Pivetta chega a 29%, Wellington mantém 27% e diferença segue dentro da margem de erro; segundo turno e parcela de eleitores que ainda admite mudar o voto aumentam o peso dos últimos debates
A disputa pelo Governo de Mato Grosso entra na última semana em cenário aberto. Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (25), encomendada pela Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), mostra Otaviano Pivetta (Republicanos) com 29% das intenções de voto e Wellington Fagundes (PL) com 27%.
A diferença é de apenas dois pontos percentuais. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, Pivetta e Wellington estão tecnicamente empatados.
Doutora Natasha (PSD) aparece com 11%. Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza) registram 2% cada, enquanto Rafaell Milas (Missão) tem 1%. Brancos, nulos ou entrevistados que dizem não votar somam 22%, e 6% estão indecisos.
Pivetta cresce; Wellington mantém posição
O principal movimento em relação à Quaest de 25 de agosto foi o avanço de Pivetta, que passou de 23% para 29%. Wellington permaneceu em 27%, enquanto Natasha avançou de 8% para 11%.
Também houve redução entre os que ainda não escolheram um candidato: brancos e nulos passaram de 29% para 22%, e os indecisos, de 8% para 6%.
Apesar da maior consolidação do voto, um número mantém a reta final aberta: 35% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de candidato até a eleição. Outros 64% afirmam que sua escolha é definitiva.
Esse grupo que ainda admite mudar o voto aumenta a importância dos últimos programas eleitorais, agendas, entrevistas e, principalmente, dos debates da próxima semana.
Segundo turno apresenta cenário diferente
As simulações de segundo turno acrescentam outro elemento à disputa.
No confronto entre Wellington e Pivetta, o candidato do PL aparece numericamente com 41%, contra 36% do governador. Pela margem de erro, os dois também estão tecnicamente empatados.
Na rodada anterior, Wellington tinha 38% e Pivetta, 29%.
Contra Doutora Natasha, Wellington registra 48%, enquanto a candidata do PSD aparece com 27%.
No terceiro cenário, Pivetta tem 46%, contra 29% de Natasha.
Os cenários são simulações feitas com base nas respostas dos entrevistados e não representam previsão do resultado eleitoral.
Espontânea ainda registra 65% de indecisos
Quando a Quaest não apresenta os nomes dos candidatos, Pivetta aparece com 16%, Wellington com 9% e Natasha com 4%.
O destaque está nos 65% que ainda não citam espontaneamente um candidato. Na rodada anterior, eram 78%.
A espontânea mede uma situação diferente da pesquisa estimulada, mas ajuda a mostrar que ainda existe um contingente expressivo de eleitores sem uma candidatura consolidada na lembrança espontânea.
Rejeição é outro componente da disputa
Wellington também enfrenta o desafio da rejeição.
Segundo a Quaest, 37% dizem conhecer Wellington e votar nele, 30% afirmam não conhecê-lo e 33% dizem conhecê-lo e não votar nele.
No caso de Pivetta, 42% conhecem e votariam, 38% não o conhecem e 20% conhecem e não votariam.
Natasha registra 17% entre os que conhecem e votariam, 71% que não a conhecem e 12% que conhecem e não votariam.
São desafios diferentes para cada candidatura na reta final.
Continuidade é um dos principais ativos de Pivetta
Pivetta também entra na disputa representando um grupo que governa Mato Grosso desde 2019.
Eleito vice-governador ao lado de Mauro Mendes em 2018 e novamente em 2022, ele assumiu definitivamente o Governo em 2026 após a saída de Mendes. Sua candidatura, portanto, está diretamente associada à continuidade de uma administração da qual participou desde o primeiro mandato.
A Quaest mostra números relevantes para essa estratégia: 51% aprovam o governo, enquanto 10% desaprovam. Na avaliação da administração, 42% consideram o governo positivo, 27% regular e 5% negativo.
Outro dado chama atenção: 61% dos entrevistados afirmam que Mauro Mendes merece eleger um sucessor, contra 22% que dizem que não.
Pivetta chega, portanto, à reta final com o ativo de representar uma administração que apresenta indicadores favoráveis na pesquisa.
Wellington percorre o caminho oposto: tenta se consolidar como principal alternativa ao grupo que está no comando do Estado há mais de sete anos, utilizando também a identidade do PL e sua aproximação com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
É nesse confronto entre continuidade e oposição que a eleição chega aos seus dias decisivos.
