Papiloscopista é alvo de mandados em Várzea Grande e Cuiabá; investigação aponta ligação com criminosos e uso de múltiplas identidades
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a segunda fase da Operação Hidra, com foco em um servidor público da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) suspeito de envolvimento em um esquema de falsificação de documentos de identidade. A ação contou com o acompanhamento da Corregedoria do órgão, que também colaborou com as investigações.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Criminal de Várzea Grande, a partir de apurações conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. As ordens judiciais tiveram como alvo a residência do investigado, em Várzea Grande, e seu local de trabalho, dentro do Instituto Médico Legal (IML), na capital.
O servidor atua como papiloscopista, função responsável pela emissão de documentos oficiais e pela identificação de pessoas em ocorrências criminais e acidentes. Segundo a investigação, ele teria atuado na facilitação da produção de identidades falsas, auxiliando um esquema que permitia a criminosos assumirem diferentes perfis para escapar da Justiça.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra os investigados, como a proibição de contato entre eles e a restrição de saída da comarca sem autorização judicial. Durante o cumprimento das ordens, também foram apreendidos materiais irregulares na casa do servidor, incluindo substâncias contrabandeadas e anabolizantes.
O caso começou a ser investigado em julho de 2025, após a prisão de um homem apontado como integrante de uma facção criminosa paulista, que vivia há mais de uma década em Mato Grosso sob identidade falsa. Na ocasião, foi constatado que ele e sua família utilizavam documentos adulterados.
Com o avanço das apurações, a primeira fase da operação, deflagrada em agosto do mesmo ano, identificou um suposto intermediário do esquema, que possuía diversos documentos falsos com nomes diferentes. A análise de dados revelou ainda a ligação direta entre esse suspeito e o servidor da Politec.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, a ofensiva é estratégica para preservar a confiabilidade dos sistemas de identificação do Estado e impedir que organizações criminosas se infiltrem em estruturas públicas. A Operação Hidra, nome inspirado na criatura mitológica de múltiplas cabeças, simboliza justamente o uso de diversas identidades pelos investigados para dificultar a ação da Justiça.


