Setor praticamente dobrou o saldo de contratações em relação ao mês anterior no país e reforça a liderança de Mato Grosso na criação de oportunidades, apesar da escassez de mão de obra qualificada.
A agropecuária brasileira voltou a ganhar força na geração de empregos formais em junho e registrou um dos melhores desempenhos entre os setores da economia. Com 111.801 admissões e 91.903 desligamentos, o segmento fechou o mês com saldo positivo de 22.898 vagas com carteira assinada, resultado que representa mais que o dobro do registrado em maio, quando o setor havia criado 11.127 postos de trabalho.
O avanço elevou a agropecuária à segunda posição no ranking nacional de geração de empregos, ficando atrás apenas do setor de serviços, responsável pela abertura de 74.514 vagas. Até então, a construção civil ocupava essa colocação.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o campo já responde por 40.853 novos empregos formais, demonstrando a retomada do ritmo de contratações impulsionado pelas atividades agrícolas e pecuárias em diversas regiões do país.
Em Mato Grosso, principal potência do agronegócio nacional, o desempenho também foi expressivo. O estado encerrou junho com 11.363 admissões e 7.235 desligamentos, alcançando saldo positivo de 4.128 empregos formais, um dos maiores resultados do país.
Apesar do crescimento das contratações, produtores rurais seguem enfrentando dificuldades para preencher vagas. Levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com a Famato e o Senar-MT, aponta que 62,62% dos produtores relatam dificuldades para encontrar trabalhadores.
Entre as funções mais procuradas estão operadores de máquinas agrícolas, citados por 63,77% dos entrevistados, além de trabalhadores para serviços gerais e técnicos agrícolas. A pesquisa também revela que a falta de qualificação profissional é apontada por quase sete em cada dez produtores como o principal obstáculo para as contratações, seguida pela incompatibilidade entre o perfil dos candidatos e as exigências das vagas.
O estudo ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios mato-grossenses para mapear o cenário da mão de obra no campo e identificar os principais desafios enfrentados pelo setor.
No cenário nacional, o mercado de trabalho manteve trajetória positiva em junho, com a criação de 145.161 empregos formais. No acumulado do primeiro semestre, o país soma 921.645 novas vagas com carteira assinada e, nos últimos 12 meses, o saldo chega a 963.921 postos de trabalho, elevando para cerca de 48 milhões o número de vínculos formais ativos.
Além dos serviços e da agropecuária, os setores do comércio, indústria e construção civil também encerraram junho com saldo positivo, confirmando um ambiente de expansão do emprego formal em todos os grandes segmentos da economia.


