Ex-governador afirma que ação da Polícia Federal foi articulada por adversários políticos para influenciar as eleições, nega irregularidades em acordo firmado entre a PGE e a Oi e promete comprovar legalidade dos atos.
O candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) classificou como uma “armação eleitoreira” a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (6), e afirmou que a investigação tem motivação política para prejudicar sua candidatura nas eleições deste ano.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o ex-governador negou qualquer participação em irregularidades envolvendo o acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a empresa Oi, que resultou na devolução de R$ 308 milhões aos cofres públicos. Segundo ele, a negociação foi conduzida dentro da legalidade e passou por diversas instâncias de controle antes de ser homologada pela Justiça.
Mendes sustentou que o acordo foi analisado por procuradores, recebeu pareceres favoráveis dos órgãos de fiscalização e foi considerado vantajoso para o Estado. Ele também afirmou que não possui qualquer vínculo com os fundos de investimento que receberam os recursos decorrentes da operação financeira.
Durante o pronunciamento, o candidato relacionou a deflagração da operação ao período eleitoral, destacando que a ação ocorreu cerca de 60 dias antes da votação. Para ele, a coincidência de datas reforça a suspeita de uso político da investigação e tem como objetivo enfraquecer seu projeto eleitoral.
Sem apresentar provas, Mauro Mendes acusou adversários políticos de anteciparem informações sobre a operação antes mesmo de sua execução. Ele citou nominalmente os candidatos ao Senado Janaina Riva (MDB), Pedro Taques (PSB), Carlos Fávaro (PSD) e o senador Jayme Campos (União Brasil), afirmando que integrantes desse grupo já comentavam sobre a investigação antes da atuação da Polícia Federal.
O ex-governador também associou a operação às recentes disputas políticas envolvendo seu grupo, lembrando que Jayme Campos teve a candidatura ao Governo do Estado rejeitada na convenção do União Brasil e que Janaina Riva não foi escolhida para compor como vice a chapa liderada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A Operação Heritage cumpriu mandados de busca e apreensão na residência da família Mendes. Além do candidato, foram alvos a ex-primeira-dama Virginia Mendes e os filhos do casal, Luis Antônio Mendes e Ana Carolinne Mendes Facure. Conforme decisão judicial, os investigados tiveram os passaportes recolhidos e estão proibidos de deixar o país enquanto perdurarem as medidas cautelares.
Ao encerrar o pronunciamento, Mauro Mendes afirmou que todas as acusações serão esclarecidas no decorrer das investigações e reiterou que confia na legalidade dos atos praticados durante sua gestão. Segundo ele, a verdade será restabelecida e a operação não impedirá a continuidade de sua campanha ao Senado.


