Projetos desenvolvidos nas Escolas Técnicas Estaduais incluem captação de água da chuva, agricultura inteligente, inteligência artificial e materiais sustentáveis para a construção civil.
Estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) de Mato Grosso apresentam soluções tecnológicas para desafios ambientais, agrícolas e sociais durante a 18ª Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), realizada de 21 a 23 de outubro, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Os projetos integram a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que tem como tema “Ciência Delas” e destaca a participação de meninas e mulheres na produção científica.
Entre as iniciativas apresentadas estão sistemas para captação e reaproveitamento de água, ferramentas de monitoramento climático, inteligência artificial aplicada à preservação ambiental e pesquisas voltadas à redução dos impactos da produção agrícola e da construção civil.
Na ETEC de Cáceres, a estudante Ester Hadassa de Souza desenvolveu o projeto Captação Inteligente de Água da Chuva, orientado pelos professores Verônica Silva de Albuquerque e Marcelo Henrique Siqueira. A proposta busca oferecer alternativas de abastecimento para pequenas propriedades rurais, especialmente famílias que enfrentam dificuldades de acesso à água. “A gente pensou nas pessoas que moram em sítios, em áreas rurais, que não têm acesso à água ou que enfrentam a falta dela”, explicou a estudante.
Também com foco na conservação dos recursos hídricos, Nathaly Duarte Rodrigues apresentou o projeto Barraginhas na Agropecuária, sob orientação da professora Verônica Silva de Albuquerque. A pesquisa aborda estruturas destinadas à captação de águas pluviais e enxurradas, favorecendo a infiltração no solo e a recarga dos lençóis freáticos. Segundo a estudante, o trabalho permitiu conhecer alternativas para enfrentar o ressecamento do solo e buscar soluções por meio da pesquisa científica.
Na ETEC de Tangará da Serra, os estudantes Ana Caroline Dantas, Luanny Mariah da Silva e Vitor Gabriel Cabral desenvolveram o Agritec – Horta Inteligente Sustentável, com orientação do professor Luis Otávio Toledo. O projeto reúne irrigação automatizada, monitoramento, energia solar e reaproveitamento da água descartada por aparelhos de ar-condicionado. A iniciativa busca aproximar os conhecimentos teóricos da prática, integrando educação, tecnologia e sustentabilidade.
A unidade também apresenta o projeto Agroclima Rural – Estação Meteorológica de Baixo Custo, desenvolvido por Diogo Gonçalves, Erick Gabriel dos Santos, Crislaine Andrade da Silva, Maria Eduarda Gomes e Wevelyn Carolayne da Silva, sob orientação do professor Fernando Xavier. O equipamento utiliza sensores, plataforma Arduino e energia solar para acompanhar dados como temperatura, umidade do ar e precipitação. A proposta é ampliar o acesso de agricultores familiares a informações meteorológicas que auxiliem no planejamento das atividades e na redução de perdas na produção.
Já na ETEC de Cuiabá, os estudantes Gabriel Henrique de Souza e José Mateus de Souza desenvolveram o Eco Guardiões Mato Grosso, sob orientação do professor Francisco Oliveira Braga. A ferramenta utiliza inteligência artificial para facilitar o acesso a informações sobre focos de queimadas, reunindo dados públicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). O sistema permite que os usuários consultem as informações de maneira mais acessível, sem precisar interpretar planilhas técnicas, e conta com mecanismos destinados a reduzir erros nas respostas geradas pela tecnologia.
Outra pesquisa da unidade, intitulada Corredor Verde Sustentável com Reúso de Água, é de autoria de Matheus Henrique Pedroso, com orientação dos professores Vanusa Hoki e Eduardo Nogueira. O projeto propõe a criação de um espaço de convivência com vegetação a partir do reaproveitamento de água de aparelhos de ar-condicionado e da utilização de materiais como garrafas PET e paletes. A iniciativa associa sustentabilidade, segurança do trabalho e melhoria do ambiente escolar.
Na ETEC de Campo Verde, os trabalhos concentram-se em alternativas para a agricultura e a indústria. Uma das pesquisas investiga o aproveitamento de resíduos do algodão na produção de hidrogéis destinados à liberação controlada de nutrientes no solo. O projeto é desenvolvido pelo estudante Leonardo Guimarães da Silva, sob orientação do professor Mario Rodrigo dos Santos.
Com a mesma orientação, Guilherme de Almeida desenvolveu uma ferramenta de aprendizado de máquina capaz de analisar dados e recomendar tipos de biocarvão de acordo com as características do solo. A proposta busca contribuir para decisões mais adequadas no manejo agrícola.
A unidade também apresenta uma pesquisa sobre o uso de terra de diatomáceas no controle do bicudo-do-algodoeiro, desenvolvida pelo estudante Kalléo José Faria de Jesus, e um estudo sobre a produção de tijolos de solo-cimento sem necessidade de queima, elaborado por Isac Lima Machado. Ambos os trabalhos são orientados pela professora Manoela Lara Dias. A técnica de fabricação dos tijolos pode contribuir para diminuir os impactos ambientais associados à construção civil.
Os projetos apresentados na MECTI demonstram como a educação profissional pode conectar o aprendizado em sala de aula à investigação científica e ao desenvolvimento de soluções para problemas concretos de Mato Grosso. Ao reunir pesquisas de diferentes áreas, a mostra também abre espaço para discutir a participação feminina na ciência e na tecnologia, em sintonia com o tema desta edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.


