Prefeito de Cuiabá afirma que governo federal criou imposto para arrecadar e agora tenta reduzir desgaste político ao zerar cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50
O prefeito de Abilio Brunini criticou a decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Durante entrevista à imprensa nesta sexta-feira (15), o gestor classificou a mudança como uma estratégia política em ano eleitoral e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria apenas revertendo uma cobrança criada pelo próprio governo.
Segundo Abilio, a taxação foi implantada para ampliar a arrecadação federal e agora está sendo retirada para diminuir o desgaste junto à população, especialmente entre consumidores que utilizam plataformas internacionais para compras de roupas, acessórios e eletrônicos de baixo custo.
“O governo arrecadou os impostos e agora, em período eleitoral, tira para não pesar tanto e não influenciar a eleição. Depois volta novamente”, declarou o prefeito.
A chamada “taxa das blusinhas” passou a valer em 2024 após aprovação do Congresso Nacional e sanção presidencial. A medida estabeleceu a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de pequeno valor realizadas em sites como Shein, Shopee e AliExpress. Desde a implementação, o tema gerou forte repercussão nas redes sociais e críticas de consumidores, principalmente do público jovem.
Nesta semana, o governo federal anunciou uma medida provisória suspendendo a cobrança do imposto federal para compras de até US$ 50. Apesar da mudança, o ICMS estadual incidente sobre as importações segue mantido.
Durante a entrevista, Abilio também comparou a decisão à política de controle de preços dos combustíveis adotada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, medidas temporárias de redução tributária podem gerar impactos econômicos futuros.
O prefeito afirmou ainda que o governo utiliza o discurso de isenção para aliviar a pressão popular, mas alertou para possíveis consequências econômicas após o período eleitoral.


