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“PUXADINHO DA PREFEITURA?” Paula Calil reage a rótulo que marcou sua gestão na Câmara de Cuiabá

Após perder espaço na disputa pela Mesa Diretora, presidente rejeita críticas de alinhamento excessivo com Abilio, diz que decisões sempre passaram pelos 27 vereadores e afirma que deixa comando sem sentimento de derrota

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News

Um rótulo acompanhou Paula Calil (PL) durante boa parte de sua passagem pela Presidência da Câmara de Cuiabá e voltou com força justamente no momento em que ela se prepara para deixar o comando da Casa:

a Câmara virou um “puxadinho da Prefeitura” durante sua gestão?

Paula diz que não.

Após a eleição de Ilde Taques (Podemos) para comandar o Legislativo no biênio 2027/2028, a atual presidente rebateu diretamente essa avaliação e afirmou que nenhuma decisão importante da Câmara depende exclusivamente dela.

“Quem avalia é o Plenário. O voto aqui não é um voto único, monocrático. O voto é do Plenário”, declarou Paula, classificando as críticas como narrativas sem fundamento. Gazeta Digital

O RÓTULO QUE PAULA TENTA AFASTAR

A expressão “puxadinho da Prefeitura” não apareceu somente agora.

Ela esteve presente desde a própria construção da candidatura de Paula à Presidência da Câmara, no final de 2024.

Naquele momento, a vereadora tinha o apoio do então prefeito eleito Abilio Brunini (PL) e já era questionada sobre o grau de independência que teria em relação ao Executivo.

Antes mesmo de assumir, Paula respondeu que a Câmara seria uma instituição independente e que os projetos enviados pelo Executivo seguiriam normalmente os trâmites legislativos. Diario de Cuiabá

Quase dois anos depois, a discussão reaparece justamente no encerramento de seu ciclo como presidente.

A proximidade política entre Paula e Abilio e a tentativa do grupo ligado ao prefeito de mantê-la no comando da Câmara alimentaram novamente o debate sobre a independência do Legislativo.

ABILIO TENTOU MANTER PAULA

A disputa pela sucessão ajuda a explicar por que o assunto ganhou força.

Paula buscou construir uma alternativa para permanecer na Presidência, mas uma nova candidatura dependia de mudanças no Regimento Interno que não avançaram.

Abilio também participou das articulações para tentar manter seu grupo político no comando da Mesa. Sem conseguir viabilizar Paula, outros nomes chegaram a ser discutidos, entre eles Dilemário Alencar.

Nenhuma alternativa reuniu votos suficientes para derrotar Ilde. CUIABÁ NOTÍCIAS

No final, aconteceu algo ainda mais simbólico:

Ilde entrou na eleição como candidato único e recebeu os votos dos 27 vereadores.

Ou seja, até parlamentares que estavam inicialmente em outro campo acabaram aderindo à composição. Gazeta Digital

“NÃO FUI ELEITA PARA SER PRESIDENTE”

Apesar de o grupo ter tentado construir sua permanência no comando da Casa, Paula afirma que não encara o resultado como derrota pessoal.

A vereadora lembrou que seu mandato recebido nas urnas é de parlamentar, e não de presidente da Câmara.

“Eu não fui eleita para ser presidente da Câmara. Eu fui eleita para ser vereadora.”

Paula disse estar tranquila e afirmou que pretende garantir uma transição administrativa organizada para Ilde. Gazeta Digital

MAS A CÂMARA FOI OU NÃO “PUXADINHO”?

Essa talvez seja a pergunta política que ficará sobre o período de Paula à frente da Casa.

A presidente rejeita a expressão argumentando que projetos passam pelas comissões e precisam ser votados pelo Plenário.

Nesse ponto, existe uma diferença importante entre proximidade política e subordinação institucional.

Paula e Abilio pertencem ao mesmo partido e mantiveram proximidade política. O prefeito também trabalhou para preservar o grupo da atual presidente na Mesa Diretora. Isso é documentado. Gazeta Digital

Mas transformar essa relação em prova de que a Câmara esteve subordinada ao Executivo exigiria analisar objetivamente as votações, projetos aprovados e rejeitados, pedidos de fiscalização, atuação das comissões e posicionamentos dos vereadores durante todo o período.

A própria Paula sustenta que o Plenário contrariou o Executivo em diferentes momentos.

Portanto, “puxadinho da Prefeitura” permanece como um rótulo político contestado pela presidente, e não como uma conclusão factual estabelecida.

CURIOSAMENTE, ILDE TAMBÉM FALA EM INDEPENDÊNCIA

Existe ainda uma ironia política na troca de comando.

Ao ser eleito, Ilde também precisou responder à mesma questão: qual será sua relação com Abilio?

O novo presidente afirmou que a Câmara precisa ser independente, mas descartou transformar o Legislativo em uma força de oposição ao prefeito.

“Jamais”, respondeu ao ser questionado se poderia travar pautas de Abilio. Segundo Ilde, os Poderes precisam trabalhar em harmonia, apesar das divergências políticas. Gazeta Digital

Ou seja, a discussão sobre independência que acompanhou Paula provavelmente também acompanhará seu sucessor.

PAULA DEIXA A PRESIDÊNCIA, MAS CONTINUA VEREADORA

A mudança de comando também não significa o fim da trajetória política de Paula.

Ela deixa a Presidência, mas continua exercendo o mandato de vereadora.

Agora, fora da principal cadeira do Legislativo, terá inclusive a oportunidade de responder politicamente ao rótulo que marcou parte de sua passagem pelo comando da Casa por meio da própria atuação parlamentar.

Para Paula, seu balanço é positivo: ela afirma que buscou integrar os vereadores, cuidar da estrutura da Câmara, valorizar servidores e respeitar o Regimento Interno. Gazeta Digital

Ilde assume em janeiro com discurso semelhante em um ponto fundamental: harmonia com o Executivo, mas preservação da independência do Legislativo. Gazeta Digital

No fim, portanto, a troca de presidente deixa uma questão maior do que a disputa entre Paula, Ilde ou Abilio:

até onde deve ir a relação de harmonia entre Prefeitura e Câmara sem comprometer a independência de quem tem justamente a função de legislar e fiscalizar o Executivo?

Essa discussão não termina com a saída de Paula Calil da Presidência.

Ela apenas muda de personagem.

Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News

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Alex Rabelo de Araújo
Jornalista — DRT 3336

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