Cúpula do Centrão já trata vitória do candidato do PL como certa, segundo o Metrópoles; Flávio saiu das urnas com 47,03%, contra 45,16% de Lula, mas disputa segue aberta até 25 de outubro
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News
O resultado do primeiro turno começou a redesenhar rapidamente o tabuleiro político da disputa pela Presidência da República.
Depois de optar pela neutralidade no primeiro turno, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
A movimentação ganha ainda mais peso porque, segundo apuração publicada nesta quarta-feira (7) pelo Metrópoles, integrantes do alto escalão do Centrão já passaram a tratar uma vitória de Flávio como certa nos bastidores. Trata-se, porém, da avaliação dessas lideranças — e não de uma definição eleitoral.
AS URNAS MUDARAM O JOGO
No domingo (4), Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos.
Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%.
A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Foi depois desse resultado que o Centrão acelerou as negociações.
Segundo o Metrópoles, União Brasil e PP haviam escolhido a neutralidade no primeiro turno, preservando espaço para negociar no segundo. Agora, a federação decidiu fechar questão em favor de Flávio.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) confirmou a decisão após reunião das duas legendas em Brasília. A orientação partidária poderá inclusive gerar consequências internas para integrantes que decidirem seguir caminho diferente.
FLÁVIO COMEÇA A AMPLIAR ALIANÇAS
A União Progressista não é a única movimentação registrada após o primeiro turno.
Romeu Zema (Novo) declarou apoio a Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) também anunciou sua posição ao lado do candidato do PL. A CNN informou ainda que o Novo prepara a formalização do apoio partidário.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também declarou apoio ao candidato, ampliando a aproximação de Flávio com lideranças do agronegócio.
O movimento mostra que uma parcela dos partidos e lideranças que não estava formalmente com Flávio no primeiro turno começou a se posicionar rapidamente depois da abertura das urnas.
MAS A ELEIÇÃO ESTÁ DECIDIDA?
Não.
Esse é o ponto que precisa ser separado da movimentação dos bastidores.
O Centrão pode fazer sua leitura política e escolher onde apostar, mas são os eleitores que decidirão a eleição no dia 25 de outubro.
E os números mostram uma disputa ainda competitiva: a distância no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual.
Agora começa praticamente uma nova eleição.
Flávio buscará transformar a liderança do primeiro turno e os novos apoios políticos em votos adicionais.
Lula, por sua vez, terá de ampliar sua votação e disputar os eleitores dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
O CENTRÃO ESTÁ ANTECIPANDO O RESULTADO OU APENAS ESCOLHENDO ONDE APOSTAR?
Essa é a questão política que surge com a movimentação.
Até o primeiro turno, União e PP preferiram não escolher oficialmente entre Lula e Flávio.
Depois que Flávio terminou na frente, a neutralidade acabou.
Segundo a CNN, a aproximação já vinha sendo construída anteriormente, mas o avanço das conversas estava condicionado ao desempenho de Flávio no primeiro turno. O resultado das urnas destravou as negociações.
Isso ajuda a explicar por que o movimento aconteceu tão rapidamente.
Também existe uma discussão sobre governabilidade. O Metrópoles aponta que a aproximação é vista por integrantes desse campo político como uma aposta na formação da base de um eventual governo, em um Congresso que terá forte presença da direita.
Portanto, a fotografia política desta quarta-feira mostra uma mudança clara:
Flávio terminou o primeiro turno na frente e passou a atrair apoios que não estavam oficialmente com ele. Lula continua na disputa, separado do adversário por menos de dois pontos percentuais no resultado de domingo.
O Centrão já fez sua aposta.
Agora falta saber se as urnas do dia 25 confirmarão a leitura dos caciques partidários ou se o eleitor produzirá um resultado diferente daquele que hoje parte de Brasília considera provável.
Fonte principal: Metrópoles. Dados eleitorais: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por: Alex Rabelo — jornalista e estrategista em marketing político | MT Urgente News