer o próximo ciclo. Já na sojicultura, a prioridade é aproveitar as condições climáticas favoráveis para garantir o estabelecimento adequado das lavouras. O calendário da soja também influencia as culturas plantadas em sucessão, especialmente o algodão de segunda safra e o milho, importantes para a economia agropecuária de Mato Grosso. O atraso no plantio da soja pode reduzir a janela ideal para a implantação dessas culturas, elevando os riscos associados às condições climáticas no decorrer da temporada. Com a colheita do algodão encerrada e o plantio da soja em expansão, Mato Grosso entra em uma fase decisiva para o desempenho da produção agrícola de 2026/2027. A combinação entre controle sanitário, regularidade das chuvas e planejamento das operações será determinante para preservar a produtividade e reduzir os riscos de perdas no campo. Fontes: IMAmt, Ampa e Imea. Dados referentes aos levantamentos de 4 a 10 de outubro de 2026.
Mais de 2,6 milhões de eleitores estão aptos a votar em MT no segundo turno; veja os números
Votação acontece no dia 25 de outubro, das 7h às 16h; quase 586 mil eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, e abstenção volta a ser ponto de atenção. Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News Mato Grosso se prepara para voltar às urnas no próximo domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão o presidente da República para os próximos quatro anos. No estado, 2.638.230 eleitores estão aptos a votar, formando o maior eleitorado já registrado em território mato-grossense. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), 2.334.755 pessoas integram o grupo para o qual o voto é obrigatório, enquanto outras 303.475 têm direito ao voto facultativo. Os números demonstram a dimensão da participação eleitoral no estado e a importância da mobilização dos eleitores nesta reta final da disputa presidencial. Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso A votação terá início às 7h e será encerrada às 16h, no horário de Mato Grosso. O procedimento seguirá o horário nacional unificado estabelecido pela Justiça Eleitoral. Abstenção no primeiro turno preocupa Um dos principais pontos de atenção para o segundo turno é o comparecimento dos eleitores. Na primeira votação, realizada em 4 de outubro, aproximadamente 585,6 mil mato-grossenses não compareceram às urnas, número equivalente a quase 22% do eleitorado estadual, conforme os dados apresentados no levantamento original. O volume de ausências representa um contingente expressivo de eleitores e reforça a importância da participação popular na definição do resultado presidencial. Mesmo quem não votou no primeiro turno poderá participar normalmente da votação de 25 de outubro, desde que esteja com a situação eleitoral regular. A ausência em um turno não impede automaticamente a participação no seguinte. Mulheres são maioria entre os eleitores O eleitorado feminino é predominante em Mato Grosso. São 1.355.774 mulheres, correspondentes a 51,39% do total. Já os homens somam 1.282.435, representando 48,61%. A faixa etária entre 40 e 44 anos concentra o maior número de votantes, com 278.333 pessoas. O estado também contabiliza 78.503 jovens de 16 a 18 anos e 117.720 eleitores com 70 anos ou mais. Pela legislação brasileira, o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas de 18 a 70 anos incompletos. É facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e cidadãos analfabetos. Cuiabá e Várzea Grande concentram mais de 650 mil eleitores Na capital mato-grossense, 456.007 pessoas estão aptas a votar, sendo que 92,91% possuem biometria cadastrada. Em Várzea Grande, segundo maior colégio eleitoral do estado, são 194.778 eleitores, dos quais 94,76% já realizaram o cadastramento biométrico. Juntas, as duas cidades somam 650.785 eleitores e representam aproximadamente um quarto do eleitorado estadual. Em todo Mato Grosso, 2.474.297 pessoas possuem biometria cadastrada, o equivalente a 93,79% dos eleitores. Justiça Eleitoral prepara mais de 8 mil urnas Para garantir a realização da votação, Mato Grosso conta com uma estrutura distribuída pelos 142 municípios: 57 zonas eleitorais; 1.519 locais de votação; 8.287 seções eleitorais; 8.287 urnas destinadas às seções; 1.173 urnas de contingência, reservadas para eventuais substituições. Cuiabá e Várzea Grande concentram 1.995 urnas de seção e 211 equipamentos de contingência. Nos municípios do interior, o planejamento divulgado pelo TRE-MT prevê a utilização de urnas dos modelos 2020 e 2022. O tribunal iniciou em 14 de outubro os procedimentos de preparação, carga e lacração das urnas eletrônicas para o segundo turno, incluindo atividades nas zonas eleitorais da capital, de Várzea Grande e do interior. Escolaridade e perfil do eleitorado Os dados divulgados pela Justiça Eleitoral também apresentam um panorama do perfil dos votantes em Mato Grosso. Em relação à escolaridade, 27,13% possuem ensino médio completo, enquanto 13,76% concluíram o ensino superior. No recorte de cor ou raça divulgado pelo TRE-MT, 59,85% dos eleitores se declaram pardos, 27,16% brancos e 2,17% indígenas. O levantamento também identifica 3.646 eleitores quilombolas. Mais de 25 mil eleitores possuem deficiência ou mobilidade reduzida A acessibilidade é outro ponto importante na organização do pleito. Mato Grosso possui 25.658 eleitores cadastrados com deficiência ou mobilidade reduzida. Desse total, 17.432 integram o grupo de voto obrigatório, enquanto 8.226 possuem voto facultativo. O estado conta com 755 seções eleitorais com recursos de acessibilidade. A Justiça Eleitoral também desenvolve iniciativas para facilitar a participação de pessoas com deficiência e necessidades específicas. O que o eleitor precisa saber para votar no dia 25 Data: domingo, 25 de outubro de 2026 Horário: das 7h às 16h (horário de MT) Identificação: documento oficial com foto ou e-Título com foto, quando disponível Local de votação: consulta pelo e-Título ou pelo portal do TSE Cargo em disputa em MT: presidente da República O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral e não puder votar deverá justificar a ausência. A justificativa pode ser realizada pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, respeitando os prazos estabelecidos para cada turno. A recomendação é consultar antecipadamente o local de votação e não deixar o comparecimento para os últimos minutos. Com mais de 2,6 milhões de pessoas aptas a votar, Mato Grosso volta às urnas em uma eleição que definirá os rumos do país pelos próximos quatro anos. O comparecimento dos eleitores será um dos fatores determinantes para o resultado do segundo turno. Fonte: Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dados de eleitorado e estrutura divulgados para as eleições de 2026.
