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RETA DECISIVA: pesquisas embaralham disputa pelo Governo, Senado tem líderes fora dos debates e Max Russi desponta na corrida pela ALMT

A menos de um mês das urnas, Mato Grosso vive uma eleição marcada por mudanças nas pesquisas, disputa intensa pelas duas vagas ao Senado e uma corrida aberta pelas 24 cadeiras da Assembleia; Max Russi aparece na liderança entre os estaduais e já admite preparar voo majoritário

Por Alex Rabelo — MT Urgente News

A campanha eleitoral entrou em uma fase em que cada movimento passa a ter peso maior. Em Mato Grosso, as disputas pelo Governo do Estado, pelas duas vagas ao Senado e pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa começam a desenhar seus favoritos, mas apresentam também um ingrediente que exige atenção do eleitor: os números das pesquisas nem sempre contam a mesma história.

Nos últimos dias, levantamentos realizados por diferentes institutos produziram fotografias bastante distintas da corrida pelo Palácio Paiaguás. Enquanto pesquisas divulgadas durante agosto e no início de setembro colocaram Wellington Fagundes (PL) numericamente à frente de Otaviano Pivetta (Republicanos), a mais recente rodada do Paraná Pesquisas trouxe uma inversão expressiva desse cenário.

Ao mesmo tempo, no Senado, Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB) seguem ocupando as duas primeiras posições dos principais levantamentos, embora as ausências dos dois em debates tenham começado a se transformar em pauta da própria campanha.

Na Assembleia Legislativa, a disputa continua extremamente pulverizada, mas Max Russi (Podemos) aparece novamente no topo da pesquisa espontânea e chega à reta decisiva como um dos principais favoritos a terminar a eleição entre os deputados estaduais mais votados.

MAX RUSSI LIDERA E JÁ OLHA PARA UMA ELEIÇÃO MAJORITÁRIA

A mais recente pesquisa Data Index para deputado estadual mostra Max Russi numericamente na primeira colocação, com 2,56% das citações espontâneas.

Na sequência aparecem Beto Dois a Um, com 1,94%; Lúdio Cabral, com 1,88%; Samantha Iris, com 1,81%; e Léo Bortolin, com 1,75%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 28 e 31 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número MT-07360/2026. Um dado fundamental é que 25,29% dos entrevistados ainda não souberam ou preferiram não apontar candidato a deputado estadual.

Isso significa que seria precipitado transformar a liderança atual em resultado antecipado. Mas, quando a pesquisa é analisada junto com a capilaridade política construída por Max nos municípios, sua condição de presidente da Assembleia e o número de alianças reunidas ao seu redor, surge um cenário que hoje o coloca entre os nomes com maior potencial de votação para a ALMT.

Nos bastidores da política mato-grossense, Max chegou a ser citado ao longo do processo pré-eleitoral por lideranças políticas e setores empresariais como um possível nome para disputar o Governo.

Em conversa com o MT Urgente News, Max reconheceu que vontade não faltou, mas deixou claro que uma candidatura ao Governo não poderia nascer somente de uma decisão pessoal. Segundo ele, uma disputa dessa dimensão precisa ser construída coletivamente e, dentro do grupo político do qual participa, o projeto de sucessão de Mauro Mendes já estava direcionado para o então vice-governador Otaviano Pivetta.

Agora, Max deixa outra porta aberta.

No lançamento de sua caminhada pela reeleição, voltou a afirmar que esta deverá ser sua última disputa para deputado estadual e que pretende trabalhar para disputar uma eleição majoritária no futuro.

A declaração não é isolada. Em julho, Max já havia afirmado publicamente que 2026 seria sua última eleição para deputado e que seu planejamento político mira uma candidatura majoritária em 2030, ainda sem definir se para Governo ou Senado.

É um movimento que merece ser observado.

Uma votação expressiva em 2026 poderá servir não apenas para garantir mais um mandato, mas também como demonstração de força para o próximo ciclo eleitoral.

GOVERNO: DUAS FOTOGRAFIAS MUITO DIFERENTES EM MENOS DE UMA SEMANA

É na disputa pelo Governo que as pesquisas mais exigem atenção.

Durante agosto, Wellington Fagundes apareceu numericamente à frente em três levantamentos importantes.

Na Percent Brasil, Wellington tinha 32%, contra 21% de Pivetta. Na pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 12 de agosto, aparecia com 34% contra 26%. Já na Quaest, divulgada em 25 de agosto, Wellington marcava 27%, contra 23% de Pivetta, situação de empate técnico considerando a margem de erro de três pontos.

