Resultado do primeiro turno mostra avanço do campo conservador no Congresso e nos estados, enquanto disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula segue para 25 de outubro
O resultado das eleições deste domingo (04.10) redesenhou o cenário político brasileiro e evidenciou o crescimento da direita nas urnas. Na disputa pela Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os dois disputarão o segundo turno no dia 25 de outubro.
Com 99,97% das urnas apuradas, Flávio contabilizava 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,04% dos votos válidos. Lula somava 53,8 milhões, com 45,15%. A diferença ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os números foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que posteriormente registrou 99,99% da apuração com Flávio em 47,03% e Lula em 45,16%.
O resultado presidencial veio acompanhado de uma mudança significativa na composição política do país. O campo de direita ampliou sua presença no Congresso e conquistou espaço em governos estaduais, fortalecendo uma tendência que ganhou força desde 2018 e se consolidou nas eleições de 2022.
A disputa pelo Palácio do Planalto, porém, permanece aberta. Como nenhum dos dois candidatos alcançou mais de 50% dos votos válidos, a definição ficará para uma nova votação. Cerca de 7,8% dos votos válidos foram destinados aos demais candidatos, formando o principal universo em disputa no segundo turno.
Entre os nomes que ficaram fora da segunda etapa estão Augusto Cury, que recebeu 2,89% dos votos válidos, e Renan Santos, com 2,25%. Ronaldo Caiado e Romeu Zema também encerraram a participação na corrida presidencial.
Mudança no mapa político
A eleição também revelou alterações importantes no equilíbrio de forças entre estados e no Congresso Nacional. O avanço de candidatos identificados com a direita foi acompanhado pela ampliação da presença do PL e de partidos aliados nas bancadas legislativas.
Minas Gerais aparece entre os estados que reforçaram essa mudança. A disputa presidencial no estado terminou com vantagem para Flávio Bolsonaro, enquanto Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador ainda no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos.
O desempenho mineiro ganha peso por se tratar de um dos maiores colégios eleitorais do país e por historicamente apresentar forte relevância nas eleições presidenciais.
No Senado, a nova composição também aponta para uma Casa mais alinhada ao campo conservador. Em São Paulo, por exemplo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos para as duas vagas em disputa.
Segundo turno terá disputa acirrada
A diferença inferior a dois pontos percentuais entre Flávio e Lula deixa a segunda etapa marcada pela disputa pelos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho e pela mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas.
No primeiro turno, a abstenção ficou em 21,08%, enquanto os votos brancos representaram 1,84% e os nulos, 2,93%.
Com os dois principais candidatos concentrando mais de 92% dos votos válidos, a campanha para o segundo turno deverá se concentrar na busca por alianças, na tentativa de ampliar a base eleitoral e na consolidação dos votos já conquistados.
A nova etapa da eleição também recoloca no centro do debate temas como economia, segurança pública, programas sociais, relação entre os Poderes e políticas para o Congresso Nacional.
Congresso terá papel estratégico
Além da disputa presidencial, a nova configuração do Congresso será um dos elementos relevantes para o próximo governo. O crescimento das bancadas de direita deverá influenciar a relação entre o Executivo e o Legislativo, independentemente do resultado da eleição presidencial.
O cenário também deverá repercutir na relação entre Congresso e Supremo Tribunal Federal, especialmente diante de pautas que já provocam divergências entre parlamentares de diferentes campos políticos.
Com a eleição de novos senadores e deputados, a composição do Legislativo a partir de 2027 terá peso nas discussões sobre projetos de governo, orçamento, reformas e demais propostas que dependerão de maioria parlamentar.
Decisão será em 25 de outubro
O segundo turno está marcado para o domingo, 25 de outubro. Flávio Bolsonaro chega à nova etapa como o candidato mais votado do primeiro turno, enquanto Lula busca reverter a diferença registrada na primeira votação.
A eleição, portanto, entra em uma nova fase, com os dois candidatos disputando os votos dos demais concorrentes e dos eleitores que não participaram do primeiro turno. O resultado definirá quem comandará a Presidência da República no próximo mandato.