ANÁLISE | Por Alex Rabelo
Continuidade contra mudança: duas estratégias e dois desafios
Quando olho para os números da Quaest sob a ótica do marketing político, vejo dois candidatos enfrentando desafios completamente diferentes.
Pivetta precisa convencer o eleitor de que vale a pena continuar. Wellington precisa convencê-lo de que chegou a hora de mudar.
Pivetta possui um ativo que poucos candidatos têm: participou durante mais de sete anos do grupo que administra Mato Grosso. Foi vice de Mauro Mendes desde 2019, reelegeu-se ao lado dele em 2022 e assumiu definitivamente o Governo neste ano.
Isso permite à sua campanha trabalhar obras, investimentos, programas e resultados acumulados ao longo desse período.
Mas existe o outro lado dessa herança.
Pivetta não precisa apenas apresentar o que o governo realizou. Ele precisa transformar a aprovação e a liderança política construídas durante a era Mauro Mendes em voto para Otaviano Pivetta.
E, na minha avaliação, essa transferência não é automática.
Pivetta precisa construir sua própria liderança
Mauro e Pivetta possuem trajetórias, estilos e personalidades diferentes.
Mauro deixou o Governo depois de mais de sete anos ocupando o centro das decisões políticas e administrativas do Estado. Ao longo desse período, construiu uma imagem própria de liderança.
Pivetta agora precisa mostrar ao eleitor que não é simplesmente o sucessor escolhido pelo grupo, mas que possui identidade, liderança e projeto próprios.
Na minha leitura, essa talvez seja uma das maiores dificuldades de comunicação da campanha governista.
A campanha trabalha corretamente continuidade, gestão e resultados, mas ainda enfrenta o desafio de transformar a força política acumulada por Mauro Mendes em uma conexão pessoal entre Pivetta e o eleitor.
É nesse contexto que aparece também a percepção de uma campanha menos aquecida. O próprio Mauro Mendes reconheceu recentemente que a campanha eleitoral estava “um pouco fria”, atribuindo o cenário a um distanciamento maior da população em relação à política.
Portanto, não basta Pivetta dizer que continuará aquilo que deu certo.
Ele precisa fazer o eleitor enxergar Pivetta dentro dessa continuidade.
São coisas diferentes.
Wellington enfrenta a máquina e um grupo consolidado
Do outro lado, Wellington Fagundes enfrenta um desafio igualmente grande, mas completamente diferente.
Ele disputa contra o governador em exercício e contra um grupo político que está no comando de Mato Grosso desde janeiro de 2019.
Isso significa enfrentar uma candidatura que pode apresentar resultados de governo, possui ampla articulação política e carrega o apoio de um grupo consolidado no Estado.
Mesmo nesse ambiente, Wellington chega à última semana com 27% contra 29% de Pivetta, tecnicamente empatado segundo a Quaest.
Esse dado, na minha avaliação, precisa ser observado com atenção.
Wellington conseguiu permanecer competitivo durante toda a caminhada e busca ocupar justamente o espaço de oposição ao projeto governista.
Além disso, sua candidatura carrega outro ativo político: a força do PL e sua identificação com o eleitorado de direita e bolsonarista em Mato Grosso.
Essa identidade ajuda a estabelecer uma divisão clara para o eleitor: de um lado, a continuidade do atual grupo; do outro, uma candidatura que procura representar uma alternativa dentro de um eleitorado fortemente conservador.
E é justamente nesse ponto que considero que o marketing de Wellington merece uma análise especial.
Entre os profissionais responsáveis pela coordenação da comunicação está Caco Mesquita, que participou da coordenação do MARKETING da campanha que levou Abilio Brunini à Prefeitura de Cuiabá em 2024.
Marketing não é fazer o candidato aparecer
É justamente aqui que está uma das maiores diferenças entre publicidade eleitoral e marketing político.
Marketing não é simplesmente colocar o candidato na televisão.
Não é produzir o vídeo mais bonito.
Não é fazer mais posts.
Não é ter o maior volume de propaganda.
Marketing político é conseguir responder de maneira simples:
Quem é meu candidato?
O que ele representa?
Qual é sua diferença?
Quem precisa ouvi-lo?
E como faço esse eleitor criar identificação com ele?
Na minha avaliação, o trabalho desenvolvido pela equipe de Wellington, com participação de Caco Mesquita, tem buscado justamente construir essa conexão.
