Toda ida ao mercado assusta mais o bolso dos mato-grossenses
Fazer compras em Cuiabá tem se tornado um desafio cada vez maior para milhares de famílias. A cada visita ao supermercado, o consumidor se depara com novos aumentos e percebe que o dinheiro está rendendo menos.
Dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que Cuiabá registrou o segundo maior aumento acumulado no preço da cesta básica entre todas as capitais brasileiras nos últimos 12 meses.
A alta acumulada chegou a 14,16%, ficando atrás apenas de Recife, que registrou aumento de 14,29%.
Além disso, Cuiabá possui atualmente a segunda cesta básica mais cara do Brasil.
Em maio, o conjunto dos alimentos considerados essenciais chegou a R$ 925,49. Apenas São Paulo apresentou valor superior, com R$ 952,20.
SALÁRIO SOBE POUCO, PREÇOS SOBEM MUITO
O que mais preocupa os trabalhadores é que os alimentos continuam subindo em ritmo muito superior ao crescimento dos salários.
Hoje, um trabalhador que recebe um salário mínimo precisa destinar mais da metade da sua renda apenas para comprar os produtos básicos de alimentação.
Segundo o Dieese, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 125 horas e 37 minutos apenas para comprar uma cesta básica em Cuiabá.
Na prática, isso significa que mais de 15 dias de trabalho são consumidos somente para garantir alimentação básica para uma pessoa.
Após os descontos da Previdência Social, o comprometimento da renda chega a 61,72% do salário líquido.
Em outras palavras: de cada R$ 100 recebidos pelo trabalhador, quase R$ 62 são utilizados apenas para comprar os alimentos básicos.
TOMATE, BATATA E FEIJÃO LIDERAM AS ALTAS
Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias estão alimentos presentes diariamente na mesa dos brasileiros.
Nos últimos 12 meses, os maiores aumentos foram:
🥔 Batata: +51,08%
🍅 Tomate: +58,63%
🫘 Feijão carioca: +32,45%
🍌 Banana: +15,74%
🥩 Carne bovina: +12,49%
🥖 Pão francês: +4,94%
Somente em 2026, o tomate já acumula impressionante alta de 155,42%.
A batata subiu 77,78%.
O feijão carioca aumentou 35,58%.
Itens que fazem parte da alimentação básica das famílias e que estão pesando cada vez mais no orçamento doméstico.
POR QUE TUDO ESTÁ MAIS CARO?
Especialistas apontam diversos fatores para explicar a escalada dos preços.
Entre eles:
✔️ Condições climáticas adversas
✔️ Quebras de safra em algumas regiões
✔️ Custos elevados de transporte
✔️ Aumento dos combustíveis
✔️ Alta dos custos de produção
✔️ Pressões inflacionárias acumuladas
O resultado é sentido diretamente nas prateleiras dos supermercados.
QUANTO DEVERIA SER O SALÁRIO MÍNIMO?
De acordo com os cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.999,44.
O valor é quase cinco vezes superior ao salário mínimo nacional atualmente em vigor.
O levantamento leva em consideração despesas básicas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e vestuário.
ECONOMIA CRESCE, MAS O CONSUMIDOR NÃO SENTE
Apesar dos indicadores econômicos apontarem crescimento em diversos setores, especialmente em Mato Grosso, a sensação de grande parte da população é diferente.
O consumidor continua enfrentando dificuldades para manter o padrão de vida.
A percepção mais comum é de que os preços sobem rapidamente enquanto a renda cresce em ritmo muito menor.
Para muitas famílias, o desafio já não é economizar, mas conseguir manter o básico dentro de casa.
Enquanto isso, o carrinho de supermercado segue se tornando um dos maiores termômetros da realidade econômica enfrentada pelos mato-grossenses.
Fonte: Dieese / Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos
Por: Alex Rabelo — Jornalista e Estrategista em Marketing Político | MT Urgente News


