Com avanço da semeadura, produtores precisam intensificar monitoramento das lavouras; percevejo-castanho, lagartas e mosca-branca estão entre as principais ameaças no começo do ciclo
O início do plantio da soja em Mato Grosso vem acompanhado de um alerta importante para os produtores. As condições mais secas podem favorecer a incidência de pragas justamente em uma fase considerada decisiva para o estabelecimento e desenvolvimento das lavouras.
Com as máquinas já em campo em diferentes regiões do Estado, especialistas recomendam que o acompanhamento das áreas comece desde os primeiros dias após a semeadura. A identificação precoce pode evitar que uma infestação avance e provoque perdas de produtividade e aumento dos custos de produção.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que 1,15% dos 13,05 milhões de hectares projetados para a soja já foram semeados. O ritmo está acima dos 0,55% observados no mesmo período da safra anterior e também supera a média histórica de 0,94%.
Seca exige atenção redobrada
Entre as pragas que mais preocupam neste começo de ciclo estão o percevejo-castanho, lagartas e mosca-branca.
O assessor técnico de Agricultura do Sistema Famato e engenheiro-agrônomo Alex Oliveira Rosa alerta que o período seco exige atenção ainda maior por parte dos produtores, já que essas condições podem aumentar a pressão de determinadas pragas.
A principal recomendação é não esperar que os danos apareçam para começar a acompanhar a lavoura. O monitoramento frequente permite identificar a presença dos insetos, avaliar a população existente e definir o momento correto para uma eventual intervenção.
No início do desenvolvimento da soja, o percevejo-castanho merece atenção especial porque ataca as raízes e pode comprometer a emergência e o desenvolvimento das plantas.
À medida que a cultura avança, lagartas e mosca-branca também passam a representar risco, podendo provocar danos às folhas e interferir no crescimento das plantas.
Já nas fases de formação das vagens e dos grãos, a atenção se volta principalmente aos percevejos, que podem atingir diretamente os grãos e provocar perdas tanto em produtividade quanto na qualidade final da soja.
Monitoramento deve acompanhar todo o ciclo
O cuidado não termina nas primeiras semanas.
O ciclo da soja em Mato Grosso pode durar aproximadamente 115 a 120 dias, dependendo da cultivar utilizada e das condições de cada área. Por isso, o acompanhamento deve ocorrer durante praticamente todo o desenvolvimento da cultura.
Uma das ferramentas utilizadas no campo é a chamada “batida de pano”, técnica que auxilia na identificação e quantificação dos insetos presentes na lavoura.
Com essas informações, o produtor consegue avaliar se a população de determinada praga atingiu o chamado nível de dano econômico, ajudando a definir se existe necessidade real de controle.
Aplicação preventiva pode aumentar custos
Outro ponto importante é evitar o uso indiscriminado de defensivos apenas como medida preventiva, sem que o monitoramento indique presença ou quantidade relevante de pragas.
Além de elevar o custo da produção, aplicações realizadas sem critérios técnicos podem comprometer a eficiência do manejo ao longo da safra.
A recomendação é priorizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), utilizando informações coletadas no campo para definir quando e como agir.
O momento da intervenção também é decisivo. Quando uma infestação é identificada apenas em estágio avançado, o controle tende a ficar mais difícil e o potencial de prejuízo aumenta.
Ferrugem-asiática também exige acompanhamento
Além dos insetos, doenças continuam no radar dos produtores.
Entre elas está a ferrugem-asiática, uma das principais preocupações fitossanitárias da cultura da soja.
Monitoramento constante, identificação precoce e decisão baseada em critérios técnicos são fundamentais para reduzir riscos durante a safra.
Em um Estado que lidera a produção nacional de soja, pequenas perdas percentuais podem representar impactos econômicos significativos quando consideradas as dimensões das áreas cultivadas.
Exportações de farelo avançam
O cenário de atenção no campo ocorre em um momento de crescimento das exportações de derivados da soja produzidos em Mato Grosso.
Entre janeiro e julho de 2026, o Estado embarcou 5,22 milhões de toneladas de farelo de soja, segundo dados compilados pelo Imea a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume representa crescimento de 10,26% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram exportadas 4,74 milhões de toneladas.
Para a safra 2025/26, a estimativa do Imea aponta produção de 10,33 milhões de toneladas de farelo de soja e 2,72 milhões de toneladas de óleo de soja.
Com a nova semeadura avançando, a combinação entre clima, manejo e monitoramento das lavouras volta a ser determinante para proteger o potencial produtivo de uma das atividades mais importantes da economia mato-grossense.
Por: Alex Rabelo — jornalista | MT Urgente News