A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Speakeasy, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso envolvido na lavagem de dinheiro para lideranças de facção atuantes no estado. Ao todo, foram cumpridas 100 ordens judiciais em Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
As ações ocorreram simultaneamente nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Goiânia e Barueri, incluindo mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias, suspensão de empresas e sequestro de veículos. As medidas foram autorizadas pelo Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.
As investigações tiveram início em 2024, a partir da identificação de um veículo registrado em nome de uma empresa de Várzea Grande, que estava sendo utilizado por um líder de facção criminosa. A partir desse indício, os investigadores chegaram a uma rede estruturada que operava na ocultação de recursos ilícitos.
Segundo a apuração conduzida por unidades especializadas no combate ao crime organizado, o grupo utilizava empresas de fachada — principalmente nos setores de distribuição de bebidas, comércio de joias e eletrônicos — para dar aparência legal ao dinheiro obtido de atividades criminosas. A movimentação financeira suspeita ultrapassa R$ 200 milhões entre os anos de 2021 e 2025.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, os investigados levavam um padrão de vida incompatível com a renda declarada, ostentando veículos de luxo e outros bens de alto valor, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos carros, joias, celulares e computadores. Os detidos e os materiais recolhidos foram encaminhados para as delegacias responsáveis, onde passam pelos procedimentos legais.
A operação contou com o apoio de diversas unidades especializadas, incluindo equipes de outros estados, reforçando a atuação integrada no enfrentamento ao crime organizado.
O nome “Speakeasy” faz referência aos bares clandestinos que surgiram durante o período da Lei Seca nos Estados Unidos, estabelecimentos que operavam de forma oculta. A escolha remete ao modo de atuação do grupo investigado, que utilizava empresas ligadas ao comércio de bebidas para encobrir atividades ilegais.
A ação também integra a estratégia nacional de combate às organizações criminosas, coordenada pelo Ministério da Justiça, que reúne forças de segurança de todo o país para ampliar o alcance das investigações e enfraquecer financeiramente esses grupos.



