O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT) deflagrou, nesta quarta-feira (25), a segunda fase da Operação Fake Export, ampliando o cerco contra um esquema milionário de sonegação fiscal no estado. A ação tem como alvo produtores rurais e administradores de empresas suspeitos de manter práticas irregulares para evitar o pagamento de impostos.
A nova etapa reforça o trabalho conjunto dos órgãos de fiscalização e investigação, que já haviam identificado, na fase inicial, a atuação de um grupo estruturado para fraudar o fisco estadual. O esquema envolvia a criação de empresas de fachada, emissão de notas fiscais irregulares e a simulação de exportações de grãos que, na prática, nunca deixavam o país.
As investigações começaram após a identificação de um volume atípico de notas fiscais vinculadas a exportações sem comprovação. A partir disso, foi possível revelar o uso de empresas registradas em nome de “laranjas”, utilizadas para dar aparência legal às transações fraudulentas.
Os números chamam atenção. Apenas uma das empresas investigadas movimentou mais de R$ 86 milhões, sendo quase metade desse valor declarado como exportação fictícia. Diante das irregularidades, foi gerada uma dívida ativa superior a R$ 34 milhões.
De acordo com os investigadores, o grupo utilizava indevidamente um código fiscal específico para operações de exportação, o que permitia justificar a isenção de impostos. No entanto, sem apresentar documentos que comprovassem a saída das mercadorias do país, os produtos eram vendidos no mercado interno, caracterizando fraude.
Nesta fase, 30 pessoas foram intimadas, entre empresários e produtores rurais que mantiveram relação comercial com as empresas investigadas. A medida indica o avanço das apurações e o aprofundamento das responsabilidades individuais dentro do esquema.
Autoridades destacam que a operação vai além da recuperação de recursos desviados. O objetivo também é desmontar estruturas criminosas sofisticadas que prejudicam a arrecadação pública e criam concorrência desleal no mercado.
Além do caráter repressivo, a ação busca alertar o setor produtivo sobre a importância da regularidade fiscal. A expectativa é que iniciativas como essa contribuam para um ambiente econômico mais transparente, fortalecendo a confiança e o desenvolvimento no estado.
O Cira-MT reúne instituições como Ministério Público, Procuradoria-Geral do Estado, Controladoria-Geral, Secretaria de Segurança Pública e Secretaria de Fazenda, que atuam de forma integrada no combate a fraudes e na recuperação de ativos públicos.


