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TCE encontra erros em livros investigados por suposto superfaturamento de R$ 80 milhões na Educação de Cuiabá

A polêmica envolvendo a compra de materiais didáticos pela Prefeitura de Cuiabá ganhou novos desdobramentos após o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, afirmar ter encontrado erros ortográficos e problemas de concordância nos livros adquiridos pela Secretaria Municipal de Educação.

O caso já vinha sendo investigado após denúncias de um suposto superfaturamento que pode chegar a quase R$ 80 milhões na aquisição de materiais pedagógicos realizada entre 2025 e 2026.

Durante visita técnica realizada nesta sexta-feira (29) ao almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, Sérgio Ricardo fez duras críticas à qualidade dos materiais e questionou quem autorizou a compra da coleção.

“QUERO SABER QUEM FOI O GÊNIO”

Durante a inspeção, o presidente do TCE demonstrou indignação ao comentar os erros encontrados nos livros.

Segundo ele, uma das coleções apresentaria erros básicos de português, incluindo troca de palavras e falhas de concordância.

“Eu quero saber quem foi o gênio, o secretário que decidiu por isso. Quero ver se estão usando essa coleção do Theo que está com erro. Em vez de usar a palavra ‘mas’, eles usaram ‘mais’. Quero saber se a editora arrumou isso”, declarou Sérgio Ricardo.

A fala rapidamente repercutiu nos bastidores políticos e aumentou ainda mais a pressão sobre os responsáveis pela aquisição dos materiais.

INVESTIGAÇÃO PODE CHEGAR AO GOVERNO DO ESTADO

Outro ponto que chamou atenção foi o fato de o presidente do TCE afirmar que irá verificar se os mesmos livros também foram adquiridos pelo Governo de Mato Grosso para a rede estadual de ensino.

Segundo Sérgio Ricardo, a apuração busca entender se existe relação entre as compras realizadas pela Secretaria Estadual e pela Secretaria Municipal de Educação.

O motivo da investigação envolve o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, que anteriormente também atuou na Secretaria Estadual de Educação.

“Eu quero ver toda a correlação que existe entre as aquisições desses livros, que foram adquiridos pelo Estado, uma vez que o secretário era o mesmo”, afirmou.

A declaração ampliou ainda mais o alcance político da investigação.

O QUE ESTÁ SENDO INVESTIGADO

O centro da polêmica envolve contratos milionários para aquisição de materiais didáticos considerados de alto valor.Sérgio Ricardo detona compra de livros encaixotados enquanto faltavam kits  de higiene nas escolas: 'quero ver o gênio da economia e da matemática  explicar isso' • Olhar Direto

Segundo denúncias apresentadas pelo prefeito Abilio Brunini, a gestão municipal identificou indícios de possível superfaturamento próximo de R$ 80 milhões.

Além do valor elevado, outro ponto questionado é a prioridade dada aos pagamentos dos materiais pedagógicos no início do ano letivo.

Segundo Abilio, enquanto escolas municipais precisavam de recursos básicos para limpeza, manutenção e preparação para retorno das aulas, pagamentos milionários relacionados aos livros teriam sido priorizados.

“O que estamos discutindo é o motivo da compra de tanto material pedagógico num volume de quase R$ 80 milhões”, afirmou o prefeito.

VISITA COM REPERCUSSÃO POLÍTICA

A visita do TCE ao almoxarifado ocorreu com presença da imprensa e forte repercussão política.

Durante a inspeção, Sérgio Ricardo chegou a questionar o prefeito sobre quem teria indicado Amauri Monge para assumir a Secretaria Municipal de Educação.

Abilio respondeu afirmando que o ex-secretário possui conhecimento técnico e experiência na área da educação.

“O Amauri tem bastante conhecimento sobre gestão educacional e organização da Secretaria”, declarou.

Mesmo assim, o prefeito reforçou que a investigação não gira em torno da capacidade técnica do ex-secretário, mas sim sobre os critérios utilizados para a aquisição dos materiais e os possíveis prejuízos causados aos cofres públicos.

CASO GANHA FORÇA NO TCE E NO MINISTÉRIO PÚBLICO

A denúncia já foi encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado e também ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que devem aprofundar as investigações sobre:

  • possíveis irregularidades nos contratos;
  • critérios utilizados nas compras;
  • qualidade dos materiais adquiridos;
  • e eventual prejuízo ao dinheiro público.

Nos bastidores, o caso já é tratado como uma das investigações mais sensíveis envolvendo a Educação de Cuiabá nos últimos anos.

Isso porque a situação mistura:

  • contratos milionários;
  • suspeita de superfaturamento;
  • qualidade questionada dos materiais;
  • e possível impacto direto no aprendizado dos alunos da rede pública.

Agora, a expectativa gira em torno do avanço das auditorias e da identificação de eventuais responsabilidades administrativas, técnicas e jurídicas.

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

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