Mandados são cumpridos em Cuiabá e Várzea Grande contra investigados, entre eles servidores públicos e um policial militar; vítima foi mantida sob ameaças e manipulação psicológica durante três anos.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Laço Oculto para desarticular um esquema de extorsão que teria causado prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a uma servidora pública estadual. A ação cumpre 14 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, incluindo mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, apreensão de veículo e bloqueio de ativos financeiros que podem ultrapassar R$ 3,3 milhões.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, apontam que o grupo utilizava manipulação emocional e ameaças para obrigar a vítima a realizar sucessivos pagamentos. Entre os investigados estão servidores vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e pessoas suspeitas de participar da movimentação financeira dos recursos obtidos de forma ilícita.
Segundo a apuração policial, a principal suspeita, colega de trabalho da vítima, teria criado uma falsa narrativa envolvendo uma suposta dívida com agiotas e constantes ameaças de morte contra ambas e seus familiares. Aproveitando-se do medo e da confiança estabelecida, ela convencia a servidora a realizar transferências de dinheiro sob o argumento de que os valores seriam utilizados para quitar a dívida e evitar represálias.
Ao longo de aproximadamente três anos, a vítima recorreu a empréstimos bancários, utilizou limite de cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada e até comprometeu economias destinadas à construção da casa da família para atender às exigências financeiras. Em outro episódio, foi convencida a financiar uma caminhonete em seu nome para uso de pessoas ligadas à investigada, permanecendo responsável pelo pagamento do veículo.
O esquema só foi interrompido quando o marido da servidora percebeu alterações no comportamento da esposa, descobriu as transferências e procurou a Polícia Civil para denunciar o caso.
A investigação confirmou que mais de R$ 1,132 milhão foi transferido diretamente para a conta da suspeita. A análise do fluxo financeiro revelou ainda que parte do dinheiro foi redistribuída entre outras pessoas ligadas ao grupo, além da existência de movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados, elevado número de saques em espécie e indícios de utilização de terceiros para ocultação patrimonial.

Com autorização da Justiça, também serão analisados documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação, que poderão auxiliar na identificação da participação de cada investigado e na apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e agiotagem.
O nome Laço Oculto simboliza o vínculo de medo e dependência psicológica criado para manter a vítima sob constante controle, enquanto o dinheiro era retirado de seu patrimônio e distribuído entre os integrantes do esquema. A operação busca recuperar parte dos valores desviados e aprofundar as investigações sobre a atuação do grupo criminoso.


