Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News
O agronegócio de Mato Grosso atravessa um período estratégico de transição entre as safras. Com a colheita do algodão concluída, os produtores concentram esforços no controle de pragas e na preparação das propriedades para o próximo ciclo produtivo. Ao mesmo tempo, o plantio da soja 2026/2027 ganhou velocidade e já alcançou 33,28% da área prevista no estado.
Os dados fazem parte de levantamentos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), ligado à Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Entre os dias 4 e 10 de outubro, as atividades nas áreas produtoras de algodão foram direcionadas principalmente ao manejo pós-colheita, com o objetivo de reduzir a presença de pragas e garantir melhores condições sanitárias para a próxima safra.
Combate ao bicudo-do-algodoeiro exige atenção redobrada
Com a retirada do algodão das lavouras, começa uma etapa fundamental para a proteção da produção: a eliminação dos restos culturais e das plantas que possam servir de abrigo para pragas.
Entre as principais medidas adotadas pelos agricultores estão a destruição das soqueiras, o controle de plantas voluntárias e a retirada de resíduos remanescentes da colheita.
Uma das maiores preocupações é o bicudo-do-algodoeiro, inseto considerado uma das principais ameaças à cotonicultura brasileira por provocar danos às estruturas reprodutivas das plantas, comprometendo o desenvolvimento e a produtividade.
Para reduzir a sobrevivência e a disseminação da praga durante a entressafra, as equipes intensificaram a instalação de armadilhas e dispositivos conhecidos como tubos mata-bicudo, principalmente nas bordas dos talhões.
O chamado vazio sanitário é essencial nesse processo, pois busca interromper a permanência de plantas hospedeiras e reduzir as condições favoráveis à multiplicação do inseto entre os ciclos de cultivo.
Enquanto isso, as algodoeiras continuam os trabalhos de beneficiamento da fibra, etapa responsável pela separação da pluma e pelo preparo do produto destinado à comercialização.
Plantio da soja cresce mais de 23 pontos percentuais em uma semana
Paralelamente aos cuidados com o algodão, Mato Grosso registra uma aceleração expressiva no plantio da soja.
Segundo o levantamento do Imea, divulgado em 9 de outubro, a semeadura da safra 2026/2027 chegou a 33,28% da área projetada. Na semana anterior, o percentual era de 10,23%.
EVOLUÇÃO DO PLANTIO DA SOJA — MT
2 de outubro
10,23%
9 de outubro
33,28%
Avanço semanal
+23,04 p.p.
Fonte: Imea — levantamento da safra 2026/27 divulgado em 09/10/2026.
O ritmo também está 12,06 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra anterior, quando apenas 21,22% da área havia sido semeada.
Apesar do desempenho positivo, o instituto ressalta que a comparação precisa considerar as condições climáticas. Em 2025, a estiagem prejudicou o início dos trabalhos, enquanto neste ano o retorno das chuvas favoreceu a entrada das máquinas nas lavouras.
Regiões Médio-Norte e Oeste lideram avanço
As regiões Médio-Norte e Oeste estão entre os principais destaques do plantio da soja em Mato Grosso.
No Médio-Norte, a semeadura avançou 35,58 pontos percentuais em uma semana. No Oeste, o crescimento foi de 23,42 pontos percentuais.
Os resultados foram impulsionados principalmente pelas grandes propriedades rurais, que aproveitaram a melhora das condições de umidade do solo para intensificar as operações agrícolas.
As regiões Sudeste e Nordeste também registraram aceleração, beneficiadas pelas precipitações.
Em contrapartida, no Noroeste, a irregularidade das chuvas continua limitando o ritmo dos trabalhos em determinadas localidades. Segundo o Imea, o plantio estava mais concentrado em Brasnorte, próximo à divisa com a região Oeste.
Transição entre safras exige planejamento para evitar prejuízos
O atual momento do calendário agrícola exige atenção em duas frentes. Na cotonicultura, o desafio é manter as propriedades livres de focos de pragas que possam comprometer o próximo ciclo. Já na sojicultura, a prioridade é aproveitar as condições climáticas favoráveis para garantir o estabelecimento adequado das lavouras.
O calendário da soja também influencia as culturas plantadas em sucessão, especialmente o algodão de segunda safra e o milho, importantes para a economia agropecuária de Mato Grosso.
O atraso no plantio da soja pode reduzir a janela ideal para a implantação dessas culturas, elevando os riscos associados às condições climáticas no decorrer da temporada.
Com a colheita do algodão encerrada e o plantio da soja em expansão, Mato Grosso entra em uma fase decisiva para o desempenho da produção agrícola de 2026/2027.
A combinação entre controle sanitário, regularidade das chuvas e planejamento das operações será determinante para preservar a produtividade e reduzir os riscos de perdas no campo.
Fontes: IMAmt, Ampa e Imea. Dados referentes aos levantamentos de 4 a 10 de outubro de 2026.


