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FIM DE UM CICLO? Família Campos fica sem mandato em 2027 e futuro político entra em discussão

Derrota de Kalil Baracat em Várzea Grande foi primeiro grande sinal; dois anos depois, Jayme deixa o Senado e Júlio não consegue se reeleger para a Assembleia. Afinal, para onde vai um dos grupos políticos mais tradicionais de Mato Grosso?

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News

Durante décadas, falar de política em Mato Grosso — e principalmente em Várzea Grande — quase sempre significou, em algum momento, falar da família Campos.

Jayme Campos e Júlio Campos atravessaram gerações, ocuparam alguns dos principais cargos públicos do estado e construíram um grupo com presença política que ultrapassou meio século.

Mas as urnas parecem ter enviado um recado diferente nos últimos anos.

A partir de 2027, pela primeira vez em décadas, os irmãos Jayme e Júlio Campos estarão fora de cargos eletivos, abrindo uma pergunta que até pouco tempo atrás parecia improvável:

o que aconteceu com a força política da família Campos e para onde o grupo vai agora?

O PRIMEIRO GRANDE ALERTA VEIO DE VÁRZEA GRANDE

Para entender o momento atual, é preciso voltar a 6 de outubro de 2024.

Kalil Baracat (MDB) buscava a reeleição para prefeito de Várzea Grande e tinha o apoio da família Campos, além de uma ampla base política.

Do outro lado estava Flávia Moretti (PL), estreante em disputas eleitorais majoritárias e candidata de oposição.

O resultado contrariou as pesquisas da época.

Flávia venceu com 68.760 votos, 50,54% dos votos válidos, contra 61.005 votos, ou 44,84%, de Kalil. Foram 7.755 votos de diferença.

Não foi apenas a derrota de um prefeito tentando a reeleição.

Politicamente, aquele resultado mostrou que o apoio da família Campos já não era suficiente, sozinho, para garantir uma vitória em seu principal reduto eleitoral.

A própria cobertura da eleição destacou que Kalil disputou com uma grande base política liderada pelos Campos e, ainda assim, acabou derrotado pela oposição.

JÚLIO RECONHECEU O DESGASTE

Talvez uma das análises mais importantes sobre aquela derrota tenha vindo de dentro da própria família.

Poucos dias depois da eleição, Júlio Campos reconheceu publicamente o desgaste do grupo.

Ele relacionou o resultado a problemas enfrentados pela administração municipal, entre eles a falta de água e as denúncias envolvendo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), e reconheceu que, depois de anos de um mesmo grupo no comando municipal, havia sentimento de renovação entre parte do eleitorado.

Jayme, por outro lado, rejeitou naquele momento a interpretação de que tivesse saído politicamente enfraquecido. Argumentou que não era candidato, mas apoiador de Kalil, e destacou o desempenho do União Brasil em outros municípios do estado.

As duas declarações mostravam leituras diferentes sobre o mesmo resultado.

Mas, olhando agora em perspectiva, a eleição de 2024 pode ser considerada um importante sinal de mudança no ambiente político de Várzea Grande.

DOIS ANOS DEPOIS, NOVO REVÉS

Chegamos então às eleições de 2026.

Júlio Campos buscava permanecer na Assembleia Legislativa, onde havia conquistado uma cadeira em 2022 com 33.800 votos.

Desta vez, não conseguiu a reeleição.

É um resultado significativo principalmente quando colocado diante da trajetória de Júlio.

Ele já foi prefeito de Várzea Grande, deputado federal, governador de Mato Grosso e senador. Em diferentes momentos de sua carreira, conseguiu retornar às urnas mesmo depois de períodos longe dos cargos eletivos.

Agora, aos 79 anos, termina 2026 sem conseguir renovar o mandato estadual.

JAYME TAMBÉM DEIXA O SENADO

Ao mesmo tempo, Jayme Campos encerra seu atual mandato no Senado em 31 de janeiro de 2027, segundo a matéria-base fornecida ao MT Urgente.

Durante a construção da eleição de 2026, Jayme buscou espaço para disputar novamente o Governo de Mato Grosso.

O projeto não avançou.

A convenção do União Brasil optou por outro caminho e o partido entrou na composição em torno da reeleição de Otaviano Pivetta, frustrando a possibilidade de Jayme retornar naquele momento à disputa pelo Palácio Paiaguás.

Assim, ocorre uma combinação política rara para a família:

Júlio sem mandato na Assembleia e Jayme deixando o Senado.

O QUE REALMENTE ACONTECEU COM OS CAMPOS?

Não existe uma única resposta.

A derrota de Kalil em 2024 não pode ser tratada como responsável, sozinha, pelo cenário de 2026.

Mas ela pode ser interpretada como um primeiro grande sinal eleitoral de que a força histórica do grupo estava sendo testada até mesmo dentro de Várzea Grande.

E isso é particularmente relevante.

Durante décadas, o poder político dos Campos não esteve baseado apenas nos mandatos de Jayme e Júlio. Ele também passou pela capacidade de formar grupos, eleger aliados, participar de composições e influenciar sucessões.

Quando um grupo político começa a encontrar dificuldade justamente na transferência desse capital eleitoral, surge um problema maior do que simplesmente perder uma eleição.

Surge a necessidade de renovação.

E AGORA, PARA ONDE VAI A FAMÍLIA CAMPOS?

Essa talvez seja a principal pergunta depois das eleições de 2026.

Ficar sem mandato não significa desaparecer da política.

Jayme e Júlio ainda carregam décadas de relacionamentos, experiência, aliados, bases municipais e influência partidária. Uma derrota eleitoral não apaga essa construção.

Mas o cenário a partir de 2027 é diferente.

O desafio agora será saber se o grupo conseguirá transformar influência histórica em uma nova geração de lideranças.

Quem será preparado para ocupar esse espaço?

A família conseguirá construir um novo nome competitivo?

Ou continuará dependendo politicamente de Jayme e Júlio?

Essas perguntas se tornam ainda mais importantes porque a política mudou.

Redes sociais ganharam peso, novos grupos cresceram, o eleitorado passou por transformações e Várzea Grande mostrou, em 2024, que até estruturas tradicionais podem ser derrotadas.

FIM OU RECOMEÇO?

Seria precipitado decretar o “fim” político da família Campos.

Grupos com décadas de história não desaparecem necessariamente porque passam um período sem mandato.

Mas também seria difícil ignorar a sequência recente.

2024: o grupo apoia Kalil Baracat, mas Flávia Moretti vence a Prefeitura de Várzea Grande.

2026: Jayme não consegue viabilizar sua candidatura ao Governo e se aproxima do fim do mandato no Senado.

2026: Júlio tenta a reeleição para deputado estadual e não conquista uma das cadeiras.

São episódios diferentes, mas, vistos em conjunto, formam uma fotografia política que merece atenção.

A grande questão para os Campos agora talvez não seja apenas como recuperar um mandato.

É descobrir como renovar um projeto político construído durante mais de cinco décadas para conversar com um eleitorado que já mostrou estar disposto a experimentar novos nomes.

A eleição de Flávia Moretti em Várzea Grande acendeu o primeiro grande alerta. As eleições de 2026 aumentaram o tamanho da pergunta.

A família Campos está apenas atravessando um período fora dos mandatos ou Mato Grosso está assistindo ao encerramento de um dos ciclos políticos mais longevos de sua história?

A resposta não virá apenas das urnas de 2026.

Virá dos próximos movimentos de Jayme, Júlio e, principalmente, de quem eles escolherem para representar o futuro político da família.

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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