O mês mudou e a primeira grande pesquisa de setembro manteve a tendência.

Em 3 de setembro, o Real Time Big Data mostrou Wellington com 34%, Pivetta com 27% e Natasha Slhessarenko (PSD) com 13%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 29 de agosto e 2 de setembro e teve margem de erro de dois pontos percentuais.

O mesmo levantamento colocou Wellington à frente também numa eventual disputa de segundo turno: 45% contra 33% de Pivetta.

Então veio uma fotografia completamente diferente.

No dia 9 de setembro, apenas seis dias depois da divulgação do Real Time, o Paraná Pesquisas apresentou Otaviano Pivetta com 40,8% e Wellington Fagundes com 30%. Natasha apareceu com 12%. O levantamento ouviu 1.352 eleitores entre os dias 6 e 8 de setembro, em 52 municípios, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e registro MT-01505/2026.

No segundo turno, o Paraná também colocou Pivetta à frente: 47,2% contra 38,3% de Wellington.

Ou seja: em menos de uma semana, dois institutos registrados na Justiça Eleitoral apresentaram retratos significativamente diferentes.

Isso não significa, por si só, que uma pesquisa esteja certa e outra errada.

Pesquisas eleitorais trabalham com amostras, metodologias, distribuição geográfica, datas de campo e critérios estatísticos próprios. Além disso, elas registram a opinião das pessoas entrevistadas naquele período, e não o resultado antecipado das urnas.

Mas uma diferença desse tamanho naturalmente merece atenção do eleitor e dos analistas.

PESQUISA NÃO É URNA

Daqui até o dia da eleição, Mato Grosso ainda deverá assistir à divulgação de inúmeros levantamentos.

Alguns vão mostrar um candidato crescendo. Outros poderão mostrar o mesmo candidato caindo poucos dias depois.

É justamente nesse momento que o eleitor precisa ter cuidado.

Uma única pesquisa não deve ser tratada como sentença eleitoral. O melhor caminho é observar a sequência histórica, a metodologia, o tamanho da amostra, a data em que as entrevistas foram feitas, a margem de erro, quem contratou o levantamento e o número de registro na Justiça Eleitoral.

Também é necessário evitar transformar diferenças entre institutos automaticamente em suspeitas.

O que chama atenção no cenário atual não é a existência de divergência — algo absolutamente possível em pesquisas —, mas a dimensão da mudança apresentada entre levantamentos realizados em períodos tão próximos.

Por isso, os próximos números serão importantes para indicar se estamos realmente diante de uma mudança consolidada no comportamento do eleitor ou apenas diante de fotografias diferentes produzidas por metodologias distintas.

SENADO: MAURO E JANAINA SEGUEM NA FRENTE

Se a corrida pelo Governo apresenta grandes oscilações, a disputa pelas duas cadeiras do Senado mostra até agora uma tendência mais clara no pelotão da frente.

O levantamento mais recente do Paraná Pesquisas, divulgado em 9 de setembro, mostra Mauro Mendes com 55%, seguido de Janaina Riva, com 31,5%. Depois aparecem José Medeiros, com 21,4%; Carlos Fávaro, com 16,6%; e Pedro Taques, com 15,6%. Como o eleitor de Mato Grosso escolherá dois senadores, os entrevistados puderam indicar até dois candidatos e, por isso, os percentuais não precisam somar 100%.

Mas, novamente, comparar institutos exige entender a metodologia.

No Real Time Big Data divulgado em 3 de setembro, o resultado consolidado, normalizado para uma base de 100%, mostrou Mauro com 27% e Janaina com 26%, configurando empate técnico. Fávaro aparecia com 14%, enquanto José Medeiros e Pedro Taques tinham 13% cada.

São formas diferentes de apresentar uma disputa na qual cada eleitor possui dois votos.

O ponto em comum entre os levantamentos é que Mauro Mendes e Janaina Riva permanecem nas duas primeiras posições.

LÍDERES NAS PESQUISAS, MAS AUSENTES DOS DEBATES

Outro componente começou a chamar atenção na disputa para o Senado.

Mauro Mendes e Janaina Riva, justamente os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições dos principais levantamentos, não participaram do debate promovido pelo g1 em 3 de setembro. O encontro reuniu Carlos Fávaro, Antônio Galvan, Pedro Taques e José Medeiros. Margareth Buzetti também não compareceu naquela ocasião.

Uma semana depois, no dia 10 de setembro, Mauro e Janaina voltaram a ficar fora do confronto promovido pela Rádio Centro América FM e pelo Primeira Página.

