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Escolha de Mauro por Pivetta pode cobrar preço alto, enfraquecer o União Brasil e acelerar formação de um novo grupo em Mato Grosso

Ao impedir candidatura própria para apoiar um nome do Republicanos, Mauro Mendes ampliou insatisfações e pode ter aberto espaço para uma nova força política, com Max Russi e Janaina Riva entre os nomes mais citados

 

A convenção do União Brasil pode ter encerrado a disputa interna pela candidatura ao Governo, mas está longe de ter encerrado a crise política provocada pela decisão.

O partido tinha entre seus quadros o senador Jayme Campos, ex-governador e uma das lideranças mais conhecidas de Mato Grosso, disposto a concorrer ao Palácio Paiaguás. Ainda assim, prevaleceu a articulação defendida pelo presidente estadual da legenda, Mauro Mendes, para apoiar a reeleição de Otaviano Pivetta, que pertence ao Republicanos e foi seu vice-governador.

Antes da convenção, Jayme já afirmava que Mauro tinha o direito de apoiar Pivetta pessoalmente, mas questionava que essa posição tivesse sido adotada sem uma discussão mais ampla com as principais lideranças do União Brasil.

É justamente aí que está o ponto central da insatisfação: Mauro poderia declarar apoio ao antigo vice sem impedir que o próprio União Brasil apresentasse um candidato ao Governo?

Para uma parte das lideranças, a resposta é sim. O problema não estaria apenas na preferência por Pivetta, mas na utilização da estrutura política para retirar da disputa um nome do próprio partido e embarcar na candidatura de outra legenda.

Escolha partidária ou decisão pessoal de Mauro?

Nos bastidores, a construção passou a ser interpretada por adversários e integrantes insatisfeitos como uma escolha pessoal de Mauro Mendes, baseada na relação política construída com Pivetta durante os dois mandatos no Governo.

Essa interpretação ganha força porque, antes da definição, havia duas propostas claramente colocadas: a candidatura própria de Jayme Campos pelo União Brasil e a aliança com o Republicanos defendida por Mauro. A convenção havia sido convocada justamente para decidir entre esses dois caminhos.

Mauro consolidou sua estratégia e garantiu apoio a Pivetta. Politicamente, porém, a vitória interna pode começar a apresentar uma conta maior do que o esperado.

Ao retirar o União da cabeça de chapa, o partido abre mão do protagonismo na eleição para o Governo e passa a atuar como aliado de uma candidatura pertencente a outra legenda.

União Brasil pode sair menor das eleições

A preocupação de parte dos parlamentares está diretamente ligada às chapas proporcionais.

Uma candidatura própria ao Governo poderia oferecer maior visibilidade ao União Brasil, criar um palanque estadual, mobilizar as bases municipais e ajudar os candidatos a deputado estadual e federal.

Júlio Campos já havia defendido publicamente que uma candidatura própria seria fundamental para aumentar a competitividade do partido e ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa.

Com a escolha por Pivetta, o União Brasil corre o risco de entrar na eleição sem uma candidatura própria ao principal cargo estadual, embora tenha estrutura, lideranças e um senador disposto a disputar.

A pergunta que começa a circular é inevitável:

Mauro fortaleceu o projeto de Pivetta, mas enfraqueceu o próprio partido que preside?

Insatisfações não começaram agora

O desconforto não está restrito a Jayme Campos.

Dilmar Dal’Bosco defendia diálogo e uma construção que preservasse a unidade e a força eleitoral do partido. Júlio Campos também sustentava a necessidade de candidatura própria e reconheceu publicamente a existência de um racha entre o grupo dos irmãos Campos e o comandado por Mauro Mendes.

Eduardo Botelho também representa um ponto importante nessa sequência de desgastes. Depois de disputar a Prefeitura de Cuiabá e perder para o atual prefeito, o deputado afirmou que não recebeu do grupo político de Mauro o apoio que esperava durante a campanha.

