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Quem é quem na disputa pelo Governo de Mato Grosso? Conheça o histórico dos principais pré-candidatos

Com a aproximação das eleições de 2026, o debate sobre quem comandará o Governo de Mato Grosso começa a ganhar força. Além das propostas que serão apresentadas durante a campanha, o histórico político, administrativo e jurídico dos pré-candidatos também passa a fazer parte da análise do eleitor.

Conhecer a trajetória de quem pretende ocupar o Palácio Paiaguás é um direito da população e contribui para uma escolha mais consciente. Nesta reportagem, o MT Urgente reúne informações baseadas em processos judiciais, documentos públicos e decisões oficiais envolvendo os dois nomes que hoje aparecem entre os principais cotados para a disputa: o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL).

É importante destacar que investigações, acusações e ações judiciais não representam, por si só, condenações. Da mesma forma, absolvições e arquivamentos também fazem parte da trajetória de agentes públicos e devem ser considerados para que o eleitor tenha uma visão completa dos fatos.

Otaviano Pivetta: absolvição na esfera criminal e ação cível ainda em andamento

A trajetória política de Otaviano Pivetta está ligada ao município de Lucas do Rio Verde, onde exerceu o cargo de prefeito por diferentes mandatos.

Ao longo de sua carreira, o vice-governador teve o nome envolvido em investigações relacionadas à chamada Operação Sanguessuga, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas fraudes em licitações destinadas à compra de ambulâncias e unidades móveis de saúde com recursos de emendas parlamentares.

Na época, o Ministério Público Federal apresentou denúncia relacionada à aquisição de um ônibus-consultório para o município de Lucas do Rio Verde. O processo criminal tramitou na Justiça Federal e chegou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Após a análise das provas, a 2ª Seção do TRF-1 absolveu Otaviano Pivetta por unanimidade. O relator do processo, desembargador federal Ney Bello, concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar a participação do então prefeito nos crimes investigados, aplicando o princípio constitucional da presunção de inocência.

Na decisão, o magistrado afirmou que as provas produzidas durante a instrução processual não afastavam as dúvidas sobre eventual participação do réu e destacou que testemunhas ouvidas pelo próprio Ministério Público apresentaram versões incompatíveis com a tese acusatória. Com isso, a denúncia foi considerada improcedente na esfera criminal.

Entretanto, esse não é o único processo envolvendo a gestão de Pivetta.

Desde 2009, tramita na Justiça Estadual uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso relacionada a contratos administrativos firmados durante sua administração em Lucas do Rio Verde.

Nas alegações finais apresentadas ao Judiciário em 2025, o Ministério Público pediu a condenação do vice-governador por supostos atos de improbidade administrativa.

Segundo a 2ª Promotoria de Justiça Cível de Lucas do Rio Verde, a ação apura supostas irregularidades em procedimentos licitatórios realizados na modalidade carta-convite. Entre os fatos apontados pelo órgão ministerial estão possível direcionamento de empresas, fracionamento de contratos, conluio entre agentes públicos e empresários e pagamentos considerados irregulares.

De acordo com os cálculos apresentados pelo Ministério Público no processo, o suposto prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 6.386.763,21.

Até o momento, porém, não existe sentença judicial sobre essa ação.

A defesa de Otaviano Pivetta nega todas as acusações, afirma que não houve prática de ato ilícito e aguarda a decisão do Poder Judiciário.

Edital da Secel também foi alvo de fiscalização do Tribunal de Contas

Outro episódio recente envolvendo a atual gestão estadual diz respeito a um edital lançado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) para aquisição de uniformes e materiais esportivos.

O procedimento passou a ser acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) após questionamentos técnicos relacionados às exigências previstas no edital.

Durante a fiscalização, foram solicitados esclarecimentos sobre critérios considerados capazes de restringir a competitividade entre empresas interessadas na disputa.

O caso permanece sob análise do Tribunal de Contas e ainda não existe decisão definitiva sobre a regularidade da contratação.

Wellington Fagundes teve nome citado na Operação Sanguessuga e acabou absolvido

Com mais de três décadas de atuação no Congresso Nacional, o senador Wellington Fagundes também teve seu nome relacionado à Operação Sanguessuga.

Durante as investigações, seu nome foi citado entre parlamentares que destinaram emendas para aquisição de ambulâncias por municípios investigados.

Entretanto, ao longo da apuração, não foram produzidas provas que demonstrassem a participação do senador em eventual esquema de fraudes.

Wellington Fagundes foi absolvido por unanimidade pela Corregedoria e pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

Posteriormente, o procedimento também foi encerrado na esfera judicial, sem qualquer condenação criminal ou por improbidade administrativa relacionada aos fatos investigados.

Desde então, o senador sustenta que jamais participou de qualquer esquema ilícito e que sua atuação sempre ocorreu dentro das atribuições parlamentares.

Evolução patrimonial também integra o debate político

Outro tema frequentemente mencionado durante disputas eleitorais envolve a evolução patrimonial dos candidatos.

No caso de Wellington Fagundes, adversários costumam citar o livro Os Bens que os Políticos Fazem, do jornalista Chico Goes.

A obra reúne informações extraídas das declarações de bens apresentadas por diversos políticos à Justiça Eleitoral.

Wellington aparece entre os parlamentares analisados pelo autor. No entanto, o livro não atribui ao senador participação em esquemas de corrupção nem apresenta acusações de enriquecimento ilícito, limitando-se à divulgação da evolução patrimonial declarada.

Conhecer o histórico faz parte da escolha do eleitor

Em democracias consolidadas, o histórico dos candidatos também faz parte do processo de avaliação do eleitor.

Ao mesmo tempo, é importante distinguir investigações, denúncias, ações judiciais em andamento e decisões definitivas da Justiça.

Enquanto alguns processos permanecem em tramitação e aguardam julgamento, outros já foram encerrados com absolvições, arquivamentos ou reconhecimento da inexistência de provas suficientes para condenação.

Cabe ao eleitor acompanhar tanto as propostas quanto a trajetória de cada pré-candidato, formando sua própria opinião com base em documentos públicos, decisões judiciais e informações verificadas.

Nota da Redação: Esta reportagem foi produzida com base em processos judiciais, decisões oficiais e documentos públicos disponíveis. O MT Urgente respeita o princípio constitucional da presunção de inocência e mantém espaço aberto para manifestação dos citados caso desejem apresentar esclarecimentos ou informações adicionais.

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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