Liminar determina retirada dos resultados do ar e dá 48 horas para instituto apresentar explicações sobre dados entregues à Justiça Eleitoral
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou a suspensão da divulgação da pesquisa do Instituto Veritá registrada sob o número MT-09975/2026, após identificar inconsistências na documentação apresentada pelo instituto. A decisão liminar foi proferida pelo juiz auxiliar da propaganda Flávio Fraga e Silva, em representação apresentada pela candidata ao Senado Janaina Riva (MDB).
Entre os pontos analisados pela Justiça Eleitoral estão 30 registros duplicados, divergências na identificação territorial dos entrevistados e diferenças entre o plano amostral registrado anteriormente e os dados apresentados posteriormente pelo instituto.
De acordo com a decisão, os registros numerados de 1 a 30 foram novamente relacionados, na mesma sequência, entre as posições 685 e 714 da documentação entregue ao TRE. As duplicidades envolvem entrevistas atribuídas aos municípios de Barra do Garças e Confresa. Segundo a análise judicial, as 30 ocorrências representam aproximadamente 26% das 116 entrevistas declaradas em uma das regiões consideradas no levantamento.
O magistrado apontou que os dados ainda precisam ser esclarecidos e levantou duas possibilidades: os registros correspondentes às entrevistas podem não existir ou a relação apresentada pelo instituto pode não representar corretamente a amostra efetivamente realizada.
A documentação também apresentou inconsistências na localização dos entrevistados. Juara, Carlinda e Paranaíta, que são municípios distintos, aparecem identificadas como bairros de Sinop. Em outro caso, Castelo dos Sonhos, distrito situado no Pará, foi associado a Colniza, em Mato Grosso. Também foram encontradas referências como “INDEFINIDO” e “ZONA”, que, segundo a decisão, dificultam a identificação precisa dos locais das entrevistas.
A Justiça Eleitoral apontou ainda ausência de informações sobre setores censitários e divergências entre as faixas de renda e escolaridade previstas no plano amostral registrado e aquelas apresentadas na composição final da pesquisa.
Com a liminar, o Instituto Veritá e o Sistema de Comunicação Pantanal Ltda., responsável pela Rede Brasil de Televisão, foram obrigados a retirar do ar, no prazo de 24 horas, os resultados já divulgados. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 10 mil por ato.
O instituto também recebeu prazo de 48 horas para apresentar esclarecimentos e documentos à Justiça Eleitoral. A decisão determina ainda a preservação dos registros com data e horário das coletas, além das gravações das entrevistas realizadas.
A medida é de caráter liminar e, portanto, não representa decisão definitiva sobre a regularidade da pesquisa nem conclusão de que tenha ocorrido fraude. O Veritá ainda poderá apresentar sua manifestação e os documentos solicitados, antes da análise definitiva do caso.
Pesquisa divulgada na segunda-feira
O levantamento suspenso foi divulgado na segunda-feira (28) e ouviu 1.220 eleitores entre os dias 20 e 24 de setembro, conforme informações divulgadas sobre a pesquisa, registrada também no TSE sob o protocolo BR-04418/2026.
No cenário estimulado para o Governo de Mato Grosso, o levantamento apontava Otaviano Pivetta (Republicanos) com 39,1%, seguido por Wellington Fagundes (PL), com 32,3%, e Natasha Slhessarenko (PSD), com 15%. Sargento Laudicério (Agir) aparecia com 1,3%, Rafaell Milas (Missão), com 0,7%, e Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,5%. Brancos e nulos somavam 5,8%, enquanto 5,3% não souberam ou não responderam.
Os resultados fazem parte da pesquisa alcançada pela ordem de suspensão e, conforme a decisão, devem permanecer fora de divulgação enquanto a medida estiver vigente.
Segunda suspensão envolvendo o instituto
A nova decisão ocorre menos de duas semanas após outra determinação envolvendo o Instituto Veritá. Em setembro, a Justiça Eleitoral já havia determinado a suspensão de outro levantamento do instituto, registrado sob número diferente, após questionamentos relacionados ao questionário utilizado.
Neste novo processo, porém, os questionamentos apresentados pelo TRE-MT estão relacionados principalmente à documentação da amostra, duplicidade de registros, localização das entrevistas e divergências metodológicas.
O processo seguirá agora para a manifestação do Instituto Veritá e das demais partes. Depois dessa etapa, a Justiça Eleitoral deverá analisar os argumentos e documentos apresentados para decidir sobre a manutenção ou eventual revogação da suspensão.