O episódio deixou marcas e reforçou a percepção de que importantes integrantes do grupo governista vêm sendo colocados em segundo plano quando seus projetos pessoais não coincidem com as escolhas feitas pelo núcleo mais próximo de Mauro.

Agora, a retirada de Jayme da corrida estadual amplia essa sensação.

Max Russi cresce sem anunciar candidatura

Enquanto o União Brasil enfrenta divisões, o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, aparece cada vez mais nas conversas entre prefeitos, parlamentares e lideranças municipais.

O movimento não foi iniciado por Max, que não anunciou candidatura ao Governo. São lideranças políticas que passaram a enxergá-lo como um dos nomes capazes de ocupar o espaço aberto pelas insatisfações no grupo governista.

Max demonstrou força ao reunir mais de 100 prefeitos, parlamentares, vereadores e representantes de diferentes regiões durante o ato de filiação do Podemos. A mobilização mostrou capilaridade municipal, capacidade de diálogo e organização partidária.

Em um momento no qual Mauro Mendes enfrenta críticas por concentrar decisões, Max passa a ser lembrado justamente por apresentar uma característica diferente: a capacidade de conversar com diferentes partidos e grupos.

Janaina Riva também ganha espaço

A deputada Janaina Riva, presidente estadual do MDB, também passou a ser vista como uma das principais alternativas para uma nova composição majoritária.

Seu nome reúne força eleitoral, presença regional e ligação com uma legenda que mantém diálogo com diferentes forças políticas.

Nenhuma chapa foi confirmada. Entretanto, nos bastidores já surgem hipóteses envolvendo Max e Janaina em uma mesma composição, inclusive com Max concorrendo ao Governo e a deputada como vice.

Neste momento, essa possibilidade deve ser tratada como articulação e especulação política, não como decisão formal. O que já existe é a percepção crescente de que os dois podem representar uma alternativa competitiva ao projeto de continuidade do grupo governista.

A conta política pode estar começando a chegar

Mauro Mendes venceu a disputa interna, retirou Jayme Campos do caminho e manteve o União Brasil no palanque de seu antigo vice.

Mas essa vitória pode ter produzido três consequências importantes: enfraquecimento do protagonismo do União Brasil, aumento da insatisfação entre aliados e abertura de espaço para a construção de um novo grupo político.

Lideranças que não se sentiram contempladas agora podem buscar outra direção. E quanto mais nomes importantes forem deixados de fora, maior será o potencial de uma nova composição reunir força suficiente para enfrentar o projeto de Pivetta.

Análise: Mauro ganhou a convenção, mas pode ter dividido o grupo

A escolha por Pivetta não seria tão traumática se estivesse limitada a um apoio pessoal de Mauro Mendes. O ponto mais sensível foi impedir que o União Brasil tivesse sua própria candidatura, mesmo contando com um senador disposto a entrar na disputa.

Ao priorizar um candidato do Republicanos, Mauro garantiu continuidade ao projeto iniciado em seu governo. Porém, também retirou de seu partido a possibilidade de comandar a chapa majoritária e deixou aliados históricos com a sensação de exclusão.

Jayme ficou fora. Júlio demonstrou insatisfação. Dilmar alertou para a perda de força partidária. Botelho já carregava o desgaste da eleição municipal.

Esse conjunto pode criar as condições para uma reorganização mais ampla da política de Mato Grosso.

Max Russi e Janaina Riva ainda não anunciaram uma chapa nem se colocaram oficialmente como líderes de um novo grupo. Entretanto, passaram a ser vistos por muitas lideranças como nomes capazes de agregar os descontentes e apresentar uma alternativa eleitoral competitiva.

Mauro Mendes venceu dentro do União Brasil. Resta saber se, para garantir Pivetta, não acabou entregando aos adversários o motivo que faltava para se unirem.

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O MT Urgente News é um portal de notícias que oferece informações precisas e relevantes sobre as últimas notícias do estado de Mato Grosso. Nós cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo política, economia, esportes, cultura e entretenimento.
Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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