A mensagem vem procurando apresentar Wellington como candidato do PL, identificado com a direita e com o bolsonarismo e como alternativa ao projeto de continuidade do atual grupo político estadual.
É uma identidade simples de compreender.
E, em marketing político, clareza vale muito.
O 29% a 27% ajuda a dimensionar essa disputa
Por isso considero particularmente interessante olhar novamente para os números desta sexta-feira:
Pivetta: 29%.
Wellington: 27%.
Não estou dizendo que esses 27% sejam resultado do marketing. Nenhuma análise séria poderia fazer essa afirmação.
Eleição envolve candidato, partido, alianças, cenário nacional, propostas, estrutura, recursos, militância, rejeição, história política e diversos outros fatores.
Mas existe um dado objetivo: Wellington chega à última semana tecnicamente empatado com o candidato que ocupa o Governo e representa um grupo instalado no poder há mais de sete anos.
Isso demonstra que existe uma disputa real.
E demonstra também a força eleitoral que a direita e o PL continuam apresentando em Mato Grosso.
Pivetta também avançou — e isso não pode ser ignorado
Do outro lado, qualquer análise precisa reconhecer o movimento registrado pela Quaest.
Pivetta cresceu seis pontos, passando de 23% para 29%.
É um avanço relevante.
Portanto, sua estratégia também precisa ser considerada dentro do contexto mais amplo da campanha, ainda que uma pesquisa isolada não permita atribuir crescimento ou queda exclusivamente ao marketing.
Pivetta trabalha uma narrativa baseada em:
continuidade + gestão + resultados.
Wellington trabalha:
oposição + direita + identidade política + alternativa.
Na minha leitura, o ponto que diferencia as duas campanhas neste momento está no desafio de conexão.
Pivetta precisa transformar a força do legado de Mauro Mendes em uma liderança própria.
Wellington precisa transformar a força da direita, do PL e sua condição de oposição em voto suficiente para superar a estrutura governista.
Os debates podem mexer nessa construção
E agora chegamos a uma fase em que o marketing perde parte do controle sobre o candidato.
São os debates.
Com 35% dos entrevistados pela Quaest afirmando que ainda podem mudar de voto, os próximos confrontos ganham peso.
Debate não ganha sozinho uma eleição. Mas pode criar fatos capazes de repercutir durante dias.
Hoje, o debate não termina quando a televisão encerra a transmissão.
Uma resposta de 30 segundos vira corte.
Uma pergunta mal respondida vira manchete.
Uma boa argumentação vira conteúdo.
Um confronto vira meme.
E tudo circula nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp.
É justamente aí que veremos também a capacidade das equipes de comunicação de preparar seus candidatos e transformar cada momento em narrativa.
A reta final será uma disputa de liderança e conexão
Essa eleição apresenta, portanto, uma situação interessante para quem estuda comunicação política.
Pivetta possui o governo, a continuidade e o legado administrativo do grupo.
Mas precisa mostrar ao eleitor quem é Pivetta quando Mauro Mendes deixa de ser o protagonista.
Wellington enfrenta uma estrutura política consolidada e um grupo que administra Mato Grosso há mais de sete anos.
Mas permanece competitivo, sustentado também pela força do PL e pela identificação com uma parcela importante do eleitorado de direita.
E é nesse cenário que considero relevante o trabalho de Caco Mesquita e da equipe de Wellington.
Caco participou de uma campanha vencedora em Cuiabá em 2024 e agora está diante de um desafio de dimensão estadual: conectar Wellington Fagundes ao eleitor de Mato Grosso e transformar identidade política em intenção de voto.
O resultado dessa estratégia não pode ser antecipado.
Mas a Quaest desta sexta-feira mostra exatamente o tamanho da disputa:
29% a 27%.
E mostra também que, no confronto direto de segundo turno, Wellington aparece numericamente com 41% contra 36% de Pivetta, ainda em situação de empate técnico.
Na reta final, portanto, não estaremos acompanhando apenas uma disputa por votos.
Estaremos acompanhando uma disputa entre duas narrativas.
De um lado, um candidato tentando transformar legado em liderança própria.
Do outro, um candidato tentando transformar oposição, identidade e conexão em alternativa de poder.
É nos próximos dias que essas duas estratégias enfrentarão seu maior teste: o eleitor.
Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News