Levantamentos divulgados em intervalo de poucos dias alternam a liderança entre Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta
A disputa pelo Governo de Mato Grosso está cada vez mais apertada. Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) aparecem como os principais candidatos, mas os levantamentos divulgados nas últimas semanas apresentam cenários diferentes e podem confundir o eleitor.
Na pesquisa Real Time Big Data, divulgada no dia 3 de setembro, Wellington apareceu na liderança com 34% das intenções de voto, contra 27% de Pivetta.
Já o Paraná Pesquisas, divulgado nesta quarta-feira (9), mostrou o contrário: Pivetta liderando com 40,8%, enquanto Wellington registrou 30%.
Em uma pesquisa, Wellington tem sete pontos de vantagem. Na outra, Pivetta aparece 10,8 pontos à frente.
Os resultados reforçam que a eleição está em movimento, mas também deixam uma pergunta: em qual pesquisa o eleitor deve acreditar?
Segundo turno também apresenta resultados opostos
As diferenças ficam ainda mais evidentes nas simulações de segundo turno.
O Real Time Big Data mostrou Wellington vencendo Pivetta:
- Wellington Fagundes: 45%;
- Otaviano Pivetta: 33%.
Poucos dias depois, o Paraná Pesquisas apresentou uma situação completamente inversa:
- Otaviano Pivetta: 47,2%;
- Wellington Fagundes: 38,3%.
Em um cenário, Wellington vence por 12 pontos. No outro, Pivetta aparece 8,9 pontos à frente.
A mudança é significativa e não pode ser explicada apenas pelas margens de erro informadas pelos institutos.
Pesquisas anteriores mostravam equilíbrio
Outros levantamentos já indicavam uma disputa equilibrada.
Em agosto, o MT Dados mostrou Wellington e Pivetta empatados com 27%. Uma rodada anterior do Paraná Pesquisas colocou Pivetta com 39% e Wellington com 35%, mas os dois estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
A sequência dos números mostra a oscilação:
| Pesquisa | Wellington | Pivetta | Resultado |
|---|---|---|---|
| MT Dados — agosto | 27% | 27% | Empate |
| Paraná Pesquisas — agosto | 35% | 39% | Empate técnico |
| Real Time Big Data — setembro | 34% | 27% | Wellington lidera |
| Paraná Pesquisas — setembro | 30% | 40,8% | Pivetta lidera |
Os institutos concordam que Wellington e Pivetta concentram a disputa, mas divergem sobre quem está na frente e sobre o tamanho da vantagem.
Por que os números são tão diferentes?
As pesquisas não entrevistam todos os eleitores. Cada instituto escolhe uma amostra para tentar representar a população de Mato Grosso.
Os resultados podem variar conforme:
- os municípios visitados;
- a quantidade de entrevistas em cada região;
- o peso da capital e do interior;
- idade, renda e escolaridade dos participantes;
- método utilizado na coleta;
- período das entrevistas;
- critérios de ponderação dos dados.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre 29 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O Paraná Pesquisas entrevistou presencialmente 1.352 pessoas entre 6 e 8 de setembro, com margem de erro de 2,7 pontos.
Como os institutos utilizaram amostras e períodos diferentes, os resultados podem variar. Mesmo assim, a distância entre os cenários chama atenção e recomenda cautela.
Resultado depende de onde e de quem foi ouvido
Mato Grosso possui 142 municípios e regiões com características políticas, econômicas e sociais diferentes.
Um candidato pode ser mais forte na capital, enquanto outro possui maior presença no interior. Também pode haver diferenças entre o norte, o sul, o oeste e o Vale do Araguaia.
Por isso, o eleitor deve observar não apenas a porcentagem final, mas também onde as entrevistas foram realizadas e como a amostra foi distribuída.
Uma pesquisa com maior concentração em determinada região pode apresentar um cenário diferente de outro levantamento com maior participação de eleitores de outras partes do estado.
Isso não significa necessariamente erro ou manipulação. Significa que nenhuma pesquisa deve ser analisada isoladamente.
Pesquisa pode influenciar o voto
Além de medir a disputa, uma pesquisa também pode influenciar o ambiente eleitoral.
Quando um candidato aparece na liderança, ele ganha visibilidade, fortalece sua militância e pode atrair novos apoios. Quem aparece atrás pode enfrentar dúvidas e pressão dentro do próprio grupo.
Também existem eleitores que mudam sua escolha porque acreditam que determinado candidato não possui chances de vencer. É o chamado voto útil.
Por isso, resultados tão diferentes podem confundir o eleitor e até interferir na forma como ele enxerga a disputa.
Registro no TSE não garante acerto nas urnas
As duas pesquisas estão registradas na Justiça Eleitoral.
O Real Time Big Data foi registrado sob o número MT-07156/2026. O levantamento do Paraná Pesquisas possui o registro MT-01505/2026.
O registro garante que informações como metodologia, contratante, custos e plano amostral sejam apresentadas para fiscalização.
Entretanto, isso não significa que o TSE tenha confirmado que os percentuais estão corretos. A Justiça Eleitoral não refaz as entrevistas nem garante que os resultados serão repetidos nas urnas.
Cuiabá mostrou que pesquisa não é resultado
A eleição municipal de Cuiabá em 2024 serve como exemplo.
A poucos dias do primeiro turno, uma pesquisa do Instituto Sensor apontou Eduardo Botelho com possibilidade de vencer ainda na primeira etapa.
Nas urnas, o resultado foi diferente. Abílio Brunini terminou em primeiro lugar, Lúdio Cabral ficou na segunda posição e Botelho não avançou para o segundo turno.
O episódio mostra que as pesquisas são retratos de um momento e podem não identificar corretamente mudanças ocorridas nos últimos dias da campanha.
ANÁLISE — A eleição está aberta e o eleitor precisa ter cuidado
Os resultados mais recentes permitem uma conclusão: a eleição para o Governo de Mato Grosso está aberta e deve ser disputada voto a voto.
Wellington lidera em alguns levantamentos. Pivetta aparece à frente em outros. Quando pesquisas realizadas em períodos próximos apresentam resultados tão diferentes, não é prudente tratar nenhuma delas como verdade definitiva.
Isso não significa que os institutos estejam agindo de forma irregular. Significa apenas que pesquisas possuem limitações e podem captar parcelas diferentes do eleitorado.
O maior risco é o cidadão escolher seu candidato apenas pela posição apresentada em uma tabela.
O eleitor precisa analisar propostas, experiência, trajetória, capacidade administrativa e compromisso com Mato Grosso. Pesquisa pode ajudar a compreender o momento, mas não deve substituir uma escolha consciente.
A disputa está apertada. Os levantamentos divergem. E a única pesquisa definitiva será realizada no dia da eleição, quando todos os eleitores tiverem a oportunidade de votar.
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista político | MT Urgente News


