Escrita por duas professoras da rede pública de Mato Grosso, obra utiliza a literatura infantil para acolher crianças, estimular o diálogo e fortalecer a cultura da proteção e da paz nas escolas.
A literatura infantil ganha um importante papel na promoção da conscientização e da proteção da infância com o lançamento de “O Hospital Encantado de Nina”, obra escrita pelas professoras e pesquisadoras Eliani Silveira Viana e Maria da Guia. Mais do que contar uma história, o livro propõe um olhar sensível sobre os impactos da violência doméstica na vida das crianças, utilizando a fantasia como instrumento de acolhimento, reflexão e construção de uma cultura de paz.
Radicada em Mato Grosso há 45 anos, Eliani Silveira Viana construiu sua trajetória profissional na educação pública. Professora há 24 anos, é bióloga, pedagoga, especialista e mestranda em políticas públicas educacionais. Ao longo da carreira, fez da sala de aula um espaço de escuta, desenvolvimento humano e incentivo à leitura, tornando a literatura uma extensão do seu compromisso com a transformação social.
Ao lado de Maria da Guia, professora da rede pública há mais de duas décadas, formada em Letras e Pedagogia e mestre em Estudos Linguísticos, Eliani une experiência acadêmica e prática pedagógica para abordar uma das questões mais delicadas da sociedade: a violência contra a mulher e seus reflexos na infância.
A inspiração para escrever “O Hospital Encantado de Nina” surgiu diante do aumento dos casos de violência doméstica e feminicídio registrados em Mato Grosso, especialmente em Várzea Grande. Sensibilizadas com a realidade vivida por crianças que perdem as mães ou convivem em ambientes marcados pela violência, as autoras decidiram criar uma narrativa capaz de acolher esses sentimentos e abrir espaço para o diálogo.
Na história, a fantasia conduz o leitor por um universo onde o cuidado, a empatia e o afeto são apresentados como caminhos para romper ciclos de violência. A obra também propõe uma reflexão sobre a necessidade de transformação de comportamentos, ao apresentar, de forma simbólica, um espaço voltado à reeducação daqueles que reproduzem a violência, reforçando que mudanças são possíveis por meio da conscientização e da educação.
Segundo as autoras, o objetivo é oferecer às crianças uma linguagem acessível para compreender situações difíceis, reconhecer seus direitos e entender que a violência nunca é aceitável. A proposta também fortalece o papel da escola como ambiente de acolhimento, proteção e formação cidadã.
Além do aspecto literário, o livro foi pensado como ferramenta pedagógica para apoiar professores em projetos de leitura, educação emocional, direitos humanos e prevenção da violência. A expectativa é que a obra possa integrar atividades desenvolvidas nas escolas, bibliotecas e espaços comunitários, ampliando o acesso ao tema de forma responsável e adequada ao público infantil.
Disponível em formato digital (e-book), “O Hospital Encantado de Nina” foi publicado pela Editora Becalete e pode ser acessado por meio da editora e das autoras. As escritoras também buscam parcerias com instituições públicas e privadas para ampliar a distribuição da obra nas redes de ensino, fortalecendo ações educativas voltadas à proteção da infância e à prevenção da violência.
Para Eliani e Maria da Guia, a literatura tem o poder de transformar realidades. Com sensibilidade e compromisso social, elas defendem que histórias capazes de acolher, informar e inspirar também contribuem para formar uma sociedade mais justa, empática e livre da violência.