Mauro justificou sua estratégia afirmando que tem evitado debates que, em sua avaliação, acabam se transformando em espaços de ofensas e discussões pouco produtivas para o eleitor.

Do ponto de vista eleitoral, a estratégia pode ser compreendida: quem lidera normalmente calcula com mais cuidado a exposição a confrontos.

Do ponto de vista democrático, entretanto, a ausência dos principais candidatos também abre espaço para uma cobrança legítima: quem pretende representar Mato Grosso no Senado precisa colocar suas propostas frente a frente com as dos adversários?

É uma pergunta que o próprio eleitor terá de responder.

A ELEIÇÃO ESTÁ LONGE DE ESTAR DECIDIDA

O retrato de Mato Grosso neste momento mostra três disputas em estágios diferentes.

Na Assembleia Legislativa, existe uma pulverização enorme. Mesmo o primeiro colocado na pesquisa espontânea possui apenas 2,56%, e mais de um quarto do eleitorado consultado ainda não apresentou candidato. Isso torna as últimas semanas decisivas para quem pretende conquistar uma das 24 vagas.

No Senado, Mauro e Janaina ocupam as posições mais confortáveis até aqui, enquanto Medeiros, Fávaro e Taques disputam espaço e tentam transformar debates e confrontos em oportunidade para diminuir a distância.

No Governo, nenhuma leitura definitiva parece prudente.

Wellington chegou a setembro sustentado por uma sequência de levantamentos em que aparecia numericamente na frente. O Real Time de 3 de setembro ainda o colocou sete pontos acima de Pivetta. Seis dias depois, o Paraná apresentou Pivetta 10,8 pontos à frente.

Essa diferença torna as próximas pesquisas ainda mais relevantes.

Mais do que acompanhar quem aparece em primeiro em cada levantamento, será necessário verificar se começa a surgir uma tendência consistente entre diferentes institutos.

ANÁLISE | ALEX RABELO

Pesquisa é fotografia. Eleição é filme.

Quem acompanha política sabe que uma campanha não pode ser analisada por um único número.

Wellington Fagundes chegou à fase decisiva da eleição tendo liderado numericamente vários dos principais levantamentos divulgados em agosto e voltou a aparecer na frente no Real Time no início de setembro. Agora, uma pesquisa apresenta Pivetta com vantagem expressiva.

Isso muda a eleição? Pode mudar a narrativa. Ainda não necessariamente a tendência.

Para sabermos se houve realmente uma virada, será preciso observar os próximos levantamentos.

É justamente neste período que pesquisas vão aparecer praticamente toda semana. Algumas podem apontar crescimento de um candidato e outras produzir resultados completamente diferentes poucos dias depois. O eleitor precisa entender que pesquisa não deve ser usada como instrumento para escolher simplesmente “quem está ganhando”.

É necessário olhar o conjunto.

No Senado, Mauro Mendes e Janaina Riva aparentemente construíram vantagem importante. Mas chama atenção que os dois principais nomes estejam evitando os debates. Liderar pesquisa não elimina a necessidade de explicar projetos, responder perguntas e confrontar ideias.

Já na Assembleia, Max Russi vive talvez um dos momentos políticos mais importantes de sua trajetória.

Hoje não é apenas candidato à reeleição. É presidente da Assembleia, lidera a pesquisa espontânea mais recente e construiu relacionamento político em praticamente todas as regiões do Estado. Se confirmar nas urnas a força que demonstra nos bastidores e nas pesquisas, poderá sair desta eleição não apenas fortalecido para mais um mandato, mas credenciado definitivamente para disputar uma majoritária em 2030.

E existe uma diferença importante nisso.

Uma candidatura majoritária começa muito antes da convenção. Começa na votação anterior, na construção de alianças, na presença municipal, na capacidade de dialogar com grupos diferentes e, principalmente, na percepção de viabilidade.

Max parece ter entendido isso.

Por outro lado, para Governo e Senado, os últimos dias de campanha serão determinantes. Debate, televisão, redes sociais, rejeição, estrutura partidária, presença no interior e capacidade de mobilização poderão produzir mudanças que nenhuma pesquisa divulgada hoje é capaz de antecipar completamente.

Por isso, talvez a principal pesquisa seja aquela que ainda não aconteceu: a das urnas.

Alex Rabelo
Jornalista, marqueteiro e estrategista político
MT Urgente News

Fontes consultadas: Real Time Big Data, Paraná Pesquisas, Quaest, Data Index, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Exame, Estadão Mato Grosso e veículos de comunicação de Mato Grosso. Levantamentos citados possuem registros informados na Justiça Eleitoral.

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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