Unidade municipal está proibida de receber novos pacientes. Na véspera da divulgação da medida, Pivetta defendeu contratos na saúde e condicionou a realização de novos concursos à necessidade do serviço
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) determinou a interdição ética da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande por problemas na escala médica. Com a medida, a unidade fica proibida de receber novos pacientes até comprovar que reúne condições seguras de funcionamento. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (23).
A interdição ética tem caráter preventivo e não significa o encerramento imediato do atendimento aos pacientes já internados. Segundo o CRM-MT, as crianças que permanecem na unidade devem continuar recebendo assistência médica. Caso seja necessário, o município deverá providenciar a transferência dos pacientes para outros serviços de saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que regularizou a escala médica de setembro e encaminhou os documentos ao conselho. A prefeitura também afirmou que busca contratar mais três médicos para reforçar a equipe. Apesar dessas providências, a restrição à entrada de novos pacientes permanece até que o CRM-MT avalie e confirme o cumprimento das exigências.
O caso ocorre durante a campanha para o governo de Mato Grosso. Na terça-feira (22), em sabatina promovida pelo CRM-MT e por entidades da área da saúde, o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu a contratação de serviços como parte da gestão estadual. Questionado sobre a realização de concurso para médicos, afirmou que uma nova seleção será feita “se necessário”, mas não apresentou uma data para o processo.
A UTI interditada é administrada pelo município, e não pelo governo estadual. Portanto, a medida do CRM-MT não decorre de uma decisão do governador. A situação em Várzea Grande, porém, recoloca no centro do debate eleitoral uma questão concreta: como os candidatos pretendem garantir equipes médicas completas, escalas regulares e atendimento contínuo nas unidades públicas de saúde?
Na reta final da eleição, a resposta a essa pergunta — assim como as propostas para a educação e para os demais serviços públicos — oferece ao eleitor elementos para avaliar os candidatos e decidir seu voto.
Fontes:
● HNT — CRM barra novas internações em UTI pediátrica de Várzea Grande por falta de médicos